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Quem nunca, né?

Quem nunca, né?
Por Lúcia Búrigo Em 23/07/2020 às 09:17

(Sugestão: leia ouvindo Gil – Pela Internet 2)

Você abre o celular e a fada sensata chamada Siri sinaliza o tempo gasto na web na semana que passou. Surpreso? Cresceu consideravelmente, não foi? A desculpa ideal: agora tudo é pela web, né mores? Como não aumentar? Se tem uma coisa que brasileiro ama é web, leia-se rede social. Os números não mentem, somos trending topic no tempo de permanência conectado e no volume de usuários. Ah, e tem também a genialidade campeã revelada por representantes da Terra Brasilis nas batalhas de memes.  Isso porque a essa altura tem muitos lugares, nem tão remotos, que não tem cobertura. Localidades onde Jout Jout é uma ilustre desconhecida, cujo nome facilmente seria confundido com um soluço e Ana Maria Braga é ainda a celebridade da hora e a expressão Porta dos Fundos apenas remete a saída de serviço de uma residência. Enquanto isso, a porção conectada tupiniquim se anima, colocando a bundinha para balançar nos Tik Toks da vida, porque afinal de contas um pouco de diversão não faz mal a ninguém. Quem não gostaria, fala a verdade? E a pergunta que não quer calar, haverá vida fora das mídias digitais no pós pandemia?

 

Pode ficar atordoado porque é assim mesmo que a gente se sente quando alguém insiste em assoprar no ouvido que para performar bem na web e gerar tráfego tem que postar e postar muuuito, no universo dos terabytes. É bem provável que esta seja a causa de tanto lixo rolando nos feeds do planeta. Embora se fale tanto que conteúdo é rei e que a relevância é que gera a audiência, há controvérsias. A verdade é que até alguns grandes astros do besteirol resolveram se posicionar mais e mostrar que tem muito a compartilhar. E diga-se de passagem, com abobrinhas ou sem, as mídias digitais têm sido a salvação da lavoura para muitos que estão isolados e completamente sós, principalmente nestes dias em que estamos enfastiados e aborrecidos, sem poder beijar, abraçar e jogar conversa fora com sorriso largo, que agora se esconde por trás de máscaras cheias de rituais de bota e tira. Um saco. Mas, que bom que existem, amenizando as ameaças que se espalham no ar, aliás, com velocidade similar as notícias falsas que invadem os smartphones.

 

É incrível que no meio da avalanche de fake news quem resgata a audiência é o off line trazendo as informações das quais a tiazinha do Acre também se abastece porque está distante das mídias digitais. Pensando nisto, Zuckerberg que não é bobo, tem anunciado na TV, assim como o Uber passeia pelo outdoor e o pelas emissoras de rádio e o Ifood alimenta veículos de comunicação bem convencionais, em horários como o do Faustão e do Luciano Huck. Startups, depois de crescidinhas, parecem entender que não é só de mídia espontânea que vive um negócio e sua expansão, portanto, tem muito a ver com mídia de massa. Isso pra não falar do Google, que até outro dia, buscava clientes, com uma mala direta entregue pelos Correios na porta de casa, oferecendo bônus na compra de seus ads, os anúncios mais disputados da atualidade. Será que os meios são as mensagens, como afirmava o filósofo e educador canadense Marshall McLuhan?

 

Essa conversa é para lembrar que na era pós-digital em que se vive é preciso um espírito digital que permita acompanhar o que virá. O fenômeno chamado de cibridismo está vivíssimo, como anuncia Martha Gabriel. On e off se fundem. A mutualidade, que é capacidade das máquinas se comunicarem entre si, fica mais ampla a cada dia, como explica Walter Longo. A dureza é mudar o mindset para compreender como tudo se integra e entender que a mídia hoje é bem mais do que um post customizado. Drucker dizia: o maior perigo em tempos de turbulência, não é turbulência em si, mas continuar com a lógica do passado. Na ânsia de sermos contemporâneos só não podemos nos perder. Portanto, fique ligado no que você posta, porque fala muito sobre você, mas, isto é uma outra história...

 

Lúcia Búrigo 

Sócia da Bossa Experiências Criativas - Profissional de Marketing & Comunicação - Produtora e apresentadora do Varejo em Pauta -  FCDL/SC - Professora da Graduação e Pós - Coordenadora de Marketing da CDL Criciúma.