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Meça suas palavras, parça!

Meça suas palavras, parça!
Por Lúcia Búrigo Em 16/07/2020 às 10:19

Interessante pensar que a linguagem materializa os nossos pensamentos. Já divagou a respeito? Deve ser por isso que se diz que a palavra tem poder. A palavra tangibiliza a linguagem, gera conversa e inspira. Palavra, migues, tem história, se movimenta, mudando de significado com o passar do tempo, podendo ser tranformada, extinta ou criada. Nada, mas nadica de nada mesmo, representa mais o humano do que a comunicação, que ocorre por conta da linguagem, dando voz a pessoas e causas. Ela nos permite compreender e interpretar a realidade. Por isso é tão fascinante, desafiadora e necessária. Quem não está interessado em desenvolver a habilidade de se comunicar, deveria se ligar. Afinal de contas dizem por aí: “comunicação é poder”. Será? E você, tem medido bem as palavras que escolhe para se fazer entender?

 

Comunicação vem de comunis, significa dividir e a sua base é o entendimento. Então, tome nota: sem ele, não há comunicação. E pasme, a ausência de comunicação também diz muito. Experimente uma pausa no meio de uma fala... A responsabilidade do processo é sempre do emissor da mensagem. Portanto, comunicação é o que o outro entende. O bom comunicador é generoso, se preocupa com o outro. Usa a empatia para escolher as palavras pensando em se conectar com a sua audiência. Isso ele consegue quando provoca emoção. Não é lindo? É sedutor. Mas, também pode não ser exatamente assim, porque há dinâmicas invisíveis por trás das falas e desvendá-las nos dá condição de ser menos vulneráveis a discursos interesseiros, abre espaço para o protagonismo na tomada de decisão. Trocando em miúdos, nos torna menos manipuláveis. Para melhorar o processo de comunicação pessoal, investir em autoconhecimento é essencial, assim como estar aberto a ampliar o repertório.

 

Trazendo para o momento presente, visualize o cenário: home office feito a forceps, ruídos para todo lado, misturados num caldeirão efervescente de emoções, angústias e inseguranças. Pessoas loucas para dar um rolê e um alô ao vivo,  com o desejo de sair e ver o mundo cerceado e se sentindo oprimidas por uma circunstância. O compartilhar de histórias, que é base da comunicação está limitado as telas. Com isso se perde mais de 70% do potencial de se fazer entender, que é representado pela expressão não verbal. Uma tsunami de informações, transborda num excesso de meios limitados pela ausência do contato interpessoal. Estamos reunidos no mesmo tempo, mas em espaços diferentes. Se não tem a presença, como se garante a interpretação da informação? Esse é o ambiente perfeito para desencadear um processo de comunicação  ruim, concorda? É preciso atenção...

 

Será a tecnologia a vilã da comunicação, nestes tempos de pandemia, Batman? O movimento digital apenas joga luz na nossa dificuldade de compreender e discernir. Ficamos suscetíveis, pois assim como temos acesso a muita coisa boa, o lixo também prolifera. O sociólogo Edgar Morin defende que aprender sobre a compreensão, que vem do latim e diz respeito a perceber o significado de algo, deveria ser despertado muito cedo. Quem sabe assim, ficaríamos mais espertos e nos interessaríamos mais  pela  busca de provas lógicas sobre as informações que recebemos? Ficaríamos, talvez, mais atentos ao contexto do que ao texto e estaríamos, deste modo, menos suscetíveis a fake news e a narrativas repletas de pessoalidade, que geram cenários complexos, de difícil entendimento,  onde a palavra é uma arma usada propositalmente  para confundir. Refletir a esse respeito pode ser um bom começo para escrever uma história diferente,  não acha?

 

Lúcia Búrigo 

Sócia da Bossa Experiências Criativas - Profissional de Marketing & Comunicação - Produtora e apresentadora do Varejo em Pauta -  FCDL/SC - Professora da Graduação e Pós - Coordenadora de Marketing da CDL Criciúma.