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Falando em nudes, choro e latidos...

Falando em nudes, choro e latidos...
Foto: Avel Chuklanov
Por Lúcia Búrigo Em 10/09/2020 às 08:30

A vida não é mais a mesma, mesmo.  Atalhos sensacionais encurtaram tempo e distâncias. O que parecia inacessível chegou aos lares e aos ambientes corporativos sem a menor cerimônia. O santo Zoom, tão tripudiado e mais um zilhão de  plataformas invadiram a privacidade, compartilhando nudes que quebraram a sisudez de conversas difíceis, trouxeram chorinhos emocionantes para aulas a distância e latidos que arrancaram risos em apresentações de projetos. As plataformas estão agitando a cena, possibilitando retomadas rápidas, ressignificação das celebrações e compartilhar conhecimento, muitos sentimentos e emoções.

As múltiplas telas, que já estavam inseridas na vida de todos, dividindo as atenções entre aparelhos de TV, notebooks, tablets e smartphones ganharam ainda mais relevância. Nos últimos tempos é por elas que a vida acontece. Nos conectamos com pessoas nas mais diversas dimensões e com elas foram sendo descortinadas possibilidades inimagináveis. A criatividade somada a necessidade de continuar realizando ocasionou descobertas incríveis, ampliando espaços e oportunizando a democratização de atividades como shows, palestras, cursos, workshops, aulas para alunos de todas as idades.

As lives ampliaram a voz e o prestígio de pessoas como a cantora baiana Tereza Cristina que virou a hostess mais badalada do instagram, cujo perfil é palco para o desfile de celebridades e suas canjas inusitadas. Detalhe: quanto mais tarde da noite melhor para ver os ídolos baludos que compartilham generosamente seu talento. E quando parecia que já se havia visto muito, o teatro se apropriou das telas, estreando uma linguagem retratada por uma estética  surpreendente como a peça digital que vi e vivi neste último domingo. Ingressos comprados numa outra plataforma eram a senha de acesso para a sala de espetáculo, no quarto do artista, que com duas câmeras, luzes e um estratégico desenho de cenário reportava a platéia a Descoberto, em Minas, a praias e mais uma infinidade de lugares, contando histórias do seu avô. Que linda descoberta!

E não pára por aí. Aniversários a distância, os niverlines, expressão que inventei, tem reunido amizades nas plataformas com a contação de alegres histórias ao som do parabéns a você de uma nova era, onde a distância só é lembrada porque falta o abraço, mas oportuniza trazer convidados de todos os continentes para celebrar. Quem diria... são os legados da pandemia, que tanto tem ensinado sobre uma nova maneira de conviver, estudar, trabalhar, fazer arte, terapia, namorar...

Há quem diga que o turismo corporativo acabou. Das reuniões de trabalho on line vieram as facilitações conduzidas por aqueles que se apropriaram deste espaços, desenvolvendo atividades de cocriação em ambiente virtual. Isso sem falar dos eventos recheados de dados, usados em tempo real para que animadores digitais, recém inventados, redirecionem as experiências e não permitam que  platéia fique entediada. Em estandes virtuais, conversando com bots que representam empresas nos divertimos com estratégias inteligentes de bonificação que jogam muita endorfina na nossa corrente sanguínea para nos manter ligados e ativos num mundo omnichannel. A vida segue seu curso de um jeitinho que faria Heráclito morrer de rir, porque a cada milésimo de segundo estamos passando num rio totalmente reiventado. Então, aperte o cinto para transitar neste novo mundo exponencial. Enjoy.

Lúcia Búrigo – Sócia da Bossa Experiências Criativas - Profissional de Marketing & Comunicação - Produtora e apresentadora do Varejo em Pauta -  FCDL/SC - Professora da Graduação e Pós. Coordenadora de Comunicação da CDL Criciúma.