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Marketing sem mimimi

Marketing sem mimimi
Por Lúcia Búrigo Em 23/10/2019 às 22:42 - Atualizado há 7 meses

Da varanda, eu flertava com o horizonte,  numa tarde chuvosa desse outubro rosa quase concluído.  No auge da minha abstração, repentinamente, lembrei de uma pergunta feita por uma estudante muito atenta, numa palestra para acadêmicos de um curso de graduação, com habilitação em marketing. Ela questionava sobre qual o sentimento que me invadia, quando via o marketing relacionado a verbos como ludibriar? Putz. Perguntinha para uma boa e relevante discussão que faz refletir sobre o significado de práticas que ocorrem no cotidiano de algumas organizações, cujo propósito é apenas um conjunto de belas palavras arranjadas harmonicamente, declaradas em manifestos, que não se traduzem no trato com seu cliente.

O atemporal Peter Drucker já dizia em alto e bom som, em priscas eras e sem perder a validade neste momento digital, que “o marketing é tão básico que não pode ser considerado uma função separada. É o negócio total visto do ponto de vista de seu resultado final, isto é, do ponto de vista do consumidor. O sucesso empresarial não é determinado pelo fabricante, mas pelo consumidor”, dizia Drucker. Esse cara era incrível. Sábias suas palavras... Ou seja, o começo de tudo está no entendimento que se tem do consumidor e das suas necessidades, para que a oferta esteja coerente. Se a organização realmente entende o seu cliente é capaz de se antecipar e detectar desejos que ele até desconhece.

Essa compreensão ocorre quando há sintonia plena. Quando existe uma escuta atenta que permite perceber com clareza o que é preciso entregar, diante das expectativas. É característica de quem está ciente de que servir é a ação que move uma organização para a qual o cliente é, de fato, o protagonista que oportuniza a sua existência. Conceito este que deveria ser absolutamente simples e natural, mas nem sempre é. Há organizações que ainda teimam em fazer com o cliente um permanente cabo de guerra. Em contrapartida, em seu propósito, desfraldam bandeiras importantes, representadas por um discurso que é quase uma oração, de tão bem construído. Porém,  na hora do vamos ver não bancam o que dizem acreditar.

Em alguns casos fica tão dissimulado que um olhar distraído, por vezes, nem consegue perceber a olho nu, levando um tempinho para que se revele. É uma pena que por conta de mentiras de pernas nem sempre curtas, reproduzidas em conteúdos que se replicam no on e no off line, muita gente atribui ao marketing a pecha de engambelar. Na verdade, mentes ardilosas, que acreditam que é possível enganar a todos o tempo todo, subvertem a ordem, criando uma névoa pecaminosa para algo que deve ser tratado com um respeito profundo, que é a relação com o cliente. Vamos combinar que aqui a empatia cai bem e ajuda a refletir. E para responder ao questionamento de minha inquisidora do início do texto diria que: marketing tem tudo a ver com atitude, o resto é mimimi.