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Projeto da Betha Sistemas recebe indicação para prêmio da Unesco

Plataforma usa AI para prever evasão e reprovação escolar na rede pública
Projeto da Betha Sistemas recebe indicação para prêmio da Unesco
Foto: Foto: Divulgação
Por João Pedro Alves Em 23/12/2019 às 19:52

Uma solução desenvolvida pela Betha Sistemas, de Criciúma, foi selecionada para concorrer a um prêmio internacional da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) com o propósito de reconhecer iniciativas inovadoras de desenvolvimento do ensino e aprendizado na era digital. A plataforma chamou a atenção da comissão avaliadora dos projetos brasileiros por utilizar a inteligência artificial (IA) para prever evasão e reprovação escolar.

O Prêmio UNESCO King Hamad Bin Isa Al-Khalifa desde 2006 reconhece dois projetos de diferentes partes do mundo por ano com US$ 25 mil, em uma cerimônia em Paris, na França. A próxima ocorre em março de 2020. A edição atual tem como tema “o uso da inteligência artificial para inovar a educação, o ensino e o aprendizado”. “Estar na disputa por esse prêmio de nível mundial já é uma vitória e representa muito, afinal reconhece o nosso esforço na busca de uma educação pública municipal cada vez mais eficiente”, destaca o CEO da Betha Sistemas, Aldo Garcia.

Para chegar à condição de um dos dois representantes brasileiros, a Betha Sistemas foi selecionada pela divisão das Nações Unidas do Ministério das Relações Exteriores, que montou uma comissão com representantes das pastas da Educação e Ciência e Tecnologia. “O endosso se dá após uma avaliação do projeto inteiro e uma série de critérios, como a factibilidade e os objetivos. Esta proposta chamou a atenção porque vai de encontro a questões delicadas dentro da educação brasileira e por isso se faz muito necessário”, explica a assistente do secretário geral da Comissão Nacional para a UNESCO no Brasil (órgão sediado no Ministério das Relações Exteriores), Ana Luiza Melo Botelho.

 

O Projeto

Com a experiência de três décadas em soluções de softwares para a gestão pública, a Betha Sistemas identificou entre as principais dores da área da educação nos municípios brasileiros a evasão escolar e as reprovações. Problema que custou R$ 16 bilhões somente em 2016 aos cofres públicos do Brasil, conforme o Censo Escolar, além do impacto para a vida de cada um dos milhões de jovens que deixam de estudar.

Como referência, a empresa colheu dados de um município de médio porte no interior de Alagoas, onde 1,1 mil deixaram de estudar e 2,2 mil não conseguiram a aprovação, o que resultou na perda de mais de R$ 3,8 milhões em recursos federais do Plano Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e do Fundeb.

A equipe de desenvolvedores elaborou uma plataforma que com machine learning (ramo da inteligência artificial que “ensina a máquina” a processar informações) consegue prever os alunos com maiores riscos de abandonar os estudos ou reprovar. O primeiro piloto está rodando desde abril em Bombinhas, no Litoral de SC. Para aprender o perfil dos alunos, o algoritmo foi alimentado com dados de mais de 19 mil matrículas dos anos anteriores, sendo que, destas, 1,5 mil estudantes haviam sido reprovados e quase 700 evadiram.  

“O sistema aprende o que é uma evasão ou reprovação alertando os professores e gestores sobre tais riscos em vários momentos, como na funcionalidade de chamada da turma. Nesse momento temos mais de 20 municípios utilizando a ferramenta já com o recurso habilitado e o resultado de assertividade média tem demonstrado índices superiores a 95%”, detalha o coordenador da vertical Educação da Betha Sistemas, Daniel Camilo.

Depois de um período de adaptação nos primeiros meses de uso, a ferramenta trouxe informações importantes para o trabalho de gestores e professores, frisa o diretor de Projetos e Tecnologia da Secretaria Municipal de Educação de Bombinhas, Ricardo Osvaldo da Silva. “Ao olhar percebemos com mais clareza a realidade do aluno que tende à reprovação, que é o nosso maior foco neste projeto. Com relatórios fornecidos pelos sistema, apresentamos aos coordenadores de escola os dados para que eles pudessem agir na ponta, junto aos professores”, comenta.