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As soluções das empresas geradas pelos próprios funcionários

Equipes de melhorias promovem inovações em empresas da região
As soluções das empresas geradas pelos próprios funcionários
Foto: Divulgação/Grupo Eliane
Por João Pedro Alves Em 28/08/2019 às 09:50

“Santo de casa”, no adágio popular, não faz milagre. A regra se quebra, porém, nas empresas onde a inovação recebe estímulos e os colaboradores têm espaços para levantar ideias e colocá-las em prática. Os chamados grupos de melhoria reúnem funcionários dessas organizações que não produzem milagres, mas resolvem muitos problemas e geram inovações dentro delas. Somente nas 28 filiadas ao Núcleo Catarinense de Círculos de Controle de Qualidade (CCQ) foram sugeridas 60,1 mil ideias, sendo 53,2 mil aprovadas e 36,5 mil implantadas pelas 1077 equipes.

Com a metodologia do Núcleo Catarinense de CCQ aplicada há 22 anos, o Grupo Eliane mantém um dos programas mais antigos de gestão da excelência com equipes de colaboradores voluntários no Estado. Os números impressionam. Dos 93 Grupos de Estudos e Sugestões (GES) mantidos na companhia saem em média 1500 ideias por ano, revela o coordenador dos GES, Luan Soratto, que também preside o Núcleo Catarinense de CCQ.

Os times variam entre três e cinco participantes, com a preferência de que sejam de setores diferentes. Todo mês os grupos se reúnem para conversar sobre problemas e oportunidades de melhorias e, nos debates, saem as propostas de soluções para três eixos: econômico, social ou ambiental.

“Podemos afirmar que em 96% dos casos são inovações em forma incremental ao nível operacional, ou seja, soluções observadas para melhorar máquinas, métodos e processos. Geralmente elas são propostas para resolver problemas que dificultam as rotinas operacionais”, afirma Luan.

As inovações incrementais, mesmo sendo em grande parte das vezes pequenas mudanças no processos, têm grande impacto quando somadas, assegura a especialista da Talento Consultoria, empresa responsável pelo Sistema de Gestão da Qualidade da Anjo Tintas, Geani Vieira dos Santos. "É um trabalho de formiguinha, todo mundo fazendo. E por ter essa característica de aprimoramento de processos, são soluções que podem ser copiadas ou adaptadas de outras indústrias, mesmo de diferentes segmentos, ou pesquisadas na internet", enaltece. Na Anjo existem 29 grupos dentro do Programa de Inovação e Melhorias (PIM).

Inovações em atendimento

De grupos formados por funcionários nascem não só ideias para processos internos. No Laboratório Búrigo, onde os Grupos de Inovação e Melhoria (GIM) funcionam há oito anos e produziram inovações em todas as áreas, inclusive no atendimento aos clientes.

“Tínhamos ocorrências de hematomas nos locais do corpo onde se coleta sangue em alguns clientes. Diante desse problema, uma equipe pesquisou e teve a ideia de fazer a aplicação do gelinho. Uma solução simples, barata e de muito resultado nas unidades”, conta a líder da Gestão para a Excelência da empresa, Gisele Martinello Gaspodini.

A história do GIM do Laboratório Búrigo destaca ainda projetos como o sistema de captação de água dos aparelhos de ar condicionado para uso de limpeza e higienização do setor de Parasitologia, o Braço de Estudos (um braço simulado apropriado para a prática de coletas em treinamentos), coletas a váculo e a colher dosadora para garantir a exatidão das quantidades de substratos dados aos pacientes em exames como o de curva glicêmica (para diagnóstico de diabetes) e da intolerância à lactose.

 (Água acumulada do ar condicionado reaproveitada na higienização do setor de Parasitologia)

Valorização de talentos e recompensas aos participantes

O resultado vai além do financeiro ou dos diferenciais de marca gerados pelo trabalho dos grupos colocado em prática. “Os programas estimulam a criatividade, a motivação, melhoram o trabalho em equipe e o principal é poder ser ouvido pela empresa, é uma forma de ser incluído e reconhecido no nosso papel diário como operação”, frisa o coordenador do GES da Eliane e presidente do Núcleo Catarinense de CCQ.

(Premiação das melhores ideias na Eliane)

Para reforçar o estímulo aos colaboradores para os projetos, as empresas costumam oferecer recompensas. Em conformidade com a metodologia dos Núcleo Catarinense de CCQ, as ações transcorrem durante o ano todo em um sistema de pontuação. As equipes mais bem ranqueadas recebem prêmios como viagens, jantares ou brindes.

“Outra forma de estimulá-los no aspecto de motivação e de raciocínio, nós também oferecemos a um grupo por mês a oportunidade de fazer a reunião mensal fora da empresa, normalmente em um café da região. Um momento agradável, num ambiente diferente, o que os leva a pensar ‘fora da caixa’”, relata a líder da Gestão pela Excelência do Laboratório Búrigo, Gisele Martinello Gaspodini.

Desabrochar de talentos

No voluntariado e na autonomia dada aos grupos para análises e soluções de problemas afloram novas lideranças dentro da empresa, observa Luan. “Geralmente quem participa do nosso GES ou de outros grupos de melhorias de empresas fica em evidência por trazer boas soluções, faz desenvolver o potencial criativo e de participação das pessoas”, afirma.

“Eles têm visibilidade por fazerem algo diferente e exercita competências como a oratória, por exemplo, ao defender um projeto internamente ou apresentar em algum dos eventos externos que participamos”, completa Gisele.