InternetData CenterAssinante

Comunidades de livre iniciativa fomentam a inovação na região

Grupos se reúnem para promover saberes em áreas ligadas à tecnologia, inovação e startups
Comunidades de livre iniciativa fomentam a inovação na região
Por João Pedro Alves Em 04/07/2019 às 18:45

A consolidação de um ecossistema de inovação envolve a participação ativa da chamada tríplice hélice formada por Estado (instâncias de governo), Academia (universidades, faculdades e centros de estudo) e Empresas. A sinergia das instituições ligadas a esses entes se faz essencial, porém nada acontece se não houver a movimentação das pessoas.

Comunidades de livre iniciativa surgem e ganham força em Criciúma, formando a base sólida para o avanço da inovação na cidade e na região. São grupos de pessoas de áreas ligadas à tecnologia ou das startups que se reúnem para desenvolver conteúdos e crescer em conjunto, conta o consultor na área de Inovação, Timóteo Farias. “É como igrejas em que essa galera se junta em busca de novas referências e trocas de ideias sobre assuntos relacionados ao seu setor de atuação”, acrescenta.

Uma das comunidades mais antigas da cidade é o Criciúma Dev, formada por desenvolvedores de softwares em 2016. A “brincadeira” começou com cinco amigos na mesa de um bar, pouco tempo depois deu luz ao primeiro Meetup (encontro para troca de conhecimento com participação de palestrantes) e em 2019 já chegou ao segundo Criciúma Dev Conference, um megaevento com mais de 400 participantes e oito palestras de empresas gigantes como IBM e Nubank.

“Descobrimos que a região tem muita gente boa trabalhando dentro das empresas ou independente, só que cada um vivia o seu mundo e não interagia. A comunidade fez essas pessoas terem vontade de aparecer para trocar experiências. Nessas conversas surgem os novos insights. Ninguém copia de ninguém. Todos unem o que sabem com o que viu de outros para criar sua jornada”, relata um dos fundadores do Criciúma Dev, o desenvolvedor de sistemas Luiz Estácio.

A comunidade possui 1070 pessoas na página do Facebook, 1400 inscritos na newsletter e 272 membros ativos no canal slack, uma espécie de grupo fechado que está sempre com conversas ativas.

Hello women: por mais mulheres na área da tecnologia

Da inspiração no Criciúma Dev somada ao propósito de incentivar a maior participação feminina em eventos nas áreas de tecnologia, inovação e empreendedorismo nasceu a Hello Women. A comunidade começou com eventos pequenos e voltou fortalecida esse ano após a organização de um meetup. “O mercado e os eventos na área da tecnologia ainda são muito predominados pelos homens. Nossa intenção é atrair cada vez mais meninas, mostrando casos de mulheres que estão em várias áreas e conseguiram alcançar os seus objetivos”, afirma uma das fundadoras, Bruna Nazário.

Conhecimento compartilhado e legado

O incentivo das empresas de diversas maneiras, da cessão de parte do tempo dos colaboradores interessado para dedicação à organização dos eventos e até patrocínio às ações, estão entre os principais propulsores das comunidades, observa o fundador da startup Labtrack, Jhony Alceu Pereira. A empresa de educação para tecnologia e inovação forma professores e facilitadores, direta e indiretamente contribuindo para o desenvolvimento das comunidades.

“As empresas da nossa região estão cada vez mais entendendo que o conhecimento compartilhado em comunidades fortalece o conjunto todo, em detrimento da cultura do ‘segredo industrial’. E mais do que isso, os colaboradores querem fazer o seu legado difundindo o que sabem”, frisa Jhony.

Startup Weekend, o catalisador das comunidades

Considerado o maior evento voltado às startups do mundo, o Startup Weekend já foi promovido em mais de 100 países ao redor do mundo levando a metodologia criada pela aceleradora americana Techstars em parceria com a Google for Startups. Em Criciúma o evento possui uma comunidade atuando na organização, todos voluntários. Hoje o grupo trabalha com o foco na quarta edição.

No evento, profissionais das áreas de negócios, desenvolvimento de softwares e design têm a oportunidade de transformar ideias inovadoras em uma empresa numa jornada de um fim de semana. A edição de 2016 foi o grande gatilho para germinar iniciativas livres, como o Criciúma Dev, Criciúma OPS (grupo oficial de usuários dos serviços da Amazon), Rumo (designers), Hello Women e Bate-papo Startup e um estímulo para ações de universidades, empresas e do poder público.

“Cada região cresce ao seu ritmo e acredito que estejamos avançando em um ritmo muito bom. Além das três edições de Startup Weekend, tivemos um Startup Weekend Indústria somente com soluções voltadas a esse segmento com a participação de 90 pessoas. É um indicativo de que há um interesse e que a cena está se fortalecendo”, comenta o consultor Timóteo Farias, membro da organização do Startup Weekend Indústria.