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Trabalhadores ceramistas realizam assembleia para discutir greve

Assembleias acontecerão nesta quarta-feira, dia 17, em Criciúma e Cocal do Sul
Trabalhadores ceramistas realizam assembleia para discutir greve
Foto: Divulgação/Arquivo
Por Rafaela Custódio Em 16/02/2021 às 12:35

Os trabalhadores ceramistas realizarão assembleias nesta quarta-feira, dia 17, para tratar o futuro da categoria. Os encontros acontecerão em Cocal do Sul e Criciúma e os profissionais irão debater a deflagração de uma greve no Sul catarinense. 

“O trabalhador está consciente. Todos sabem constatar que nunca os patrões foram tão injustos com seus empregados. Não há outra alternativa a não ser a greve. As empresas estão querendo retirar direitos e tornar os trabalhadores mais miseráveis e a categoria não está aceitando”, afirmou o presidente do Sindicato, Itaci de Sá, em entrevista ao Portal Engeplus

Ainda segundo o presidente do Sindicato, a fase das empresas é a melhor possível. “Nunca houve um período tão bom. Os últimos sete meses tem sido bom para os empresários”, observou. Os trabalhadores querem a renovação da atual convenção coletiva com aumento real de 3%. “Os patrões querem congelar o piso salarial de R$ 1,8 mil, estabelecer para novos contratados que não sejam da linha de produção mínimo estadual como piso R$ 1,4 mil, reduzir o adicional noturno de 30% para 20%, as horas extras dos feriados e domingos de 100% para 50% e o abono de férias dos sócios de R$ 1,2 mil estender para todos os trabalhadores, mas com valor de R$ 600, informou o sindicato. 

“Vamos debater esta situação com a categoria e definir que rumos devemos dar à campanha salarial, inclusive com greve, em cinco assembleias nesta quarta-feira”, relatou o presidente. As assembleias acontecerão na sede do Sindicato, no Centro de Criciúma, no bairro São Domingos e em Cocal do Sul, em horários que permitem a participação dos profissionais de todos os turnos de trabalho.

O Sindicato Patronal emitiu um comunicado na manhã desta terça-feira, dia 16, sobre as negociações com o Sindicato dos Trabalhadores. Confira abaixo a nota completa:

Após reuniões iniciadas em dezembro de 2020 com continuidade em janeiro e fevereiro  chegamos a momento de impasse, sem avanços, mesmo tendo o sindicato empresarial apresentado nova proposta mais aderente à convenção coletiva anterior, não ocorrendo  a contrapartida no mesmo rumo pelo lado laboral. Em face do ambiente conturbado que se estabeleceu, para evitar prejuízos desnecessários às nossas relações e para não  prejudicar os trabalhadores pela postergação indefinida da negociação, decidiu o  SINDICERAM buscar a interveniência da autoridade judiciária através do instrumento da  mediação pré-processual do TRT – Tribunal Regional do Trabalho de SC a acontecer nos próximos dias. 

Os principais itens da proposta do SINDICERAM são: 

As empresas propõem o reajuste de 5,45% aos salários de até R$ 3.700,00. E reajuste  escalonado decrescente em que um salário de R$ 5.700,00 terá reajuste mínimo de  5,06%. Salários acima de R$ 5.700,00 serão tratados em livre negociação, empresa e  trabalhador. Reajustes retroativos a 1º de janeiro de 2021. 

Preocupadas com o bem estar de seus trabalhadores decidiram as empresas já aplicar  na folha de pagamentos a ser recebida dia 5/março os reajustes acima citados, incluindo  os valores retroativos ao mês de janeiro. 

Estamos propondo manter inalterado o Piso da Categoria, principalmente para proteger  a competitividade das empresas menores em que o trabalho manual é mais intensivo.  Porém é importante ressaltar que aqueles que hoje ganham o piso de R$ 1.817,00  também terão o reajuste de 5,45%. O piso salarial dos ceramistas é o mais alto de todas  as convenções coletivas de SC. 

O Abono de Férias é o principal entrave nas negociações, pelo fato de ser  discriminatório ao ser pago pelas empresas apenas aos empregados filiados ao sindicato  laboral. As empresas se propõem a manter este abono repartindo o valor que hoje  gastam nesta conta entre todos os seus empregados. 

Hoje as principais companhias da região, que abrangem mais de 75% dos empregados  da categoria, adotam práticas de gestão corporativa com preceitos de conformidade  legal e ética exigidos pelos seus investidores. Práticas do passado em que donos de  empresas assumiram para si determinados riscos não são mais admitidos ou autorizados  aos gestores profissionais. A participação de uma autoridade judiciária e legítima nesta  decisão trará segurança a todos, às empresas e ao sindicato laboral. 

Propomos manter o pagamento dos adicionais de Horas Extras e de Horas Noturnas da  mesma forma como é feito atualmente, sem prejuízo a ninguém. Apenas propomos que para os novos contratados sejam adotados os percentuais previstos na CLT – Consolidação das Leis do Trabalho. E ninguém será despedido por causa disto. Em  primeiro lugar porque as empresas não querem perder seus empregados experientes e  treinados. E, em segundo plano, porque os custos de despedida são tão altos sendo  antieconômico provocar rotatividade. 

Jornadas de Trabalho: além das modalidades de turnos já consagradas na  região, pretende-se obter a autorização, para as empresas que o quiserem, para uma  jornada especial de 12x36. Esta jornada vem sendo amplamente adotada em muitos  estabelecimentos industriais no Brasil e no mundo. Um de seus atrativos é permitir que  o trabalhador tenha folga no final de semana completo a cada quinze dias. Permitir esta  jornada significa favorecer o contato dos nossos empregados com seus familiares. 

Ganho Real: as negociações no Brasil hoje não têm contemplado ganho real. No nosso  caso, mais de 70% dos empregados das cerâmicas já participam de programas de  participação em resultados das empresas, além de serem contemplados com a  existência de benefícios diversos praticados a critério de cada uma das empresas: planos  de saúde e odontológico, vales alimentação, etc. Estes sim são ganhos reais  expressivos e sustentáveis. 

É lamentável que muitas destas informações venham sendo distorcidas, acrescentadas  de inverdades, através de panfletos, vídeos e áudios em aplicativos de mensagens  eletrônicas e em reuniões informais em portas de fábricas. 

Reiteramos que vivemos em um ambiente de grande incerteza e instabilidade. Temos  esperança no sucesso das vacinações que se iniciam. Mas tememos a continuidade do  elevado número de contaminados e de óbitos, sobrepondo-se ao já elevado índice  nacional de desemprego, grande déficit público e desvalorização do Real. Também  acentua este ambiente incerto a demora e a falta de rumos claros das tão esperadas  reformas estruturantes, como a tributária e a administrativa. Por isso temos avançado  com cautela e moderação na negociação da Convenção Coletiva do Trabalho de 2021, e  pedimos o mesmo comportamento a todos envolvidos neste processo.

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