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Rio Maina: com 60 mil moradores, distrito traz história, economia e um comércio forte

Portal Engeplus conversou com moradores e visitou a localidade
Rio Maina: com 60 mil moradores, distrito traz história, economia e um comércio forte
Foto: Rafaela Custódio/Portal Engeplus
Por Rafaela Custódio Em 09/08/2021 às 11:07

A cidade de Criciúma possui mais de 215 mil habitantes, sendo que cerca de 60 mil moram no distrito do Rio Maina. Com uma identificação forte com a história da comunidade, moradores ajudam na economia, no desenvolvimento e contam sobre as demandas e futuro da localidade. O Portal Engeplus iniciou neste ano uma série de reportagens contando a história dos bairros da Capital do Carvão. 

Com mais de 130 anos de história, a localidade virou distrito em 1959 e já tentou virar município, porém sem sucesso até hoje. "Morei no Rio Maina por 50 anos. Tenho uma ligação e história muito forte com a localidade. Toda a minha família é do distrito e tenho orgulho de ter lutado por tantas conquistas para o bairro como a quadra de esportes e uma agência bancária, por exemplo. Quando era jovem, lutei para que o Rio Maina se tornasse uma cidade, porém perdemos a votação e foi a minha maior decepção com a localidade", conta o empresário Nilson Olivo


Foto: empresário Nilson Olivo

E o nome Rio Maina, como surgiu?

No início de sua história, o Rio Maina pertencia a colônia de Nova Veneza, segundo Olivo. Porém, com a chegada das estradas e com o passar do tempo, a localidade se tornou pertencente a Criciúma. 

Olivo ainda ressalta que quando as famílias Colombo e Macarini, por exemplo, pescavam no rio, caíam farelos de polenta e os italianos falavam  o dialeto “rio que la manha” e, por isso, o nome da comunidade Rio Maina. "Esta é uma das versões sobre o nome do distrito", enfatiza. 

Comércio 

Com uma economia forte e apoiada pela comunidade, um dos primeiros comércios do distrito foi a agropecuária Santa Inês, localizada na Avenida dos Imigrantes. O proprietário é Modesto Bonfante, nascido e criado no Rio Maina. Ele tem orgulho da história da localidade e, principalmente, por ter visto a comunidade crescer dia após dia. 


Foto: comerciante Modesto Bonfante

"Tenho 81 anos e todo esse tempo passei aqui no Rio Maina. Fui mineiro e depois que me aposentei, montei o comércio. Cresci aqui e constituí minha família também no distrito", afirma. "Quando o primeiro trem passou, eu me lembro. Vi a estrada de ferro ser construída e, hoje, vejo tudo asfalto e tudo muito desenvolvido, passa um filme na cabeça", acrescenta. 

A agropecuária de Modesto foi um dos primeiros comércios do distrito. Com quase 45 anos de história, ele sempre ajudou a comunidade com seu trabalho. "Comecei a trabalhar na mina com 13 anos e me aposentei aos 33. Logo depois, abri a agropecuária e também ajudava os moradores com meu conhecimento na área. Sempre estudei muito os animais e isso também fez com que eu pudesse ajudar os agricultores quando os bichos ficavam doentes", afirma. 

"Conheci o Rio Maina quando os trabalhadores puxavam carvão com carro de boi. Hoje, vejo tudo desenvolvido. Me sinto feliz em fazer parte da comunidade e ter ajudado a construir essa história". 
Modesto Bonfante, morador do Rio Maina
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Pontos positivos 

Uma das atrações do Rio Maina é o Parque dos Imigrantes, que foi inaugurado em janeiro de 2019. O espaço conta com mais de 60 mil metros quadrados, uma pista de caminhada, ciclovia, quadra poliesportiva, cancha de bocha, labirinto verde, palco e uma tafona, que é um equipamento tradicional onde é fabricada a farinha de milho. 


Foto: Parque dos Imigrantes

O nome do parque é uma homenagem aos imigrantes que colonizaram Criciúma, as etnias italiana, alemã, espanhola, portuguesa, árabe, negra e polonesa. A tafona remete aos italianos. O espaço é para que famílias possam voltar às suas origens e fazer a sua própria farinha de mandioca.

"O parque trouxe uma beleza e despoluição do carvão ao distrito. Aquilo tudo era lixo e pirita e a obra, com certeza, trouxe mais qualidade de vida aos moradores", analisa Olivo. 

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Se o lazer trouxe mais qualidade de vida, a saúde também é prioridade na localidade. A Secretaria de Saúde deve entregar à população no dia 6 de janeiro a nova Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A obra está situada na antiga Policlínica do Rio Maina, que já possuía 891 metros quadrados de área total e teve uma ampliação de 262 metros quadrados. 

Esta é a segunda unidade deste porte em Criciúma, que proporciona atendimento 24 horas, com especialidades à população. O investimento é de mais de R$ 2 milhões. A unidade localizada na rua Santos Uggioni também contará com médicos, enfermeiros e técnicos capacitados para um serviço mais humanizado, rapidez nos casos de urgência e emergência, salas de raio-x digital, eletrocardiograma e laboratórios de exames.


Foto: construção da UPA

99 anos de muita tradição 

A Escola Padre Miguel Giacca, localizada no Rio Maina, completou em junho de 2021, 99 anos de muita educação, história e tradição. 

A escola foi criada após as famílias colonizadoras sentirem a necessidade de dar aos seus filhos educação escolar, o que aconteceu em 29 de junho de 1922 com a vinda da professora Custódia Cardoso de Oliveira, que em sua própria casa, alfabetizava e ensinava a língua portuguesa aos filhos dos imigrantes italianos. 

Com a descoberta do carvão, a comunidade cresceu e a escola hoje atende aproximadamente 1.200 alunos nos turnos matutino, vespertino e noturno. 

Futebol 

Na década de 1960, as companhias mineradoras mantinham seus próprios times de futebol, em que os jogadores-mineiros atuavam. Neste contexto, a Companhia Carbonífera Metropolitana elevou o Metropol à categoria de time profissional, em 1959, se estendendo até 1969. Em dez anos, foram cinco títulos catarinenses e 466 partidas em sua fase profissional, de 1960 a 1969. Ao todo, foram 265 vitórias, 113 empates e 88 derrotas.


Foto: conquistas do Metropol 

Desativado o futebol profissional no fim dos anos 60, o Metropol ressurgiu em algumas ocasiões no amadorismo. "A cidade tinha quatro clubes e com rivalidade. Comerciário, Operário, Próspera e o Metropol aqui do Rio Maina", lembra Olivo. Atualmente, o clube não disputa campeonatos profissionais.  


Foto: Metropol dos anos 60
 
E a população? 

Evelyn dos Santos, de 30 anos, conta que é natural de Lages, porém está morando no distrito do Rio Maina. Ela elogia a localidade e fala sobre a população. "Moro aqui há quase um ano e encontrei um povo muito acolhedor, que ajuda e trata o próximo muito bem. Sou completamente feliz morando aqui", relata. 

Ela atua como vendedora e relata que a única dificuldade que percebe é a falta de mais creches na localidade. "Tenho dois filhos, de 4 e 6 anos. Os dois ficam meio período na escola, porém ando 20 minutos de bicicleta da minha casa até a instituição de ensino e sinto falta de mais oportunidades em creches", comenta. 

O problema relatado por Evelyn também é notado por Ketolyn Fratoni, de 21 anos. "Faz um ano que moro no distrito. Sempre morei em bairros próximos, como Floresta e Boa Vista. Percebo a falta de creches, pois são mais de 60 mil moradores, então acredito que precisamos de mais unidades escolares", completa. 

Ketolyn trabalha como operadora de caixa em um posto de combustível e relata sobre o trânsito na localidade. "O tráfego de veículo é intenso todos os dias. Há muitos acidentes, principalmente na Avenida dos Imigrantes. Acredito que é necessário pensar em melhorar a via ou achar alguma alternativa para esse fluxo de automóveis", observa. 

José Plácido Filho é proprietário das lojas Distreet Stores e Dyppé Fashion, ambas localizadas no distrito do Rio Maina. Ele também destaca um dos problemas do trânsito intenso. "O comércio perdeu muitos clientes, pois os motoristas tentam fugir do fluxo da Avenida dos Imigrantes e acabam deixando de comprar, por exemplo", analisa. "Nós temos que realizar algumas melhorias, sim, aqui na principal via do distrito. É necessário repensar no trânsito", completa. 

Mas o empresário também destaca o lado positivo da comunidade. "Sou morador do Rio Maina e sinto orgulho da nossa comunidade. São pessoas trabalhadoras e que apoiam uns aos outros. São mais de 30 anos com comércio aqui no Rio Maina e sempre fui apoiado pelos moradores", afirma. 

Ele ainda comenta que faz parte de um projeto do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) para contratação de adolescentes para trabalhar em seus comércios. "Contratamos estudantes acima de 16 anos em parceria com o projeto do CIEE. A intenção é devolver à comunidade tudo o que sempre nos ajudaram. Contratamos sempre pessoas que moram no distrito. Muitos estagiários já passaram pelo nosso comércio e isso nos traz muita alegria", finaliza.

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