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Mineiros protestam contra o não pagamento de rescisões e requerem pedido de falência da Cooperminas

Ato aconteceu na tarde desta quarta-feira, dia 24, em frente ao Fórum
Mineiros protestam contra o não pagamento de rescisões e requerem pedido de falência da Cooperminas
Foto: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus
Por Thiago Hockmüller Em 24/02/2021 às 16:15

Um grupo de trabalhadores ligados à Cooperativa de Extração de Carvão Mineral dos Trabalhadores de Criciúma (Cooperminas) realizou um protesto em frente ao Fórum na tarde desta quarta-feira, dia 24. Eles questionam o não pagamento de rescisões de aproximadamente 300 funcionários demitidos em 2017, de forma direta e indireta, questionam a venda de equipamentos e o destino do dinheiro, e também requerem o pedido de falência da empresa.

O ato reuniu cerca de 15 trabalhadores que aproveitaram a situação para discutir os próximos desdobramentos. Dali mesmo eles partiram em direção ao prédio do Ministério Público Federal (MPF), onde correm parte dos processos trabalhistas que também estão no Ministério Público Estadual e no Fórum de Criciúma. 

“Estamos buscando informações do porque não unificar as varas. Se um recebe na 1ª, e os da 2ª, 3ª e 4ª? Queremos o balancete de todo o equipamento, tudo que a Cooperminas tinha, porque venderam, onde usaram o dinheiro e quanto sobrou. Queremos saber até do último real do que foi vendido de cobre, sucatas, maquinários, rejeitos, e o que foi pago com esses valores”, afirma o mecânico de nível 2 (subsolo), Célio Roberto Nicolau, que entrou na Cooperminas em 2007 e também possui dinheiro a receber da cooperativa.

Célio explicou que a empresa passou a ser gerida por uma nova administradora em 2017. Foi então que os funcionários foram demitidos sem pagamento de rescisões. Terrenos e maquinários foram vendidos e um ano depois a empresa saiu de cena e a administração retornou para a cooperativa aumentando os questionamentos dos trabalhadores. 

“Entrou uma nova gestão e acabou com a mina. Vendeu todo o patrimônio, desde maquinários, carvão estocado, moinha, pá-carregadeira, rolo compressor, esteira, MT, que é uma máquina elétrica que junta o carvão e que não é barata. Ela foi tirada do subsolo e a encontramos em outra mina. Começamos a analisar o porquê disso e porque esse dinheiro não é colocado para recebermos nossa saída”, argumenta.

Ficou praticamente um ano tocando a empresa e largou o barco. Com os outros diretores que estiveram na Cooperminas, ela estava andando de arrasto, mas permaneceu de pé. Todos os maquinários estavam ativos, agora como tá, não há como funcionar porque foi vendido praticamente tudo  

Célio Roberto Nicolau, mecânico de subsolo
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Pedido de falência 

Os trabalhadores também pedem que seja decretado o pedido de falência da Cooperminas, que segundo eles possuem uma dívida aproximada de R$ 400 milhões. Neste caso a empresa seria leiloada e passaria a ser gerida por uma nova gestora. Além do mais, o dinheiro da venda poderia ser utilizado para saldar as rescisões trabalhistas. 

“Hoje de indenizações com as rescisões a Cooperminas tem que pagar uns R$ 15 milhões. Nossa meta é colocar a mina para falência, que daí vai gerar um comprador que vai tentar reconstruir de alguma forma. Se alguém se interessar em comprar, é uma forma mais ágil de nós recebermos. Estamos abrindo mão de nossa própria rescisão para dividir com os cooperados e todos saírem com dinheiro no bolso. Abrindo falência, vai para leilão e fica mais ágil”, pondera.

Após o ato em frente ao Fórum e do MPF, os trabalhadores se deslocaram para a avenida Centenário, onde deram sequência ao protesto.