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Junho Violeta destaca a prevenção do Ceratocone, doença causada pelo ato de coçar os olhos

Sociedade Catarinense de Oftalmologia orienta população sobre higiene ocular
Junho Violeta destaca a prevenção do Ceratocone, doença causada pelo ato de coçar os olhos
Foto: Divulgação
Por Redação Engeplus Em 13/06/2021 às 17:31

Pode parecer um ato comum, mas o simples fato de coçar os olhos pode causar uma série de doenças e até mesmo transmitir bactérias e vírus, como a Covid-19. Outra grave consequência desta falta de higiene ocular é o desenvolvimento do Ceratocone, uma doença progressiva que danifica a córnea e não tem cura.  

A prevenção a este problema - que ataca um a cada 2 mil pessoas - é o objetivo da campanha Junho Violeta, criada em 2018 para sensibilizar a população dos riscos de um coçar os olhos. A maior incidência do Ceratocone é entre crianças e adolescentes, com idades entre 13 e 18 anos, mas pode atingir pessoas de todas as idades. Entre os sintomas estão a sensibilidade à luz (fotofobia), irritação nos olhos, ofuscamento, embaçamento e distorções moderadas

"Na maioria dos casos, as pessoas não percebem que possuem a doença, pois ela aparece disfarçadamente, sendo comumente confundida com miopia ou astigmatismo. O sinal mais característico é a perda progressiva da visão, que se torna borrada e distorcida, tanto para longe quanto para perto. Isso leva a aumentar com mais frequência o grau das lentes", comenta o médico Ayrton Ramos, presidente da Sociedade Catarinense de Oftalmologia, apoiadora da campanha Junho Violeta em Santa Catarina. Ele reforça que os filhos de portadores do ceratocone devem ficar mais atentos.

Tratamentos vão de radiação UV-A até transplante de córnea

Em caso de suspeita da doença, o diagnóstico é feito por meio de um exame oftalmológico que faz um estudo topográfico da superfície da córnea. O problema é solucionado, na maioria das vezes, utilizando óculos, lentes de contato ou cirurgia para estabilizar o problema e reduzir a deformidade da córnea. "Mesmo o diagnóstico precoce não impede a evolução da doença, mas é fundamental para que o tratamento tenha eficácia", reforça Ayrton. 

Entre estes tratamentos disponíveis está o cross-linking, pelo qual se expõe a córnea a uma combinação de radiação ultravioleta (UV-A) e vitamina B2, produzindo um aumento nas ligações entre as fibras de colágeno, fortalecendo toda a estrutura da córnea.

Para os pacientes que estão no estágio moderado do ceratocone, o tratamento indicado é o implante cirúrgico de anéis intracorneais ultrafinos, que funcionam como um esqueleto que remodela e diminui a curvatura da córnea. Indicado apenas como último recurso, o transplante de córnea consiste na substituição de toda ou de parte da córnea - segundo estatísticas, apenas 10% dos casos evoluem para a necessidade de um transplante. 

"A emergência sanitária da Covid-19 é um fator a mais para cuidarmos de nossos hábitos de higiene ocular, já que os olhos também são portas de entradas para o vírus. Com isso, também ajudamos a reduzir casos de Ceratocone", comenta o presidente da Sociedade Catarinense de Oftalmologia. Para saber mais sobre outras doenças que afetam a visão e as melhores formas de precaução e diagnóstico, a entidade lançou a cartilha online Saúde dos Olhos, disponível neste link: https://abrir.link/ETWIE