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Granizo de setembro causou danos para cultura do tabaco no Extremo Sul

Mudança de estação coloca agricultores em alerta para possibilidade de novos eventos
Granizo de setembro causou danos para cultura do tabaco no Extremo Sul
Foto: Divulgação/Epagri
Por Thiago Hockmüller Em 23/09/2021 às 12:38

Cerca de 80 produtores do Extremo Sul Catarinense (Amesc) ligados à cultura do tabaco deram entrada no seguro antigranizo. Entre os dias 17 e 21 de setembro, diversas regiões do estado foram atingidas pelo fenômeno que causou prejuízo aos agricultores. Segundo relatório da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), 611 hectares de tabaco foram atingidos no Estado, com perdas entre 20% e 40% nas lavouras.

No Extremo Sul, as cidades de Morro Grande, São João do Sul, Timbé do Sul, Meleiro e Balneário Gaivota tiveram propriedades atingidas. O gerente regional da Epagri, Edson Borba, explica que a fase avançada de desenvolvimento das plantas deixou a produção mais suscetível ao granizo, ao contrário da cultura do maracujá. “Temos a preocupação com maracujá, mas as avaliações é que os danos são passíveis de recuperação, pois está em estágio inicial de desenvolvimento”, explica.

Seguro é a única solução viável

Com a chegada da primavera, influenciada pelo fenômeno La Niña, a previsão é que tempestades com granizo se tornem mais comuns. Para produtores de fumo, arroz e milho a notícia é recebida com preocupação já que não há ferramentas viáveis de proteção das lavouras. 

Borba explica que no caso da fruticultura, os produtores utilizam telas de proteção antigranizo, mas esta ferramenta não é viável para culturas de menor densidade econômica. "É acompanhar as previsões e ter o seguro. Existem algumas culturas, principalmente na parte da fruticultura, que usam uma tela antigranizo. Mas isso é viável para maçã, uva, pêssego, ameixa, todas com maior densidade econômica. Para o fumo, arroz e milho é inviável esse tipo de investimento. O que tem disponível são os seguros”, justifica. 

No Extremo Sul, lavouras de milho também foram atingidas pelo granizo, em menor proporção. É o mesmo caso do maracujá, que em Balneário Gaivota houve danos em folhas nos estágios iniciais. Ainda conforme a Epagri, somados Balneário Gaivota e São João do Sul, cerca de  35 casas no meio rural foram danificadas.

Mais problemas pelo Estado     

Conforme levantamento da Epagri, também houve danos nas culturas agrícolas das regiões do Oeste, Meio Oeste e Alto Vale do Rio Itajaí. O gerente estadual de extensão da Epagri, Darlan Rodrigo Marchesi, afirma que no contexto estadual os eventos não causaram forte impacto na agricultura. “Mas os agricultores que tiveram seus cultivos atingidos sofreram perdas significativas”, lamenta. 

A recomendação agora é que os produtores rurais que tiveram prejuízos procurem os escritórios da Epagri em seus municípios para conhecer as medidas a serem adotadas. A cultura do trigo teve perdas próximas a 20% em 400 hectares. No caso do milho, 63 hectares sofreram com o granizo, registrando prejuízos próximos a 15%. Na fruticultura, foram 49 hectares de pêssego, ameixa e nectarina, com perdas que chegam a 85% nos pomares afetados. A erva-mate sofreu perdas de 20% em 200 hectares. No caso das pastagens, 500 hectares sofreram com o evento meteorológico.

Confira o resumo por região

Meio-oeste

De acordo com o gerente regional da Epagri em Videira, Jonatan Galio, Lebon Régis, no Meio-oeste do Estado, registrou danos em 10 hectares de alho e 12 de cebola, com perdas de 10% e 5%, respectivamente, com possibilidade de recuperação. “Já em Fraiburgo, cerca de 49 hectares de pêssego, ameixa e nectarina registram danos severos, chegando a perdas entre 80% e 85% de produtividade”, enumera o gerente. Estes danos foram ocasionados pela derrubada dos frutos e perda da qualidade. A cultura da maçã, que está em fase de floração, não sofreu danos significativos com os episódios recentes de granizo.

Cerca de 300 famílias do meio rural foram atingidas em Timbó Grande, com relatos de danos em residências, galpões, abrigos de cultivo protegido entre outras estruturas. Os cultivos mais afetados foram uva – com desfolha severa em estágio inicial de brotação – e erva-mate, que teve 200 hectares também desfolhados, causando 20% de perdas. Ainda neste município, três estabelecimentos de morango foram afetados e 500 hectares de pastagens de inverno danificadas com desfolha moderada a severa.

Oeste

“Na região Oeste, Coronel Freitas foi o município mais atingido pelo granizo, com perdas da ordem de 15% no cultivo de tabaco”, descreve o gerente regional da Epagri em Chapecó, Mário Jovino. “Além disso, cerca de 400 hectares de trigo foram afetados, com perdas de 20%, decorrentes do tombamento de plantas e debulha de grãos. Em Planalto Alegre, também foram registradas perdas próximas a 25% e 15% nos cultivos de tabaco e milho, respectivamente”, completa Jovino.

Alto Vale e Planalto Sul

Na região do Alto Vale do Rio Itajaí, lavouras de fumo foram afetadas nos municípios de Vitor Meireles e Rio do Campo. “Como nestes locais as plantas são mais jovens, os danos foram menores e com maior possibilidade de recuperação”, informa o gerente regional da Epagri em Rio do Sul, José Márcio Lehmann.

Relatos dos agricultores e das lideranças do setor revelam que, na região de Lages, no Planalto Sul, o granizo ocorreu principalmente em áreas urbanas. Os municípios mais atingidos foram Anita Garibaldi, Palmeira, Painel, Capão Alto, Campo Belo do Sul, Lages, Otacílio Costa e Correia Pinto.

Recomendações

“Os agricultores afetados devem procurar orientação técnica nos escritórios da Epagri, para encaminhar os procedimentos e manejos pertinentes", recomenda Darlan. Segundo ele, é necessário verificar a possibilidade de enquadramento no Proagro, nos casos de lavouras financiadas, ou no Seguro Agrícola.

Darlan relata ainda que, para minimizar os danos no tabaco e erva-mate, a orientação é antecipar a colheita quando possível. Na fruticultura, é importante adotar manejo de doenças que possam acometer as plantas feridas pelo granizo. Nas lavouras de milho, a recomendação é acompanhar a densidade de plantas, verificando a necessidade ou não de ressemeadura e, quando possível, antecipar a adubação de cobertura.

Segundo Clóvis Levien Correa, meteorologista da Epagri/Ciram, os episódios de granizo em setembro foram ocasionados pela formação de um Cavado (área alongada de baixa pressão) e pelo Jato Subtropical em alto níveis a atmosfera. “Esta combinação favoreceu a formação de nuvens de desenvolvimento vertical, chamadas de supercélulas, que proporcionam vento forte e granizo, entre outros fenômenos”, destaca Clóvis.

O meteorologista alerta que a primavera é um período propício para ocorrência de granizo, por isso a recomendação é para que os agricultores fiquem ainda mais atentos à previsão do tempo nesta estação do ano.