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Vereador protesta após reguladora do estado recusar transferência de criança com queimadura no olho

Tita Belloli criticou episódio durante a sessão da Câmara nessa terça-feira
Vereador protesta após reguladora do estado recusar transferência de criança com queimadura no olho
Foto: Divulgação
Por Thiago Hockmüller Em 21/10/2020 às 14:31

A Câmara de Vereadores de Criciúma deve solicitar nos próximos dias uma reunião com a Secretaria de Estado da Saúde para cobrar esclarecimentos sobre a recusa de transferência de uma criança para tratamento de uma queimadura no olho. De acordo com o vereador Tita Belloli, o menino deu entrada no Hospital Materno Infantil Santa Catarina (HMISC) que solicitou transferência ao Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, por meio da Central de Regulação Estadual. O pedido foi recusado e a solicitação atendida posteriormente pela Secretaria de Saúde do município.

A criança tem um ano de idade e nessa terça-feira, dia 20, encostou o olho em um cigarro aceso enquanto brincava. A família buscou atendimento no HMISC, todavia, por não atender esta especialidade, a instituição solicitou transferência junto à Central de Regulação do Governo do Estado. 

“A regulação não quis mandar. Isso é um absurdo, não pode acontecer. Essa criança pode ficar cega porque tinha que estar urgente em Florianópolis para resolver este problema. A regulação disse que não, que o problema tinha que ser resolvido no Hospital Santa Catarina. Como o cidadão, que é o regulador do Estado, pode chegar e não atender uma criança de um ano?”, questionou Beloli durante a sessão da Câmara, na noite de ontem.

Em entrevista ao Portal Engeplus, Beloli explicou que a criança foi transferida durante a tarde de ontem, somente após a Secretaria de Saúde do município disponibilizar uma ambulância. 

“O HMISC conseguiu todo o encaminhamento, mas na hora da regulação, disseram que não levariam porque teria que ser feito no Santa Catarina e ser resolvido aqui por Criciúma. Não encaminharam, foi conversado com o Acélio (Casagrande, secretário de Saúde de Criciúma), que pediu pra levar com a ambulância do município, fora da regulação, em virtude da gravidade”, explicou o vereador.

Também ao Portal Engeplus, o secretário lembrou que casos de emergência são resolvidos no município, todavia, quadros de urgência são transferidos para a Capital do estado.

A burocracia emperra serviços. Não temos esse atendimento porque a referência é em Florianópolis. Estou há dois anos pedindo que a referência seja no Hospital Regional de Araranguá. O que não é urgência o município resolveu e está atendendo nas clínica de olhos de Criciúma e outras agências. Nosso papel é promover a saúde e salvar vidas. Se Deus quiser conseguimos salvar a visão desta criança.

Acélio Casagrande, secretário de Saúde de Criciúma
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Central de Regulação

A Central de Regulação é um órgão conduzido pela Secretaria de Estado da Saúde, que executa o planejamento e ações para que os pacientes sejam transferidos. “Quando o paciente chega na unidade, recebe o primeiro atendimento, é detectado se somos referência para o atendimento, quando não somos é colocado na regulação solicitando leito e pedimos a transferência”, explicou o diretor-geral do HMISC, César Augusto de Magalhães.

A reportagem efetuou contato com a Secretaria de Estado da Saúde para identificar o motivo da não autorização de transferência, mas ainda não recebeu resposta. Também buscamos informações sobre o estado de saúde da criança junto ao Hospital Infantil Joana Gusmão, mas não obtivemos êxito.