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Velório do padre Ângelo Galato inicia às 16 horas deste domingo, dia 12

Missa de corpo presente será nesta segunda-feira, dia 13, às 9 horas
Velório do padre Ângelo Galato inicia às 16 horas deste domingo, dia 12
Foto: Divulgação/Diocese de Criciúma
Por Lucas Renan Domingos Em 12/01/2020 às 14:10

A Diocese de Criciúma divulgou na tarde deste domingo, dia 12, os detalhes sobre o velório do padre Ângelo Galato, que morreu na manhã de hoje, vítima de um infarto. O corpo do sacerdote será velado à partir das 16 horas, na igreja matriz Santa Bárbara, no bairro Santa Bárbara. 

A missa de corpo presente está marcada para acontecer nesta segunda-feira, dia 13, às 9 horas, também na mesma igreja. Galato será sepultado logo após a missa, nos jazigos dos padres, no Cemitério Municipal de Criciúma, no bairro São Luiz. 

História

Filho de Estefano Galato e Assumpta De Villa, o pequeno "Angelin", como era chamado por seu pai, nasceu em 8 de novembro e cresceu onde hoje está localizado o bairro Jardim das Palmeiras, próximo à rodovia SC-108, em Cocal do Sul. Quando criança, junto aos cinco irmãos, ia para a escola a pé, que ficava distante 3 km de casa.

Um pouco mais tarde do que a maioria dos padres, Padre Ângelo sentiu despertar em seu coração a vontade de servir a Igreja do Senhor. Até anunciar a decisão para a família, um longo caminho foi percorrido e sua missão era colaborar no sustento dos pais e dos irmãos Helena, Regina (que mais tarde se tornou Irmã Celsa, ao ingressar na Congregação das Irmãs de Santa Catarina Virgem e Mártir), Lourdes, Benedito (que foi ordenado padre salesiano e depois desistiu do ministério) e José Líbero. A família ainda teve Amábile, que faleceu pequenina, com apenas nove dias de vida.

Enquanto o pai podava parreiras para famílias do município, os demais membros da casa se dedicavam ao trabalho na roça, para o próprio consumo, e na venda de suínos e de alguns alimentos. Foi na adolescência, aos 15 anos, que o jovem Ângelo arrumou emprego fora de casa: trabalhava "na estrada", levando água, aquecendo as refeições para os operários e carregando ferramentas.

"A maior profissão, naquele tempo, era ser motorista. Mas eu sempre tive vontade de estudar, de ler, de aprender mais. Meu pai era correspondente de um jornal produzido pelos Paulinos, que se chamava 'A Imprensa'. Era um dos poucos leitores de Cocal do Sul. A Regina já estava no convento. Meu irmão foi depois. Um dia, quando havíamos terminado de rezar o terço, eu disse para meu pai: 'Eu acho que vou para o seminário'. Ele só sentou e me disse: 'E quem paga?' Ficou três dias sem falar comigo. Meu pai era um homem de muita fé, mas o único dinheiro que entrava dentro de casa era o meu salário. A sorte foi que nunca precisamos de médico. E eu insistindo com minha mãe... Queria ir para São Paulo, porque era mais barato. Meu pai foi falar com o Padre João Dominoni, que disse: 'Não! Ele vai para São Ludgero!' Trabalhei dois anos fichado. E sabe que, quando saí de casa, as coisas melhoraram? Meu pai casou duas filhas e arrumou emprego. Na frente de nossa casa, havia uma barreira de areia e a cerâmica precisava. Meu pai tinha 58 anos, na época, e foi um dos dois primeiros operários contratados", recordou Padre Galato em entrevista por ocasião dos seus 50 anos de sacerdócio.

Por conta dos constantes choques térmicos que sofreu ao trabalhar nos fornos da cerâmica, o pai do padre acabou ficando doente. "Ele nunca faltava a uma missa, no domingo. Meu pai sempre rezava pelo 'Angelin'. Mesmo doente, pedia a Deus que lhe desse vida para me ver ordenado padre. Mas ele não conseguiu, morreu três anos antes. Trabalhou quatro na cerâmica e se aposentou. O aposento ajudou a família. Lembro-me que o mandaram para a Santa Casa, em Porto Alegre (RS), e eu estava em Viamão (RS). Padre Dominoni pediu que não contassem para mim, para que eu não ficasse preocupado. Num dia de folga do seminário, fomos visitar os doentes e, não é que encontro meu pai?", contou.

Padre Ângelo Galato foi ordenado em 11 de julho de 1965, por Dom Anselmo Pietrulla, na Catedral Nossa Senhora da Piedade, em Tubarão (SC). Muitos padres foram presentes em sua caminhada vocacional, como o Padre Claudino Biff e João Dominoni. "Padre Claudino me acompanhou com carinho. Padre Dominoni era exigente: fazia com que não faltássemos a uma missa, durante as férias do seminário. Padre Ademar ia comigo, todos os dias, a pé. Depois, compramos bicicletas. Por causa do padre Dominoni, padre Ademar, padre Orlando e eu temos muito em comum em nosso jeito de ser".

Padre Ângelo atuou em paróquias de Laguna, São Paulo (SP), Criciúma e Içara, além do Santuário e do Seminário, em Nova Veneza, e do Seminário de Tubarão. Durante toda a sua trajetória sacerdotal, serviu por mais tempo a Paróquia São José (1990-1993 e 1999-2010) e a Paróquia Santa Bárbara (1971-1986), esta última, na qual voltou a ser vigário, desde 2013. "A Paróquia Santa Bárbara não era o que é hoje. Hoje é uma extensão da cidade. Era um bairro popular, de operários que tinham seu emprego e moradia. Conhecia-se quase todo mundo e a devoção a Santa Bárbara era muito acentuada, porque a maioria era formada por mineiros, por causa do perigo das minas. Isso ficou no meu coração e é uma santa da qual sempre me lembro. Enquanto estive aqui, para auxiliar nas despesas, durante dois anos lecionei Moral e Cívica e História do Brasil nos colégios Joaquim Ramos e Coelho Neto", recordou.

Padre Galato residia na Casa São João Maria Vianney, destinada aos padres idosos e enfermos. "Metade das minhas coisas já estava lá, mesmo quando fui para Caravaggio. Aquela casa é uma bênção para nós. Estou muito bem instalado e cuidado. Fazemos nossas refeições juntos, conversamos e nos fazemos companhia", declarou o presbítero.

"O que marcou a minha vida de padre é a Providência Divina, que sempre me acompanhou. Por isso, a frase que está na lembrança do meu jubileu: 'Eu estarei convosco todos os dias' (Mt 28,20), porque nunca fui abandonado, nem quando estava com problema de saúde ou em crise, com problemas em estar aqui ou ali. Isso digo com sinceridade. E apesar dos momentos difíceis, nunca deixei de rezar. Muito ou pouco, sempre rezava, e o que me salvou foi aquele fio da oração. Nunca pensei em sair, e sim em assumir mais atividades. Nessa hora, a oração me segurou. Se eu cheguei aos 50, pode ser por isso. Que seja uma força para aqueles que tem dificuldade em continuar ou acham difícil. É uma ação de graças, mas também uma motivação para muita gente chegar! Fui protegido, desde o ventre da minha mãe, e hoje estou aqui, feliz da vida", garantiu.

Colaboração: Bibiana Pignatel/Assessoria de Imprensa da Diocese de Criciúma

 

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