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Urussanguense que mora na China conta como está a situação no país em relação ao coronavírus

Lucas Dias Scherer, de 27 anos, mora no país desde julho do ano passado
 Urussanguense que mora na China conta como está a situação no país em relação ao coronavírus
Foto: Divulgação
Por Rafaela Custódio Em 27/01/2020 às 11:37

O mundo está com as atenções voltadas para a China nos últimos dias após a notícia de que 81 pessoas morreram por conta do coronavírus que tem causado doença respiratória. O catarinense Lucas Dias Scherer, de 27 anos, que vive no país conversou com a reportagem do Portal Engeplus e relatou o que está acontecendo. 

Scherer é natural de Urussanga e vive na cidade de Changzhou, na província de Jiangsu, com 3,6 milhões de habitantes, que está a 675 quilômetros de distância de Wuhan, cidade epicentro do coronavírus. O urussanguense mora no país desde julho de 2019. 

“Quando recebi a primeira notícia do coronavírus era um dia de manhã no trabalho e foi de maneira natural, por meio de uma notificação no celular do portal de notícias China Daily. A partir desse dia, outros sites de notícias começaram a divulgar informações e principalmente a comunidade brasileira na China comentando nos grupos de WeChat começaram a falar sobre o assunto de maneira mais frequente”, conta. 

Segundo Scherer, o recado das autoridades foi evoluindo à medida que foram descobrindo mais sobre o vírus e seu grau de periculosidade. “Começou com alertas, evoluiu para recomendações (utilizar máscaras ao sair na rua, lavar sempre as mãos, evitar contato com pessoas que estiveram em Wuhan, evitar sair de casa) e na fase atual medidas de prevenção foram e estão sendo tomadas a cada dia”, explica.  

O urussanguense relata que para Wuhan e cidades próximas, as medidas foram de maior contundência, tais como isolamento de cidades com alto números de casos registrados e shutdown dos transportes públicos (trens, aviões, ônibus e recentemente veículos particulares). “Tais medidas visam limitar o movimento de pessoas e consequentemente proporcionar mais tempo para eles trabalharem no caso para evitar que o vírus se espalhe de maneira mais acentuada, visto que estamos no feriado chinês, período que é considerado a maior imigração de pessoas no planeta. Para cidades mais distantes, que é o meu caso, o alerta é de mesma importância e medidas também foram tomadas e estão aumentando a cada dia, tais como: shutdown de locais turísticos, parques, templos e toda atração que possa formar aglomeração de pessoas, limitação de horários de transportes públicos, diversos restaurantes, bares e baladas estão impossibilitados de abrirem até segunda ordem”, relata. 

“ A China toda está em alerta e o governo está fazendo o que for necessário para conter o avanço do vírus. Por se tratar de um vírus novo e com DNA mutante, a China embarcou em uma corrida científica e estrutural para descobrir e sanar o quanto antes e evitar uma epidemia global”, afirma. 

Scherer garante que pode sair normalmente de casa, porém é recomendado sair o menos possível das residências. “Os avisos são se caso necessite sair, utilizar máscara, evitar contato com pessoas e lavar bem as mãos ao retornar. Entre ontem [domingo] e hoje [segunda-feira] em alguns grupos de WeChat recebi a notícia que na província de Guandong começaram a aplicar multas para pessoas que saírem nas ruas sem máscaras”, pontua. 

Ao ser questionado se está sentindo medo, Scherer relata que não. “Medo não seria a melhor definição ao meu ver. Eu definiria como um clima de incerteza. E a incerteza faz as pessoas se prevenirem de diversas maneiras. Uma delas, é fazendo estoque de comida para evitar ao máximo ter que sair e se expor. Porém a previsão é que as próximas duas semanas sejam as mais críticas, onde todos estarão voltando de suas viagens do feriado, sendo assim a real situação ficará mais clara”, observa. 

“Estou a trabalho e morando na China. Eu nunca tinha presenciado algo parecido e pelo relato dos brasileiros a última vez que teve algo parecido por aqui foi o caso da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), um coronavírus que se originou na China e matou quase 800 pessoas globalmente em 2002 e 2003”. 

Além da China, países como Estados Unidos, Tailândia, Malásia, Singapura, Vietnã, Arábia Saudita, Nepal, Canadá, Japão, França, Coreia do Sul e Austrália também confirmaram casos de coronavírus.