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Turismo e economia apontados como potenciais a serem desenvolvidos em Siderópolis

Dados foram levantados durante encontro do Plano de Desenvolvimento da Amrec
Turismo e economia apontados como potenciais a serem desenvolvidos em Siderópolis
Foto: Milena Nandi
Por Redação Engeplus Em 21/08/2020 às 11:42

Agregar mais valor à produção agrícola, assim como realizar a valorização da cultura e o desenvolvimento do turismo foram alguns das potencialidades de Siderópolis, apontadas durante um encontro virtual nessa quinta-feira, dia 20. A reunião envolveu lideranças políticas e econômicas e comunidade do município para debater os desafios, as potencialidades e os sonhos para o Sul do Estado e para o município. O encontro fez parte da primeira etapa de elaboração do Plano de Desenvolvimento da Amrec, coordenado pela equipe da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) e do Centro Universitário Barriga Verde (Unibave).  

O objetivo do plano estratégico é levantar o que é necessário para que a região e os municípios tenham um desenvolvimento socioeconômico até 2030. Neste momento, que teve início semana passada, 12 municípios poderão colaborar na construção do plano regional. A primeira etapa do plano encerrará nesta sexta-feira, com reuniões com Criciúma e Lauro Müller.

Os interessados em contribuir com o Plano de Desenvolvimento Socioeconômico da Amrec podem o fazer respondendo a Consulta Pública até domingo, dia 23. O questionário online pode ser acessado aqui ou no site da Universidade, logo na página inicial entre os banners que aparecem no topo da página.

Confira o que os participantes da reunião elencaram sobre Siderópolis:

Dificuldades/desafios

Meio ambiente: grande passivo ambiental; área degradada próxima do Centro da cidade a recuperação realizada não teve bom resultado.

Educação: necessidade de formação para os profissionais da educação (professores e gestores); aumentar o Ideb; falta de interesse dos jovens em dar continuidade aos estudos; dificuldade de acesso à internet pelos pais e alunos; ausência de educação técnica para jovens e adultos; pouca oferta de especialistas para auxiliar as crianças com déficit de aprendizagem.

Turismo: preservação histórica – falta de museu para resgatar a cultura italiana e açoriana; na área da cultura, falta um plano de trabalho; preservação do patrimônio arquitetônico e histórico; perda de recurso para realização de eventos náuticos (barragem); explorar o interior onde há belezas naturais; não há informações para orientar os visitantes; necessidade de rota cultural interligando os municípios;

Acesso, transporte e sinalização: longe da BR 101; interligação com os municípios; demarcar divisas de município com uma obra de arte da cultura italiana; transporte público: de outro município para Siderópolis e do município para o interior; plano diretor para estabelecer critérios para a organização do espaço do município; falta de sinalização dentro da cidade e espaços para propaganda e comunicação.

Desenvolvimento da cidade: falta de espaço geográfico para instalar novas empresas e expandir as existentes; há áreas degradadas pela mineração que estão em processo jurídico ou vinculadas à CSN que não podem ser utilizadas; energia é uma das 10 mais caras do Brasil; instalação de uma cooperativa municipal de alimentos; definir vocação; empregabilidade difícil; os residentes precisam trabalhar em outros municípios; desenvolvimento pouco diversificado, ancorado em poucos setores; fomentar a cadeia agropecuária; falta de insumos provenientes da agropecuária do município e políticas públicas para assegurar melhor qualidade de vida para a população que está envelhecendo.  

Potencialidades

Turismo: barragem; gastronomia; turismo rural; turismo natural; eventos e turismo cultural.

Economia: indústrias; mão de obra qualificada; ferrovia; agricultura familiar; avicultura; comércio e agroindústria.

Sonhos para o município

Infraestrutura e parcerias: parque s e corredores naturais; maior integração dos gestores municipais para implementação das ações desse plano; participação da comunidade nas decisões municipais; integração entre os municípios da Amrec (turismo, cultura, agricultura e no agronegócio); investir em saúde; desenvolvimento com mais segurança; mobilidade urbana – transporte público estruturado; gerar energia de forma consciente e limpa; fácil acesso, logística aos serviços e turismo; ter um bom projeto e coordenação para o crescimento;

Turismo e agricultura: resgate histórico e explorar mais a cultura do município; referência e investimento externo em gastronomia, turismo e agricultura; ampliação do segmento turístico; referência nos esportes náuticos; barragem como grande indutor do turismo na cidade; turistas em pequenas propriedades e força regional com os produtos coloniais.

Cultura e qualidade de vida: conscientização do trabalho, agregando valor, educação, respeito e coletividade; ressignificar o valor da cidade; um espaço cultural; museu étnico para crianças e visitantes; eventos culturais na cidade e qualificação em relação ao meio ambiente e em relação à qualidade de vida e ao envelhecimento da população.

Participação de lideranças e comunidade

A pró-reitora de Planejamento e Desenvolvimento Institucional da Unesc, Gisele Coelho Lopes agradeceu pela participação de todos e pela confiança nas equipes da Unesc e do Unibave, instituições comunitárias nascidas na região e para a região. “Gratidão por esse momento tão rico e que nos aproxima. O mundo está nos colocando para colaborar uns com os outros e é isso que estamos fazendo com este projeto grandioso para toda a Amrec. Estamos pensando estrategicamente e discutindo o futuro da região em um momento muito oportuno”.

O prefeito de Siderópolis, Hélio Cesa, afirma ter a convicção de que o debate é imprescindível para planejar uma região mais próspera. “Vivemos um processo dinâmico e um exemplo é a pandemia, que mudou tudo muito rapidamente. Quero agradecer à Unesc e ao Unibave e sobretudo as pessoas que se dispuseram a colocar a paixão que tem por Siderópolis para pensar o município e a região para os próximos anos. Construir uma cidade e uma região forte é um processo possível, mas que exige a participação de todos”.

Além de lideranças, representantes de entidades e pessoas da comunidade também deram suas contribuições. A representante da Academia de Letras e Artes de Siderópolis, Maria Lurdete da Boita Bez Birolo, afirma que pensar a cultura juntamente com a economia, saúde e educação é primordial para o município. “Nos sentimos contemplados nesse trabalho de hoje. Acredito nessa forma de fazer as coisas, de maneira coletiva. Eu me sinto filha de Siderópolis e foi uma honra poder participar desse momento de debate e reflexão”.

Dados para reflexões

Os coordenadores do Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e de Inovação da Unesc, Thiago Fabris e Melissa Watanabe, apresentaram indicadores de desenvolvimento sustentável e de desenvolvimento socioeconômico da Amrec e de Urussanga.

Segundo dados apresentados pelo Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e de Inovação da Unesc, em Urussanga, os componentes do Produto Interno Bruto (PIB) que é de R$ 424.405 milhões são: indústria (45%), serviços (36%), administração pública (15%) e agropecuária (4%).

Em Siderópolis, os setores que mais empregam formalmente são: indústria (1.613); serviços (991); comércio (614); construção civil (64) e agropecuária (4). Outro dado importante apresentado foi sobre o valor adicionado à economia a cada emprego formal gerado. No município, cada emprego formal gerado adiciona um valor de pouco mais de R$ 94 mil à economia, enquanto que na Amrec, a média é de pouco mais de R$ 100 mil. 

Sobre a Amrec, a equipe da Universidade apresentou dados sobre variáveis que impactam o crescimento econômico da região. Cada R$ 1 pago em despesas públicas gera R$ 7,3. Cada US$ 1 em exportação ou importação contribui para o crescimento econômico de R$ 1,16. Cada pessoa que nasce ou vem morar na Amrec, acrescenta R$ 880 ao PIB. Cada emprego gerado, contribui em R$ 4.572 com o PIB e a principal variável que afeta o crescimento econômico é a educação. Em termos de matrícula no Ensino Médio, cada uma que é efetuada, gera R$ 7.156 ao PIB.

Foram apresentadas ainda macrotendências mundiais, como intensificação de demanda por alimentos, expansão de entretenimento e turismo, infraestrutura moderna e competitiva, envelhecimento da população e mudança no padrão da produção, para fomentar a reflexão do que o município pode fazer para se beneficiar delas.

Evento prestigiado

O evento virtual teve a participação de representantes de Siderópolis: prefeito, Hélio Cesa; secretária municipal de Educação, Rosangela Rossa de Souza; secretária de Assistencia Social, Gladys Kestering; do funcionário do Setor Contábil da prefeitura, Moisés De Mattia; das representantes da Academia de Letras e Artes de Siderópolis, Maria Lurdete da Boita Bez Birolo e Sissa Morosso; da nutricionista responsável pela alimentação escolar do município, Márcia Moretti; do funcionário do Setor de Recursos Humanos da prefeitura, Higor da Silva Leandro; do engenheiro agrônomo da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, Ronaldo Remor; da representante da Associação Belunesi, Kelly Dalla Lana; da arquiteta e urbanista Suzana de Souza e do vice coordenador do Movimento Juvenil Orionita, Artur Mendes Vittoria de Souza.

Do Unibave, participaram o pró-reitor de Pós-Graduação Pesquisa e Extensão, Dimas Ailton Rocha; a coordenadora do curso de Agronomia, Janaina Veronezi Alberton; o coordenador do curso de Sistemas de Informação, Nacim Miguel Francisco Junior e os professores Guilherme Doneda e Ana Paula Bazo.

A equipe da Unesc envolvida no evento é formada: pela reitora da Unesc, Luciane Bisognin Ceretta; pela pró-reitora de Planejamento e Desenvolvimento Institucional, Gisele Coelho Lopes; pelos coordenadores do Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico, Thiago Fabris e Melissa Watanabe; pela coordenadora do Setor de Planejamento Institucional, Almerinda Bianca Bez Batti Dias; pelo coordenador da Sala dos Municípios, Dorvanil Vieira; pelos professores da Unesc que atuam como mediadores, Igor Drudi e Camila Bardini e pelos consultores Sebastião Freitas e Roberto M. Spolidoro, além de 11 monitores auxiliando quando o grupo é dividido em pequenos grupos.

Plano de Desenvolvimento da Amrec

A primeira etapa da formulação do plano estratégico contemplará 12 reuniões com lideranças políticas e empresariais dos municípios. O trabalho será dividido nos quatro momentos de: Diagnóstico; Setores-chaves e eixos e objetivos estratégicos; Projetos estratégicos e Modelo de Governança, todos virtuais, com número de encontros e datas pré-definidas. Ao longo dos próximos meses a Universidade trabalhará em debates e pesquisas junto as equipes de todas as prefeituras em um processo que conta com 20 encontros, divididos em sete etapas de trabalho.

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