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Shirley Gazola Cardoso: uma enfermeira que enfrentou o H1N1 e tenta combater o coronavírus

Profissional está trabalhando no Centro de Triagem de Içara há quatro meses
Shirley Gazola Cardoso: uma enfermeira que enfrentou o H1N1 e tenta combater o coronavírus
Foto: Rafaela Custódio / Portal Engeplus
Por Rafaela Custódio Em 17/07/2020 às 09:25

Atuar com a saúde pública sempre foi o desejo de Shirley Gazola Cardoso, de 42 anos. O que ela não sabia é que enfrentaria duas pandemias em 19 anos de carreira como enfermeira. A primeira foi em 2009, quando atuou no H1N1, e a segunda é a do coronavírus. Ambas trabalhando em Içara, cidade em que atua há 15 anos. 

Shirley é natural de Lauro Müller, mora em Criciúma e é casada há 14 anos com Alfredo Gualtieri, que também atua com saúde, trabalhando como técnico em radiologia na cidade de Criciúma. Ela, que tem um filho de 6 anos, é formada em enfermagem pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul). 

Como começou o amor pela saúde pública? 

Shirley cursou engenharia química durante um período, mas como morava com meninas que cursavam enfermagem, começou a prestar atenção nos estudos delas e se apaixonou pela área. “Entrei na enfermagem pela paixão, pela biologia, pelo cuidado, por ajudar as pessoas. Sempre tive essa vontade e estou realizando há 19 anos. Nunca pensei em ser médica, sempre busquei estar mais próximos dos pacientes”, descreve. 

A enfermeira considera a profissão difícil e entende que é preciso lidar com diversos problemas. “É uma área muito cobrada, mas a questão social muita gente não entende. Nos enxergam, muitas vezes, como secretária de um médico. Mas eu amo demais a profissão e não me imagino fazendo outra coisa”, garante. “São 19 anos trabalhando com saúde pública. Amo trabalhar com a comunidade, com proteção de saúde”, completa. 

Duas pandemias no currículo 

Em 2009, Shirley atuou durante a pandemia do H1N1 e agora está trabalhando durante quatro meses no Centro de Triagem de Içara. “Estava trabalhando na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Liri e deixei o local em janeiro para trabalhar com as Práticas Integrativas e Complementares (PICs) também na Capital do Mel. A ideia surgiu do prefeito Murialdo Canto Gastaldon. Criamos um projeto para montar um local específico para o trabalho, porém, com a chegada da pandemia, acabou sendo adiada. Como tinha saído da UBS, vim trabalhar no Centro de Triagem e aqui atuo de segunda a sexta-feira durante seis horas por dia”, conta. 

A enfermeira explica que está gostando muito da experiência que está vivendo há quatro meses no Centro de Triagem. “Vim feliz por poder estar contribuindo neste momento difícil. Não me arrependo e está sendo gratificante. É um medo diário. São muitos contatos, vários positivos, muitos exames, contato direto com pacientes com coronavírus”, relata. “Estou tomando todos os cuidados necessários aqui no Centro de Triagem e também na minha casa, até porque meu marido também atua com saúde e temos um filhos de seis anos. Nossos pais estão no grupo de risco. Precisamos de cuidados”, completa. 

“Chegamos no pico. Não sabemos até quando esse pico vai se manter elevado e depois terá essa queda gradual, mas analiso que até o final de setembro estaremos vivendo com o coronavírus”, projeta. 

Pós pandemia 

A profissional analisa que o pós-pandemia será complicado em relação à saúde pública. “As pessoas estarão mais necessitadas de atenção, preocupadas com o futuro. Estão adoecendo de outras causas que não são a Covid-19. Essas enxurradas de problemas estarão nas UBSs. Tenho que estar pronta para as Práticas Integrativas e Complementares que poderão ajudar muito. Cuidar não é só do físico, e sim, do emocional também”, frisa. 

Antes da pandemia, Içara ofertava a auriculoterapia, shantala, terapia floral, fitoterapia e reiki, aromaterapia e fitoterapia. As PICs promovem uma nova cultura de cuidados e não concorrem ou substituem tratamentos convencionais, apenas complementam e possibilitam um olhar integrativo na saúde.  “Essa política de atendimento já existe há aproximadamente 20 anos no Sistema Único de Saúde, mas há pouco tempo vem se trabalhando isso nas unidades de forma mais intensificada”, finaliza. 

A reportagem do Portal Engeplus iniciou em abril uma série de reportagens contando a história de trabalhadores que estão na linha de frente do novo vírus. Confira abaixo as matérias:

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