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Persistência e dedicação: o trabalho de Cristiane Santos da Rosa na Vigilância Epidemiológica

Ela atua na Prefeitura de Criciúma há 14 anos
Persistência e dedicação: o trabalho de Cristiane Santos da Rosa na Vigilância Epidemiológica
Foto: Rafaela Custódio / Portal Engeplus
Por Rafaela Custódio Em 26/08/2020 às 11:01

Para muitas pessoas, ouvir ou falar sobre Covid-19 está chato e repetitivo. Mas já parou para pensar que existem profissionais que estão combatendo a doença intensamente desde março? Se para você ouvir ou falar está cansativo, imagina para quem está atuando? Entre esses profissionais está Cristiane Santos da Rosa, de 40 anos, que atua na Vigilância Epidemiológica de Criciúma. 

Ela é nutricionista, formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atualmente, faz mestrado em Saúde Coletiva na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). Natural de Santa Rosa do Sul, ela mora em Criciúma desde 2009. Concursada pela Prefeitura de Criciúma há 14 anos, ela ainda passou nos concursos da Polícia Militar (PM) e Prefeitura de São João do Sul. 

Cristiane é casada há 11 anos e possui dois filhos: uma menina de 7 anos e um menino de 3. Com a chegada da pandemia do novo coronavírus, ela chegou a trabalhar 15 horas diárias. Atualmente, reduziu a carga horária, trabalha em média 10 horas. Com tanto trabalho e dedicação pela Vigilância Epidemiológica, a família e os filhos precisaram se readaptar. “Fiquei 25 dias sem ver meus filhos, sem tocá-los. Por diversos dias, saí de casa e meus filhos estavam dormindo e quando cheguei eles já estavam dormindo também. Estou atuando na pandemia desde fevereiro. Meu marido assumiu toda a responsabilidade e está me ajudando muito em relação a nossa família, pois estou me dedicando muito ao meu trabalho”, conta.

“Esses dias, minha filha de apenas 7 anos me olhou e disse ‘estou rezando por um milagre para que o coronavírus acabe’. Trabalho de segunda a segunda, mas nas últimas semanas conseguimos nos reorganizar entre os profissionais e conseguimos até pegar folga em alguns dias”, descreve.

A nutricionista iniciou na Vigilância Epidemiológica de Criciúma em 2011. Antes, ela trabalhou na Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc), no Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Caps), na Secretaria de Saúde na área técnica de nutrição. “Entrei na Vigilância para atuar no setor alimentar e nutricional. Porém comecei a estudar e a conhecer outros setores como indicadores de saúde e fui buscando mais conhecimento. Em novembro de 2019, fui convidada para assumir a gerência da Vigilância no setor de análise de informação. Atualmente, aqui atuamos em quatro setores que são agravos, vigilância alimentar e nutricional, imunização e mortalidade”, explica. 

Quando aceitou o convite, Cristiane não imaginou que enfrentaria uma pandemia, mas está dedicada ao trabalho e ajudar a Prefeitura de Criciúma. “A Vigilância Epidemiológica deve ser invisível. O trabalho da Vigilância é analisar os dados e identificar a situação de risco antes que vire um problema. A Covid-19 é algo novo, sem uma solução ainda. É um vírus que ninguém conhecia e ainda estão estudando. Só aparecemos quando uma doença toma uma proporção muito grande, como no coronavírus. Ao contrário, fizemos um trabalho minucioso de buscar os pacientes com outras doenças, como a meningite, por exemplo, para que a doença não se espalhe”, cita. “Temos contato muito próximo com as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), hospitais, clínicas, laboratórios e unimos as redes. Estamos tentando amenizar, pois controlar vai ser difícil”, acrescenta. 

Futuro 

Cristiane comenta que não quer generalizar a população, mas acredita que algumas pessoas saíram melhor da pandemia, sim. “Nem todo mundo vai sair melhor ou pior. Algumas pessoas vão sair melhor, mas não consigo generalizar. A ideia do isolamento não é para se proteger enquanto indivíduo, e sim, proteger os vulneráveis, e por isso falamos tanto de empatia”, comenta. 

“Vamos continuar trabalhando e buscando amenizar a situação em relação ao coronavírus. É difícil? Óbvio. Estamos trabalhando desde fevereiro e vamos continuar atuando muito. Se cada um fazer sua parte conseguiremos vencer a pandemia do coronavírus”, finaliza.

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