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Mulher alega que equipe médica do Hmisc esqueceu gazes dentro de seu corpo; hospital nega

Josemar Laner, de 33 anos, é moradora de Cocal do Sul
Mulher alega que equipe médica do Hmisc esqueceu gazes dentro de seu corpo; hospital nega
Foto: Thiago Hockmüller/Arquivo Portal Engeplus
Por Rafaela Custódio Em 24/09/2020 às 09:35

Uma mulher de 33 anos está acusando a equipe médica do Hospital Materno Infantil Santa Catarina (Hmisc), de Criciúma, de ter esquecido gazes, geralmente utilizadas para fazer limpeza de curativos, dentro do corpo dela após o parto cesariano de seu terceiro filho, que aconteceu há cinco meses. 

“Há cinco meses, ganhei meu terceiro filho e, desde então, minha barriga está inchada. Estou tomando medicação de forma contínua. Na última sexta-feira, fui ao banheiro e saiu um pedaço de gaze e no sábado saiu um pedaço maior”, detalha Josemar Laner, que é moradora de Cocal do Sul. 

Josemar entrou em contato com o Hmisc e teve uma consulta na unidade hospitalar. “Fizeram um exame de toque e a médica tirou outra gaze com a pinça. Ela disse que era um abscesso, mas eu disse que não era, e ela me levou para fazer outros exames”, comenta. “Desde que tirei em casa [gaze], comecei a sentir dores, senti um desconforto quando ela [médica] puxou”, completa. 

Ela ainda conta que fez um ultrassom particular e está tomando medicação para dores. “Sinto muito cólica e até precisei ir na Unidade de Pronto Atendimento”, relata. “Desde que ganhei o bebê, senti que tinha algo estranho. Não conseguia sentar e ter uma vida normal e nos meus primeiros dois filhos não aconteceu isso”, acrescenta. 

“Com certeza teve um erro médico. Ela tirou gazes e disse que era um abscesso, que não usavam gazes no procedimento médico, mas isso não é verdadeiro”, afirma Josemar. 

A paciente não havia pensado em processar o hospital, mas irá conversar com uma advogada para tratar do assunto. “Com as medicações que estou tomando, não posso mais amamentar e estou esperando a advogada me orientar. Estou sofrendo muito com toda essa situação. Minha vida não é mais a mesma. Conheço meu corpo e já tive dois filhos antes e nunca passei por nada parecido”, declara. 

A direção do hospital, por meio da assessoria de imprensa, negou as informações e emitiu um comunicado. Confira na íntegra

Destacando acima de tudo que é parte do ato médico, referenciado pelo Código de Ética Profissional, agir com máximo zelo em prol da saúde de seu paciente, a direção técnica do Hospital Materno Infantil Santa Catarina (HMISC), a partir da análise do prontuário médico (protegido por sigilo ético-legal), manifesta não ter havido omissão de socorro e/ou atuação profissional com negligência, imperícia ou imprudência durante o atendimento da paciente. 

A direção técnica ressalta que a paciente foi acolhida em todas as ocasiões de procura pelo Hospital Materno-Infantil Santa Catarina, sendo observados os protocolos de atendimento de acordo com os critérios técnicos aplicáveis, incluindo-se a orientação de retorno, caso necessário. 
Com relação à alegação específica de “esquecimento de gazes”, a direção esclarece que este tipo de material sequer é disponibilizado no campo cirúrgico em que é realizada a cesariana, o que evidencia a impossibilidade de esquecimento acidental do material intracavitário. 

Por oportuno, não há como determinar o motivo da dor alegada atualmente, menos ainda de precipitada acusação de erro médico, principalmente se considerada a possibilidade de complicação tardia decorrente da realização de múltiplas cirurgias. 

A direção técnica do Hospital Materno-Infantil Santa Catarina, no compromisso permanente de atendimento com transparência e responsabilidade, reitera que, da mesma forma como a paciente foi acolhida desde novembro de 2019 (ainda no início da gestação e sem a realização do devido pré-natal), nenhuma medida deixou de ser tomada em prol da saúde do binômio mãe-filho em todo o período de atendimento.  

Ainda, reitera-se a necessidade imprescindível de acompanhamento médico da paciente, preferencialmente através da unidade básica de saúde própria, para que seja mantido o critério de assistência e continuidade no atendimento, resguardando-se, em qualquer hipótese, o direito à segunda opinião profissional.

Por fim, a direção técnica do Hospital Materno-Infantil Santa Catarina coloca-se à disposição para todo e qualquer esclarecimento, reafirmando seu compromisso médico de atendimento ético e responsável em prol dos usuários do serviço.

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