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Movimento Lute Como Uma Mãe de Santa Catarina repudia a volta às aulas

O movimento já havia feito uma petição escrita no final do mês de outubro
Movimento Lute Como Uma Mãe de Santa Catarina repudia a volta às aulas
Foto: Divulgação
Por Jessica Rosso Em 23/11/2020 às 18:18

O movimento Lute Como Uma Mãe de Santa Catarina emitiu na tarde desta segunda-feira, dia 23, uma nota de repúdio sobre a volta às aulas presenciais no Estado. 

Para uma das integrantes do movimento, Janaina Pereira, moradora de Criciúma, o momento é de crescimento dos números, com um cenário pior do que no começo da pandemia. "Eu não vou arriscar  meu filho e saber se ele vai ser um caso grave ou não, acho que ninguém quer fazer esse tipo de roleta russa com seus filhos.

A escritora e mãe Carol de Luca, também de Criciúma, disse que já imaginava que o cenário seria esse. "Leitos lotados, Santa Catarina em vermelho no mapa, Criciúma é região grave", comentou. "Não existe garantia de segurança nenhuma que as crianças possam ir para a escola e não se contaminar", disse. Confira a nota na íntegra:

NOTA OFICIAL DE REPÚDIO

O Movimento Lute Como Uma Mãe de Santa Catarina repudia com veemência a volta às aulas presenciais sem vacina, no Estado.  Afinal, quaisquer atividades que promovam aglomeração de pessoas possibilitará o aumento de infectados e de óbitos.
Com o crescente número de casos e mortes em Santa Catarina, é com tristeza e indignação que vemos a autorização, mesmo que opcional, para o retorno das aulas presenciais. Para piorar, esta volta ocorreu de forma irresponsável, permitindo atendimento aos estudantes antes mesmo que os planos de contingência das escolas fossem concluídos. 
Este retorno sem planejamento aumenta o risco aos alunos, professores e demais profissionais, que retornam sem saber exatamente os procedimentos de biossegurança, à uma escola que ainda não está completamente pronta para os receber. Sem contar o aumento da carga de trabalho dos professores, que fazem atendimento presencial e online.
Ao redor do mundo se percebe uma segunda onda de Covid-19. Aqui talvez nem tenhamos saído da primeira. Quem serão os responsáveis se uma criança for infectada ou vier a óbito? Como expor nossos filhos a um vírus letal?
O amor de uma mãe por um filho é o que se tem de mais sagrado e intenso. E temos ao nosso lado a Constituição Federal e o ECA, que garantem a preservação da vida acima de tudo.
Por amor à vida dos nossos filhos, familiares, professores e demais atingidos por esta medida, continuamos na luta pelo direito das aulas online até a vacina. 
#lutando 
Como uma mãe

O movimento já havia feito uma petição escrita no final do mês de outubro para a Secretaria de Educação do Estado, Ministério Público e Conselhos. No documento, contra o retorno do ensino presencial sem que exista imunização, são feitas indagações e apresentados argumentos em relação a segurança das crianças e adolescentes.

Confira o que foi escrito na petição: 

Ao Excelentíssimo Senhor Secretário de Educação do Estado de Santa Catarina, Ao Ministério Público e aos Conselhos de Crianças e Adolescentes 

A pandemia do coronavírus já ceifou mais de 1 milhão de vidas ao redor do mundo. Apesar de atingir em menor número crianças e adolescentes, já se sabe que a Covid-19 deixa sequelas graves e desencadeia síndrome rara na faixa até os 19 anos de idade. Em meio a este contexto, preocupadas com a saúde e vida dos filhos, mães de Criciúma-SC iniciaram o movimento Lute como uma mãe. A mobilização ganhou força e conta atualmente com participantes de diversos estados do país com um objetivo principal: a manutenção do ensino remoto até a chegada da vacina.

Dos direitos fundamentais das crianças e adolescentes os quais se encontram dispostos na Constituição Federal (CF) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o direito à vida e à saúde são os mais importantes, logo, descumpri-los seria uma verdadeira afronta ao princípio da dignidade da pessoa humana. 

O artigo 7º do ECA dispõe que “a criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência”. 

“Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais”, aponta o artigo 5º.

Diante do exposto, constata-se que a garantia do direito à vida é responsabilidade inerente ao poder público. Logo, se houver o retorno às aulas presenciais em 2021, neste cenário pandêmico sem vacina, seria impossível assegurar a saúde de estudantes e de toda a rede de apoio que envolve a abertura das escolas.

 Ainda mais preocupante é o fato de que novas ondas de Covid-19, com recordes diários de casos, estão ocorrendo pelo mundo inteiro, em países onde os números estavam controlados. No Brasil, com cerca de 160 mil mortes e 5,5 milhões de infectados (dados até outubro de 2020), não será diferente. Portanto, com a humanidade imersa em uma das maiores crises sanitárias da história, obrigar os pais a encaminhar seus filhos para aulas presenciais, é como fechar os olhos para uma tragédia anunciada. 

Com base em tudo o que foi relatado acima e nas recomendações do Conselho Nacional de Educação, este documento tem como objetivo requerer à Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina a continuidade das aulas remotas enquanto não houver vacina para a Covid-19.

O movimento Lute como uma mãe, assim como tantos outros existentes no Brasil, é contra o retorno do ensino presencial sem que exista imunização eficaz para a prevenção e erradicação do coronavírus. Famílias e trabalhadores da educação estão na luta pela volta às aulas com segurança para todos.

As famílias precisam de respostas. Os pais serão responsabilizados se não encaminharem os filhos às escolas (públicas e privadas), caso ocorra a volta às aulas presenciais em 2021? Quem responderá pelos contágios e mortes resultantes deste retorno? Haverá a possibilidade de optar por aulas remotas também em 2021, até que se realize a campanha de vacinação? O Lute como uma mãe acredita que o clamor das mães e pais, angustiados com esta incerteza, será atendido com a devida resposta.

Para participar da petição basta acessar o link clicando aqui.