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Médicos manifestam preocupação sobre momento da pandemia no Sul catarinense

Profissionais pedem respeito às medidas sanitárias para evitar colapso do sistema de saúde
Médicos manifestam preocupação sobre momento da pandemia no Sul catarinense
Foto: Rafaela Custódio/Portal Engeplus
Por Lucas Renan Domingos Em 04/12/2020 às 18:46

O Sindicato dos Médicos da Região Sul Catarinense (Simersul), a Regional Médica da Zona Carbonífera e a Associação Catarinense dos Médicos (ACM) Regional Sul emitiram uma nota conjunta na tarde desta sexta-feira, dia 4, sobre o momento da pandemia no Sul catarinense. Os médicos relataram preocupação com a situação de hospitais lotados e as condições extremas de atendimento que os profissionais de saúde estão precisando enfrentar. 

Na nota as entidades afirma que o sistema de saúde está próximo de entrar em colapso, faltando leitos inclusive na rede privada de atendimento. O texto implora ainda para que a população seja colaborativa e mantenha os cuidados de higiene para evitar a proliferação do vírus e que, principlamente, evitem aglomerações. 

"E de nada adianta o distanciamento social e os cuidados dos mais velhos, se quem vai levar a doença para o interior dos seus lares são seus próprios filhos. Teremos todos que fazer sacrifícios neste fim de ano e verão próximo, evitando ao máximo as aglomerações, mesmo entre família e amigos, para que este não seja o último Natal de muitos", diz um trecho da nota. 

O conteúdo é assinado por Licínio Argeu Alcântara, presidente do Simersul, por André De Luca dos Santos, presidente da Regional Médica da Zona Carbonífera e Daniel Meller Dal Toe, vice-presidente distrital Sul da ACM.

Confira a nota completa:

Nota à comunidade - Entidades Médicas de Criciúma e Região

O Sindicato dos Médicos da Região Sul Catarinense (Simersul), a Regional Médica da Zona Carbonífera e a Associação Catarinense dos Médicos (ACM) Regional Sul manifestam grande preocupação com o estado atual do enfrentamento à emergência em saúde causada pelo coronavírus.  

Com isso, reforçam a necessidade de cooperação da população no intuito de não descuidar dos hábitos de higiene, do uso de máscaras faciais e da atenção aos grupos de risco, e especialmente evitar aglomerações desnecessárias, considerando que Criciúma está vivenciando o momento mais crítico com relação à pandemia.  

Estamos presenciando o desrespeito aos decretos e resoluções, onde muitos expõem suas vidas e as de outros em momentos de aglomeração, em ambientes públicos e privados.  

Exigimos que as autoridades busquem ampliar os leitos, adquirir insumos, contratar pessoal, porém é preciso que a fiscalização seja intensificada de forma urgente para o cumprimento das regras por parte dos cidadãos.  

Os hospitais estão lotados e os médicos, assim como os demais profissionais de saúde, estão atendendo em condições extremas. Estamos à beira do colapso da estrutura de saúde. Isto significa que ficaremos sem leitos disponíveis em UTIs, mesmo na rede privada, o que pode levar a mortes desnecessárias de parentes e amigos.  

Suplicamos a todos que se cuidem para que, desta forma, possamos reduzir a contaminação, e o sistema de saúde consiga voltar a suportar a demanda. 

As festas de fim de ano estão chegando. Passaremos por essas festividades com os hospitais ainda lotados, o que significa que poderemos começar 2021 numa situação ainda mais dramática do que foi todo o ano de 2020.  

As estatísticas oficiais são claras: as pessoas na faixa etária de 20 a 45 anos correspondem a grande maioria dos casos de contaminação, mas felizmente, com uma baixíssima taxa de letalidade, o que faz muitos considerarem que a infecção pelo novo coronavírus seja algo banal.  Já a população com idade acima de  50 anos, mesmo com taxas de contaminação bem menores que a população mais jovem, apresenta uma chance muito maior de complicações, com internações prolongadas em enfermarias e UTIs, com uma duração média de 14 dias (nos casos onde tudo ocorre bem), podendo se arrastar por várias semanas e meses, longe de seus familiares, sem contato real e com sequelas que podem ficar para toda a vida. 

E de nada adianta o distanciamento social e os cuidados dos mais velhos, se quem vai levar a doença para o interior dos seus lares são seus próprios filhos. Teremos todos que fazer sacrifícios neste fim de ano e verão próximo, evitando ao máximo as aglomerações, mesmo entre família e amigos, para que este não seja o último Natal de muitos.  

Que autoridades e população cumpram seus deveres e assim possamos vencer essa guerra, que é de todos.  

 

Licínio Argeu Alcântara
Presidente do Simersul

André De Luca dos Santos
Presidente da Regional Médica da Zona Carbonífera

Daniel Meller Dal Toe
Vice-presidente Distrital Sul da ACM