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Janaina Prudêncio de Freitas: a busca pela consciência e empatia no combate ao coronavírus

Enfermeira há 10 anos, ela é responsável pela Vigilância Epidemiológica de Içara
Janaina Prudêncio de Freitas: a busca pela consciência e empatia no combate ao coronavírus
Foto: Rafaela Custódio / Portal Engeplus
Por Rafaela Custódio Em 12/07/2020 às 09:28

O que um profissional da saúde precisa ter para trabalhar no combate ao coronavírus? Exercer sua função? Cuidados? Para a enfermeira responsável responsável pela Vigilância Epidemiológica de Içara, Janaina Prudêncio de Freitas, para atuar durante uma pandemia são indispensáveis a empatia, consciência e apresentar resolutividade. 

Janaina, de 32 anos, atua há 120 dias no combate ao novo coronavírus. Formada em enfermagem há 10 anos pelas Faculdades Esucri, a profissional trabalhava no bairro Boa Vista antes de chegar a sua nova função. Atualmente, além de enfrentar a Covid-19, a enfermeira também lida com a mãe internada há 15 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São José. Ela teve tamponamento cardíaco e insuficiência renal aguda e, por isso, precisou ser internada. 

Janaina e Vigilância Epidemiológica: um acaso do destino 

Janaina trabalha na Vigilância Epidemiológica de Içara desde o dia 13 de março, quando participou da primeira reunião de coronavírus na região carbonífera. Mas tudo foi por acaso. "Fui convidada para trabalhar no Serviço de Atendimento Especializado (SAI), quando fui representar o município em uma reunião sobre Covid-19. Naquele mesmo dia, já recebi uma ligação do Hospital São Donato, de como realizava coletas de coronavírus. Foi tudo muito intenso. No dia 16 de março foi quando realmente começamos a falar do novo vírus no sul catarinense e, desde então, estou envolvida de corpo de alma", descreve. 

A enfermeira representou o município na reunião porque a profissional responsável pela Vigilância Epidemiológica de Içara estava de licença maternidade. "Fui representar os dois setores, mas eu era profissional do Serviço de Atendimento Especializado. Porém, com a pandemia, estou atuando na Vigilância", cita. 

Como é atuar em uma pandemia? 

Ao ser questionada sobre como é atuar em uma pandemia, Janaina é enfática. "Estressante. É uma fadiga mental gigantesca e que poucas pessoas imaginam. Há mais de 100 dias não sei o que é ter um fim de semana. O celular não pára um minuto e estamos aqui pela população para ajudar a todos", declara. "Tudo é muito dinâmico, pois acontece de forma rápida. Hoje temos um cenário, mas amanhã pode ser totalmente diferente", complementa. 

O desejo de Janaina era ser enfermeira da Marinha, mas o projeto foi adiado. "Sempre tive esse desejo, porém é necessário seguir alguns protocolos e fui adiando por diversos momentos e agora ele foi suspenso de vez em virtude da pandemia", lamenta. 

A enfermagem e o desejo de salvar vidas 

Natural de Içara, a profissional de saúde lembra que foi uma amiga que lhe apresentou a enfermagem durante uma conversa. "Minha opção de curso era Odontologia, que também está ligada a saúde pública. Mas uma amiga acabou falando da Enfermagem e de como a profissão poderia salvar vidas e isso me chamou muita atenção e fui buscar mais informações sobre o curso", recorda. "Acabei fazendo o vestibular nas Faculdades Esucri. Quando comecei a cursar, percebi o quanto as matérias combinavam comigo", completa. 

Janaina já atuou em uma clínica na cidade de Balneário Rincão durante quatro anos e recentemente teve passagem pela Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Boa Vista, onde trabalhou por cinco anos. "Nos últimos cinco anos trabalhei nessa unidade e foi muito bom. A população é muito parceira dos profissionais, mas eu queria mudar e, por isso, acabei indo para o Serviço de Atendimento Especializado e depois Vigilância, e não me arrependo", garante. 

Família 

Janaina é a filha mais nova de três irmãos e é a única mulher. Seus pais são divorciados e há 15 dias sua mãe está internada na UTI do Hospital São José, em Criciúma. "Ela teve tamponamento cardíaco e insuficiência renal. Estamos enfrentando dias difíceis. Não consigo atender minha mãe o tempo todo porque estou atuando no combate ao coronavírus. Meus irmãos de 35 e 38 anos estão me apoiando e dando todo o suporte necessário para minha mãe. Como ela está na UTI, não se pode realizar visitas como normalmente em uma unidade hospitalar, mas estamos sempre no Hospital São José", conta. 

A enfermeira relata que foi um impacto bem grande precisar internar sua mãe em uma UTI. "Minha mãe sempre me pediu para que eu tratasse as pessoas bem e da maneira que eu gostaria de ser tratada, e assim tenho feito ou pelo menos tentado. Estamos vivendo um dia por vez e tentando manter a calma para que possamos sair de tudo isso", comenta. 

Profissionais da saúde 

A içarense comenta que os profissionais da saúde não podem trabalhar apenas por amor. "Os trabalhadores da saúde precisam ter empatia, consciência e serem resolutivos. Muita gente leva a enfermagem por amor, mas temos que ter qualidade. A resolução é a chave da saúde pública", avalia. 

Ainda segundo Janaina, a saúde pública terá que passar por reformulação após a pandemia. "Já estamos mudando algumas coisas durante a pandemia do coronavírus, mas precisamos que tudo seja mais tecnológico. Ainda utilizamos muitos papéis, planilhas. Acredito que a área de tecnologia será muito melhor e vamos precisar adequar e melhorar o sistema após tudo isso", projeta. 

Futuro

Janaína tem a esperança de que um tratamento para o coronavírus chegue o mais rápido possível. "Até a chegada de um tratamento, de uma vacina, teremos que nos ajudar. É necessário que cada um faça sua parte. Temos que ter o compromisso e a responsabilidade com o próximo. Se eu não uso máscara, não posso exigir do poder público um leito de UTI depois, por exemplo. É necessário ter empatia e pensar no futuro", afirma.

A enfermeira ainda lamenta as críticas que os profissionais estão recebendo. "As pessoas querem saber os números do coronavírus para poder sair na rua, não se importam com os pacientes. Que seja uma pessoa contaminada, é uma família sofrendo. Isso é grave. Ninguém nos traz um projeto para melhorar, mas as cobranças são diárias e de todos os lados. Estamos há mais de 100 dias atuando no combate ao coronavírus. É pouco? Não, não é", pontua.  "A doença só será grave quando ela tiver nome e sobrenome. O coronavírus só será grave quando faltar leito de UTI para um parente", finaliza.

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