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HRA ainda não foi oficializado como hospital de referência para tratamento de coronavírus no Sul

Desejo inicial do Estado era que unidade atendesse exclusivamente casos de Covid-19
HRA ainda não foi oficializado como hospital de referência para tratamento de coronavírus no Sul
Foto: Divulgação
Por Lucas Renan Domingos Em 13/04/2020 às 16:19

No último dia 30 de março, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, anunciou que o Hospital Regional de Araranguá (HRA) seria referência para os casos de coronavírus no Sul do Estado. A expectativa era de que, dentro do prazo de um mês, a unidade passaria a funcionar com mais 20 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), somados aos dez já existentes. Porém, até esta segunda-feira, dia 13, a proposta ainda não havia sido oficializada.

O impasse está na definição dos atendimentos que serão realizados no hospital. “Ainda estamos aguardando um novo posicionamento do Estado. A ideia inicial apresentada pela Secretaria de Estado da Saúde, conforme o ofício que nos foi encaminhado, era que o hospital atendesse somente casos de coronavírus. Isso não é possível, porque não foi criado nenhum suporte nos demais municípios para cobrir as outras especialidades que temos no Hospital Regional de Araranguá”, explicou Ricardo Ghelere, presidente do Instituto Maria Schmitt (IMAS), que administra o HRA.

Segundo Ghelere, até o momento os respiradores e demais equipamentos que haviam sido prometidos ao hospital també não começaram a chegar. “Os representantes políticos da região ficaram preocupados. Se o hospital atendesse somente pacientes com coronavírus, para onde iria as demais demandas? A maioria das especialidades que temos no hospital não tem em outra cidade da Amesc. Essa situação foi relatada ao Estado que ficou de reavaliar e ainda não nos deu um retorno”, disse. “E o hospital precisa estar preparado para atender pacientes com Covid-19. Hoje a ala que seria montada está pronta só aguardando os equipamentos”, emendou.

Prefeitos reunidos na quarta-feira

Os prefeitos da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc) devem debater o assunto em reunião na próxima quarta-feira. “Vamos fazer um levantamento do que precisa ser feito. Hoje aqueles casos menos graves atendidos no HRA podem ser transferidos para outros hospitais da região. Hoje não temos um ortopedista, por exemplo, aqui no hospital de Balnário Gaivota, de Turvo, de Timbé do Sul. Essa demanda tem que ir para o Hospital Regional de Araranguá. Se ficar somente casos de coronavírus lá, como vamos fazer?”, questionou Ronaldo da Silva, presidente da Amesc e prefeito de Balneário Gaivota.

Atualmente o HRA possui dez leitos de UTI. Oito estão ocupados, dois dos pacientes com quadro confirmado de coronavírus. “Nós aceitamos ser referência, desde que seja montado no mínimo mais 30 leitos de UTI para atender a população. Hoje o hospital já trabalha constantemente com 70% da capacidade de leito de UTI e às vezes os pacientes precisam ser transferidos para outras cidades. Se virar referência agora é chover no molhado, não vai ter como atender essa demanda. É isso que os prefeitos querem deixar claro”, apontou Moacir Rovaris, gerente executivo da Amesc.

O Portal Engeplus entrou em contato com a assessoria da Secretaria de Estado da Saúde para obter uma resposta do Governo de Santa Catarina. Até a publicação desta matéria, a reportagem não obteve retorno.