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Hotéis e pousadas avaliam temporada das baleias francas como positiva

O ano atípico, devido à pandemia do novo coronavírus, trouxe incertezas e mudanças
Hotéis e pousadas avaliam temporada das baleias francas como positiva
Foto: Trilha Ecoturismo
Por Redação Em 21/10/2020 às 16:52

A temporada de observação de baleias francas em 2020 chegou ao fim, com as últimas avistagens registradas na semana passada. Outubro é o último mês da temporada e período em que o trade turístico faz avaliações e inicia o planejamento para o próximo ano.

O ano atípico, devido à pandemia do novo coronavírus, trouxe incertezas e mudanças na projeção feita pelos meios de hospedagens que integram o núcleo da Rota da Baleia Franca. Mais de 20 pousadas e hotéis de Laguna, Imbituba e Garopaba que fazem parte do grupo, implementaram adaptações necessárias ao novo contexto para receber o turista de forma segura.

A temporada das baleias francas que começou em julho, período do auge da pandemia, trouxe alguns imprevistos e demissões para alguns estabelecimentos. “Mantive uma equipe mínima que mesmo assim é grande por conta da estrutura, então tivemos prejuízos. Tive que demitir 14 funcionários”, disse a gerente do Praia Hotel Imbituba, Sônia Rosa.

Mas nos meses de setembro e outubro, período de maior avistagens de baleias francas no litoral sul catarinense, a procura pelos hotéis e pousadas voltaram a crescer. “Nos surpreendemos pela procura, estamos negociando e fazendo várias reservas”, comemorou Sônia do Praia Hotel, após alguns meses de dificuldades.

A procura dos turistas por roteiros na natureza e que proporcionem distanciamento social cresceu pelo contexto da pandemia. Nesse sentido, como destino de ecoturismo a Rota da Baleia Franca se beneficiou.

“Desde o início do projeto Rota da Baleia Franca notamos um leve crescimento no fluxo de turistas em função da observação de baleias francas. Mesmo com a pandemia, tivemos hóspedes a procura de baleias, golfinhos e que valoriza a natureza de nossa cidade”, avaliou a proprietária do Hotel e Restaurante Atlântico Sul de Laguna, Jane Vieira.

A união de vários ecossistemas diferentes próximos à Rota da Baleia Franca, incluindo região de serra, canyons e águas termais, devem atrair cada mais visitantes em busca do turismo de natureza. “Nós acreditamos que cada vez mais o ecoturista vai estar presente em nossa região, pois temos muito a oferecer”, completou Jane.

O ecoturismo nunca foi tão valorizado como nesse período de pandemia. Por isso, mais empresários do trade compartilham da mesma opinião. “A pandemia logicamente atrapalhou um pouco mas ganhamos no ecoturismo que oferecemos aqui na região. Para o próximo ano estamos nos preparando junto ao núcleo da RBF. Com dinamismo, esperamos que a próxima temporada seja ainda melhor”, analisa Nelzi dos Santos Gonçalves, do Flipper Hotel, em Laguna.

Mais turistas de Santa Catarina

Outras mudanças observadas nos últimos meses foi a região de origem dos visitantes que procuraram a Rota da Baleia Franca.

De acordo com Sônia Rosa, gerente do Praia Hotel Imbituba, a procura de catarinenses por hospedagens cresceu durante a pandemia. “Estamos tendo muitas reservas de pessoas do próprio estado. Antes a maior parte do nosso público eram do Rio Grande do Sul”, disse.

Uma pesquisa feita pelo booking.com, um dos maiores sites de reservas de estadias, entre os meses de junho e agosto deste ano, indica uma mudança no perfil de viagens de lazer dos brasileiros durante a pandemia. O turista, pós pandemia, encurtou seu destino para locais mais próximos, que possa ser possível fazer com o próprio veículo.

Como os hostels se adaptaram à pandemia

O Hostel tem como principal serviço a oferta de ambientes compartilhados, com o objetivo de integrar a convivência dos hóspedes. O segmento afetado pela pandemia precisou se adaptar e encontrar novas formas de obter confiança dos visitantes.

“Com a liberação das hospedagens e início da temporada da Baleia Franca começamos a atender algumas demandas específicas das agências de receptivos locais, trabalhando com pequenos grupos em busca de um turismo ecológico, mantendo nossos quartos compartilhados exclusivos para cada grupo. Estamos nos adaptando ao mercado, seguindo uma tendência da hostelaria, investindo para em breve oferecer suítes privativas para casais, famílias e pequemos grupos.”, contou Luís Fidelix, dono do Rosa Surf Hostel.

Com a chegada da primavera e principalmente com os feriados, segundo o proprietário do hostel na Praia do Rosa, a demanda de grupos em busca de hospedagem em destinos de praias cresceu. “Também fizemos melhorias na nossa área de camping, pois vimos uma tendência positiva neste segmento e uma forma das pessoas ficarem isoladas e mais próximas a natureza. Também estamos criando uma área de teletrabalho para profissionais como alternativa ao home office”.

Colaboração: Rota da Baleia Franca - Gisele Elis Martins