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Funcionários de linhas de ônibus do transporte público fazem protesto em Criciúma

Transporte coletivo está paralisado desde o dia 19 de março
Funcionários de linhas de ônibus do transporte público fazem protesto em Criciúma
Foto: Rafaela Custódio/Portal Engeplus
Por Rafaela Custódio Em 14/05/2020 às 08:29

Os funcionários de diversos setores da Associação Criciumense de Transporte Urbano (ACTU) realizaram mais um protesto na manhã desta quinta-feira, dia 14, em Criciúma, pela volta do transporte coletivo em Santa Catarina. Os ônibus estão sem circular no estado desde o dia 19 de março quando iniciou o isolamento social em território catarinense. A manifestação iniciou às 7 horas e a avenida Centenário foi parcialmente fechada durante alguns instantes. O ato foi realizado em frente à Estação Rodoviária e contou com cerca de 150 trabalhadores.

Está não é a primeira manifestação da categoria. No dia 15 de abril foi realizado o primeiro ato e na última semana uma reunião entre vereadores da Câmara de Criciúma, representantes da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), sindicato dos motoristas de ônibus, e das empresas de transporte público também aconteceu na Capital do Carvão. 

O pedido é apenas um: a volta do transporte coletivo 

Todos os funcionários do transporte coletivo tanto municipal quanto intermunicipal estão com medo de perder seus empregos. Isto porque no próximo dia 5 de junho termina o contrato de dois meses realizado pelas empresas e profissionais, com isso, demissões poderão acontecer. 

O presidente do Sindicato dos Motoristas de Criciúma, Clésio Fernandes, o Buba, comentou que com o decreto estabelecido pelo prefeito da Capital do Carvão, Clésio Salvaro apenas 50% da capacidade dos ônibus poderá ser utilizado, ou seja, cerca de 30 pessoas por veículo. 

O presidente da Comissão de Obras do Legislativo, vereador Salésio Lima, também participou da ação e ressaltou a importância da retomada do transporte público. “Nosso papel é ajudar as pessoas. Diversos trabalhadores estão sendo transportados em vans e também estão dividindo um carro em diversas pessoas. Queremos ajudar a população”, ressaltou. 

Segundo o presidente do sindicato, outros estados do país já voltaram com o serviço do transporte público como Paraná e São Paulo. “Cada prefeito sabe da situação de sua cidade. Muitas pessoas ficarão desempregadas e não são apenas trabalhadores do transporte público, e sim de todas as categorias como comércio e indústria”, afirma Buba.

Reginaldo Geremias é coordenador de tráfego há 20 anos e também participou da manifestação desta quinta-feira. “Nunca presenciei algo parecido como isso. O transporte coletivo é um trabalho essencial e fomos deixados de lado. As pessoas ficam nos ligando e perguntando quando voltaremos para as ruas”, comenta. “Nossa preocupação é com a folha de pagamento do próximo mês. Se não voltarmos, os patrões não terão como nos pagar”, completa. 

O que o governador diz? 

O Governo de Santa Catarina está disposto a avançar na liberação do transporte coletivo no Estado. A expectativa era de que o governador Carlos Moisés anunciasse a retomada das atividades do setor ainda nessa quarta-feira, dia 13, mas os regramentos para a volta da circulação dos ônibus ainda não foram definidos. O modelo deverá ser elaborado em conjunto com os representantes das empresas. Uma reunião para alinhar as estratégias para a flexibilização do transporte coletivo foi marcada para a manhã desta quinta-feira, dia 14.

“A partir desse diálogo que vamos construindo um formato para que o Estado possa fazer com que os nossos resultados se mantenham adequados. Não podemos colocar em risco tudo o que nós construímos até hoje. É um assunto que estamos debatendo há mais de 30 dias com o setor”, pontuou o governador em entrevista coletiva na noite de ontem. O encontro será às 10 horas da manhã na sede da Defesa Civil do Estado.

Se os ônibus voltarem a circular em Criciúma, como será? 

O decreto publicado por Clésio Salvaro no dia 12 de abril, prevê medidas a serem tomadas com a volta do transporte coletivo. Veja abaixo as regras definidas pelo decreto.

Para as empresas do transporte coletivo:

Exibir cartazes informativos dos cuidados nos seus ambientes sobre: higienização de mãos, uso do álcool 70%, uso de máscaras, distanciamento entre as pessoas, limpeza de superfícies, ventilação e limpeza dos ambientes;

Realizar diariamente procedimentos que garantam a higienização dos veículos e ambientes de prestação de serviço, intensificando a limpeza com desinfetantes próprios para a finalidade, bem como a desinfecção diária com álcool 70% ou produto antiviral semelhante, de maçanetas, corrimãos, interruptores, barreiras físicas usadas como equipamentos de proteção coletiva como placas transparentes, máquinas de cartão, balcões, entre outros;

Deverá ser disponibilizado álcool gel 70% em todos os veículos, para utilização dos motoristas, cobradores e passageiros;

Deverá ser intensificada a limpeza dos filtros do ar-condicionado dos veículos, ou ser efetuada a troca, quando necessário, não podendo circular aqueles que possuem janelas travadas;

Utilização do sistema de ar-condicionado, quando houver, no modo de ventilação aberta;

Os seus funcionários deverão ser informados da importância do uso dos EPIs apropriados e de cuidados sanitários, orientando para que reforcem seus cuidados pessoais, lavando sempre as mãos e utilizem álcool gel a cada viagem realizada, bem como façam uso de máscaras de uso não profissional, de acordo com as orientações gerais da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária);

Idosos que são considerados grupo de risco, se puderem, devem evitar usar transporte público no horário de pico, quando há maior aglomeração de pessoas;

A lotação de cada veículo deverá corresponder, no máximo, a 50% (cinquenta por cento) da capacidade dos passageiros sentados, demarcando os lugares disponíveis para assento, alternando entre janela e corredor;

Deverão ser adotadas medidas internas relacionadas à saúde do trabalhador e dos usuários (mantendo, sempre, todas as janelas dos ônibus abertas), providência necessária para evitar-se a transmissão do Coronavírus no ambiente de trabalho, priorizando o afastamento, sem prejuízo dos salários, dos trabalhadores integrantes de grupos considerados de risco, tais como pessoas com idade acima de 60 (sessenta) anos, hipertensos, diabéticos, gestantes e imunodeprimidos ou portadores de doenças crônicas que, por isso, também justifiquem o afastamento;

Deverá ser priorizada a modalidade de trabalho remoto para os setores administrativos

Para os passageiros: 

Manter as janelas dos ônibus abertas para uma melhor circulação do ar, sempre que possível;

Evitar os horários de pico nos transportes públicos;

Escolher rotas que envolvam apenas meios de transporte, evitando trocas de linhas ou modais que aumentam o risco de exposição, sempre que for possível;

Utilizar máscaras, de uso profissional ou não profissional;

Higienizar as mãos com frequência.