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Falta de cardumes e pandemia afetam a rotina de pescadores da Colônia Z-33

Assim como a tainha, pesca da anchova ainda não emplacou na região
Falta de cardumes e pandemia afetam a rotina de pescadores da Colônia Z-33
Foto: Divulgação
Por Thiago Hockmüller Em 12/08/2020 às 11:40

A vida não está fácil para pescadores da Colônia Z-33. Após a safra ruim da tainha, a esperança era amenizar o impacto com a captura da anchova, todavia a temporada não iniciou conforme o esperado. Segundo o presidente da Z-33, João Piccolo, os cardumes não encostaram aumentando a preocupação entre as famílias que sobrevivem da pesca.

A pesca da anchova, assim como a corvina (temporada inicia em setembro), segue até dezembro. Depois inicia o período de defeso encerrando um 2020 ruim para o setor pesqueiro. “Por enquanto a anchova não encostou. Já na pesca da papa-terra estão se saindo bem, assim como o peixe-rei. A anchova já era pra ter encostado e ainda não encostou, infelizmente. A situação está complicada”, lamenta Piccolo.

A falta de peixe não é o único problema administrado pelos pescadores. A pandemia do novo coronavírus também afeta a vida de quem depende do setor para o próprio sustento.

“Tem um decreto do prefeito municipal (de Balneário Rincão) proibindo a entrada na orla. Os pescadores estão com restrições. Os pequenos pescadores, com redes pequenas, não estão liberados e tenho questionado porque nem todo mundo tem condições de comprar uma canoa para exercer a atividade. Os caminhões que carregam canoas entram, mas como comprar uma parelha de pesca? precisa de no mínimo R$ 150 mil. É complicado. Abre o comércio, mas restringe os pescadores”, reclama.

Segundo o presidente da Colônia Z-33, os pescadores só acessam a orla para transportar canoas até o mar. Todavia, aqueles que utilizam redes de 50 metros e/ou tarrafas, são impedidos. Caso sejam flagrados, são notificados. “Pescam somente com canoas, mas o mar está agitado. Como não está permitido a entrada na orla com os veículos, como vai transportar o equipamento de pesca e trazer o pescado junto? Estamos aguardando um novo decreto para liberação da atividade. O que precisa coibir são pessoas que fazem eventos, festas e passeio na praia, que não tem nada a ver com a pesca”, afirma. 

Toda ajuda é bem-vinda

Diante da situação, a colônia tem buscado ajuda do poder público e órgãos que movimentam campanhas solidárias. Da Cruz Vermelha, cestas básicas já foram encaminhadas para famílias necessitadas. Também houveram famílias cadastradas para receber o auxílio emergencial do Governo Federal e ainda há apelo junto ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras) para aquisição de donativos. 

“Estamos preocupados. A estimativa da tainha, quando abriu em 1° de maio, era animadora. Mas mudou a temperatura, a condição do vento, tivemos o ciclone, a ressaca no mar, e a tainha foi embora. Logo vem o período de defeso, mas só recebe em janeiro e fevereiro. Estamos pedindo auxílio para a Secretaria de Assistência Social da prefeitura e para a Defesa Civil. E esperamos que a corvina encoste no mês de setembro”, projeta. 

Segundo Piccolo, cerca de 400 famílias de pescadores são cadastradas na colônia, que compreende a região entre Balneário Esplanada e Barra Velha.