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Eliane Salib: há 40 dias longe da família e focada no combate ao coronavírus

Natural do Rio Grande do Sul, ela mora em Criciúma há 15 anos
Eliane Salib: há 40 dias longe da família e focada no combate ao coronavírus
Foto: Rafaela Custódio / Portal Engeplus
Por Rafaela Custódio Em 22/05/2020 às 09:55

O isolamento em território catarinense iniciou no dia 19 de março visando o combate à Covid-19. De lá pra cá muita coisa mudou em Santa Catarina. Criciúma montou dois Centros de Triagem (CTs) e, desde então, diversos profissionais da saúde estão se dedicando diariamente a pacientes com suspeitas e confirmados de coronavírus. Entre os trabalhadores está Eliane Salib, de 33 anos, natural de São José do Ausentes (RS) e é moradora de Criciúma há 15 anos. 

Formada em enfermagem desde 2013 pelas Faculdades Esucri, ela atua na Prefeitura de Criciúma há dois anos e antes da pandemia do coronavírus estava trabalhando na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro São Sebastião. A gaúcha mora sozinha na Capital do Carvão e está sem ver a família há mais de dois meses. Eliane ainda tem pós-graduação em Urgência e Emergência e está se especializando em Ostomia pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). Atualmente, trabalha no Centro de Triagem ao lado do Hospital São José, onde está há 40 dias.

Como ela chegou ao Centro de Triagem?

A enfermeira lembra que estava trabalhando normalmente, quando recebeu um convite para atuar no Centro de Triagem. Por morar sozinha e não ter contato com familiares, não pensou duas vezes. “Minha mãe já faleceu, meu irmão e meu pai moram em São José dos Ausentes, ou seja, eu não poderia contaminar ninguém, até porque moro sozinha. Então, decidi aceitar o convite. Aceitei também pelo desafio da profissão, por querer ajudar e por pensar no próximo”, revela. 

“É uma experiência totalmente nova e ficamos em média 12 horas na unidade. São horas nos dedicando aos pacientes que não nos conhecem, mas confiam no nosso trabalho”. 
Eliane Salib
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Por ser enfermeira, Eliane acaba trabalhando mais com a parte de gestão no dia a dia, mas, mesmo assim, tem realizado diversas atividades. “Também ajudo as técnicas de enfermagem com a coleta dos exames que são encaminhados ao Lacen [Laboratório Central de Saúde Pública], mas também coordeno todas as quatro equipes que atuam na unidade. É um trabalho difícil, pois além de lidar com os pacientes que muitas vezes chegam assustados, ainda lidamos com o vírus e também tenho que coordenar todas as pessoas que trabalham no local”, cita. 

Família distante e o coração cada vez mais apertado 

Eliane não vê seu pai Vivaldino Camargo, de 85 anos, há dois meses. Ela está tendo contato por telefone, porém sem imagens, o que está fazendo ter ainda mais saudades de casa. “Meu pai mora em uma cidade pequena e sua casa fica mais no interior, onde não tem internet. O sinal é muito ruim e não conseguimos fazer chamada de vídeo, apenas ligação mesmo. Falo apenas uma vez por semana com ele. Estou tendo que lidar também com a saudade diária dele e do meu irmão [João Luiz]. Nunca fiquei tanto tempo sem ir em casa, é bastante complicado. Eu ia para São José dos Ausentes pelo menos uma vez ao mês”, lembra. 

A experiência de atuar em uma pandemia 

A enfermeira garante que tem muita fé em Deus e todos os dias agradece e pede proteção divina. Ela comenta que está mais tranquila por morar sozinha e por sair de casa apenas para trabalhar, com isso, não poderá infectar ninguém caso seja contaminada pelo coronavírus. “Obviamente que tenho todos os cuidados necessários para não ser infectada. Usamos todos os Equipamentos de Proteção Individual [EPIs] e nenhum funcionário do CT se contaminou até hoje, o que mostra o quanto temos cuidado”, afirma. 

“É gratificante estar aqui no Centro de Triagem. Gosto de poder ajudar o próximo. Faço com amor, mesmo diante dos medos diários. Venho todos os dias disposta a fazer o meu melhor e contribuir com a saúde pública de Criciúma”. 
Eliane Salib
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Eliane ressalta que os atendimentos são diferentes e acredita que isso é ruim. “Como estamos com os EPIs, os pacientes não nos conhecem, o que é diferente da UBS que são os moradores do bairro. Outra coisa é que o atendimento muitas vezes é rápido e não podemos trocar tanta informação ou conversar, como acontece diariamente na Unidade Básica de Saúde”, compara. 

Futuro 

É difícil falar de futuro e não tratar sobre coronavírus. Os seres humanos serão melhores após a pandemia da Covid-19? Como será o tratamento para curar a doença? Como as pessoas agirão depois do coronavírus? São diversas perguntas ainda sem resposta, mas Eliane acredita que o mundo será melhor depois que tudo isso passar. 

“Tenho muita fé, muita. Estou muito apegada ao lado religioso e acredito que sairemos muito melhores dessa pandemia. Teremos mais força, empatia, solidariedade e cuidado uns com os outros”, projeta. “Entendo que estamos passando por um momento muito difícil. Além da doença, a pandemia mexeu com a economia, com as famílias. É algo complicado que precisamos vencer juntos”, finaliza.

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