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Egresso da UFSC Araranguá figura em lista da Forbes de profissionais inovadores negros

Ele é líder técnico em Engenharia de Software e Chatbot Advocate no grupo Lojas Renner
Egresso da UFSC Araranguá figura em lista da Forbes de profissionais inovadores negros
Foto: Divulgação/UFSC
Por Redação Engeplus Em 29/09/2020 às 18:12

O nome de Eduardo Germano Silva, 28 anos, egresso do curso de Tecnologias da Informação e Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), figurou na lista da Forbes de profissionais inovadores negros, publicada neste mês de setembro. Atual líder técnico em Engenharia de Software e Chatbot Advocate no grupo Lojas Renner, Eduardo está entre os 19 ranqueados pela publicação que destacou os promotores de transformação digital em grandes corporações.

O estudante concluiu o curso no Campus Araranguá em tempo mínimo: entrou no segundo semestre de 2010 e formou-se ao fim do primeiro semestre de 2013. “Apesar de eu ser apaixonado por tecnologia, computador e vídeo game desde pequeno, também sou técnico em Administração. Na época, a grade curricular do curso ia ao encontro do que eu tinha de formação e o que eu gostava”, revelou.

Depois da graduação na UFSC, Eduardo cursou o mestrado em Ciência da Computação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre. Nesta época foi membro do Grupo de Redes de Computadores da instituição, integrando o ProSeg, um projeto totalmente voltado a pesquisas em Smart Grids, redes elétricas inteligentes. Graças ao projeto, teve a possibilidade de aprofundar os conhecimentos em Inteligência Artificial.

Durante o período no ProSeg, o mestrando teve alguns artigos relevantes que foram publicados internacionalmente. Em sua primeira experiência fora do país, foi para o Canadá, em 2015, para apresentar um artigo fruto de sua pesquisa no IFIP/IEEE International Symposium on Integrated Network Management. Eduardo defendeu a dissertação em janeiro de 2017.

Hoje trabalha na Realize CFI, o braço financeiro da Lojas Renner S/A. Permaneceu dois anos no setor de tecnologia e, posteriormente, foi integrado à área financeira. Ele explica sua trajetória dentro da empresa: “Graças ao meu background, minha atual gestão sempre me deu liberdade para adotar Inteligência Artificial nas minhas tarefas. Na Renner, pude trabalhar com reconhecimento de imagens, conversões de texto pra voz, voz pra texto, data science, processamento de linguagem natural… Até que tive a oportunidade de aprimorar meus conhecimentos sobre Assistentes Virtuais/Chatbots”.

Nome na Forbes

Eduardo Germano classificou a presença de seu nome na lista de destaques da Forbes como “surreal”. A publicação trouxe uma breve biografia das carreiras acadêmica e profissional do egresso da UFSC, que deixou a cidade de Campinas, no interior paulista, rumo a Santa Catarina aos 17 anos. “Ver meu nome na Forbes foi algo surreal, pois este acontecimento coroa uma década de muito esforço. Esforço não só meu, mas de todos que auxiliaram e auxiliam na minha jornada. Quando eu vi meu nome lá, eu imaginei o quanto meus professores, amigos e família ficariam felizes e orgulhosos desse feito, pois sem dúvidas eles fazem parte disso. Ninguém inova sozinho”.

A lista da Forbes Especial Inovadores Negros abordou a diversidade dos times responsáveis pelo desenvolvimento dos sistemas por trás de novos produtos e serviços de grandes corporações brasileiras. A publicação salienta que a área da inovação é majoritariamente formada por um grupo nada diverso. Conforme dados do estudo Quem Coda o Brasil?, realizado pela PretaLab, iniciativa em parceria com a organização social Olabi e a consultoria ThoughtWorks, a maioria dos profissionais da área é masculina (68,3%) e branca (58,3%). Ainda segundo o levantamento, 32,7% dos entrevistados disseram não ter nenhuma pessoa negra na equipe.

Ao abordar o assunto, Eduardo repetiu a fala dos Racionais MC’s citada na reportagem: “Filho, por você ser preto, você tem que ser duas vezes melhor. Mas como ser duas vezes melhor, se você está pelo menos cem vezes atrasado?”. Ele relata que o preconceito existe na área, com obstáculos e dificuldades diárias. “Temos poucas mulheres na computação, poucos homens negros, e pouquíssimas mulheres negras. Isso é preocupante. Temos que mudar essa estatística logo, pois num mundo em que a inteligência artificial vem ganhando força, não podemos deixar só que o homem branco desenvolva ‘soluções inteligentes'”.

O egresso ressaltou, por fim, a importância da Universidade na sua formação. “A universidade abre portas, mas só você escolhe a que quer entrar. Aproveite tudo o que ela oferece. Não se limite às disciplinas, pois a vivência durante a sua vida acadêmica será o seu diferencial no concorrido mercado de trabalho”, finalizou.

Colaboração: Maykon Oliveira/Jornalista da Agecom/UFSC