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Ecoturismo e observação de baleias é uma das apostas pós pandemia no Sul de SC

De julho a outubro baleias migram da Antártida em busca de águas quentes
Ecoturismo e observação de baleias é uma das apostas pós pandemia no Sul de SC
Foto: Instituto Australis - Carolina Bezamat
Por Redação Em 04/06/2020 às 20:40

Muita coisa mudou no mundo todo em poucos meses, devido à pandemia do novo Coronavírus, mas o ciclo da natureza segue seu fluxo normal. É o caso do período de migração e reprodução das baleais francas, que acontece todos os anos durante o inverno no litoral sul de Santa Catarina.

Daqui algumas semanas começa oficialmente a temporada de observação de baleias franca em Laguna, Imbituba e Garopaba, cidades que formam o destino turístico Rota da Baleia Franca. De julho a outubro, essas gigantes migram da Antártida em busca de águas quentes e mais calmas para se reproduzir, parir e amamentar seus filhotes nessa região do estado.

As três cidades que formam o roteiro turístico, justamente em meio a esse novo cenário mundial, começam a se preparar para receber as baleias e com elas, visitantes e turistas em busca desse espetáculo da natureza. Porém, agora o 'novo normal' vai exigir que os passeios sejam mais seguros no quesito saúde.

A retomada do turismo pós pandemia deverá ser cautelosa, seguindo os critérios de segurança e saúde, pelo grupo de empresários, guias de turismo, artesãos e condutores ambientais que integram a Rota da Baleia Franca.

"Queremos proteger o nosso território, tomando o cuidado para seguir todas as determinações e normas para receber os turistas, protegendo também nossa comunidade. Acreditamos que mantendo esta postura de cautela, poderemos ter uma temporada ideal para este novo turismo que está surgindo, pois durante a temporada da Baleia já somos uma região com baixa densidade turística", avalia o coordenador da Rota da Baleia Franca, Felipe Uzascki.

A aposta do ecoturismo como estratégia de visitação em espaços ao ar livre, sem aglomeração e com distanciamento social é uma das tendências do turismo em todo o mundo, no cenário pós pandemia.

Os passeios conduzidos por guias de turismo e condutores ambientais  da RBF durante o período de observação de baleias deverá seguir o Manual de Boas Práticas, com recomendações de procedimentos sanitários para a operação de atividades de turismo de natureza, elaborado pela Associação Brasileira de Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (ABAETA).

"Nosso retorno às atividades seguirá as recomendações da ABAETA, quanto às medidas de distanciamento físico e prevenção de contágio. Iremos identificar os clientes, se estão em boas condições de saúde e aptos para fazer atividades, se possuem sintomas, evitando contato físico. Manteremos uma divulgação constante nas redes sociais sobre as formas de prevenção e proteção, porque agora as coisas mudaram, não é mais como antes", afirmou a condutora ambiental da empresa Trilha Ecoturismo, Cristiane Bossoni.

Tendência: turistas devem viajar para locais próximos

O setor do turismo foi um dos mais afetados pela pandemia do novo Coronavírus e segundo a Organização Mundial de Turismo, as tendências apontam que as viagens voltarão a ser realizadas inicialmente para locais mais próximos, ou seja, viagens curtas e domésticas, feitas por rodovias.

Os viajantes devem buscar por um tipo de turismo mais simples, em destinos mais próximos, além do aumento de viagens individuais e o incremento do turismo familiar, feitos com o próprio veículo.

"Nossos guias e agências de turismo da região, já estão se preparando para a chegada de muitos turistas do interior de SC, PR e RS. Conforme pesquisas, tendem a vir e carro e fazer passeios nos seus próprios veículos", finaliza o coordenador Uzascki.

Monitoramento aéreo e por terra das baleias está mantido

O Instituto Australis (IA), principal centro de pesquisa e monitoramento das Baleias Franca do Brasil, está na fase de planejamento das atividades de pesquisa, como monitoramento aéreo e terrestre, entre outras ações de educação ambiental. Além disso trabalha nas ações do novo Projeto Franca Austral, que foi selecionado e passou a receber patrocínio da Petrobrás.

De acordo com a bióloga e diretora do IA, Karina Groch, as ações em campo estão mantidas no planejamento. "O monitoramento aéreo está mantido, pois não tem aglomeração, somente nossa equipe interna de pesquisa. Assim como uma pesquisa com embarcação para estudar a ecologia alimentar das baleias", revelou.

Pelo Projeto Franca Austral, também está mantido o monitoramento por terra. "Os estagiários estão previstos para chegar na segunda quinzena de julho, que estão aguardando as orientações e também estamos esperando como será a evolução da pandemia, caso seja necessária alguma mudança", contou Karina.

Os projeto nas escola serão retomados somente quando as aulas retornarem, a partir de agosto. Centro de Visitantes está fechado, ainda aguardando as próximas semanas. "Temos expectativa de reabrir em julho, mas ainda estamos esperando como ficará a pandemia", explica a diretora do IA.

O primeiro monitoramento aéreo está previsto para acontecer no dia 1º de julho em parceria com a empresa Aquaplan, através da SPAR Porto de Imbituba.

Quanto a expectativa da chegada das baleias e quantidade de baleias que virão para cá, segundo Groch, ainda não tem como prever. "Nossos dados, mesmo sendo sistemáticos e consistentes, eles não apontam uma tendência periódica. As alterações estão relacionadas a disponibilidade de alimento para as baleias. Somente após o primeiro sobrevôo vamos poder ter uma noção. Em tempos de mudanças climáticas tem sido cada vez mais difícil fazer uma previsão antes da temporada começar", explica.

O que é a Rota da Baleia Franca

A Rota da Baleia Franca é fruto de um projeto desenvolvido pelo Sebrae com apoio das Prefeituras de Garopaba, Imbituba e Laguna. Atualmente é coordenada pelos empresários, através do Núcleo Rota da Baleia Franca, desenvolvido pela Federação das Associações Empresariais de SC (FACISC), com suporte das Associações Empresariais de Garopaba, Imbituba e Laguna.

O grupo é formado por empresários envolvidos na cadeia turística, entre eles proprietários de hotéis, pousadas, bares, restaurantes, lojas, artesãos, guias de turismo e condutores ambientais de Laguna, Imbituba e Garopaba.

Colaboração: Assessoria de Imprensa/ Gisele Elis