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Criciumense relata lockdown na França e comenta sensação de insegurança após atentado terrorista

Agatha Bez Fontana Silva é advogada e mora na cidade de Lyon
Criciumense relata lockdown na França e comenta sensação de insegurança após atentado terrorista
Foto: Divulgação
Por Thiago Hockmüller Em 30/10/2020 às 13:59

A França vive dias de preocupação com relação a nova onda de contaminação pela Covid-19 e insegurança em função do atentado terrorista que tirou a vida de três pessoas, entre elas uma brasileira, em uma igreja na cidade francesa de Nice. 

A criciumense Agatha Bez Fontana Silva mora em Lyon e conversou com a reportagem da Rádio Eldorado, no programa João Paulo Messer. De acordo com ela, o novo lockdown na França começou nesta sexta-feira, dia 30, todavia muito diferente daquele provocado na primeira onda do novo coronavírus. 

“Esse segundo lockdown não foi tão restrito quanto o anterior. Agora temos novas informações sobre a doença, mais testes e experiência do lockdown anterior. Estudaram o que deu certo e o que não deu no primeiro. Agora teremos uma nova abordagem”, relata.

Neste novo processo de combate à pandemia, não há restrição, por exemplo, de aulas para crianças e adolescentes, apenas no ensino superior. “Viram que não funcionou e resolveram abolir (o fechamento das escolas). Vão continuar abertas, com exceção do ensino superior, eu imagino que isso seja pela dificuldade das pessoas trabalharem em casa com as crianças. E também as estatísticas de ver o quanto de contaminação se faz nas escolas”, diz a criciumense.

Agatha também explicou que o governo preferiu não restringir visitas em lares para idosos. A medida, caso fosse efetivada, seria considerada uma penalidade aos idosos já que não poderiam ver familiares por tempo indeterminado, como aconteceu na primeira onda. 

“No primeiro eles tinham proibido visitar os idosos em casas de repouso. Como viram que foi muito doloroso no primeiro confinamento, resolveram permitir as visitas respeitando todas as medidas de segurança”, conta a brasileira, que explicou que a internação em lar para idosos é cultural e “quase uma certeza” para os franceses.

Ainda de acordo com o relato da brasileira, o governo estipulou multas para quem quebrar as regras do lockdown. A primeira é de € 135, mas em caso de reincidência o prejuízo pode chegar ao € 1 mil.

“Em relação ao comércio, muitos vão fechar. Acredito que seja uma sorte viver normalmente, como vivemos no verão, em julho e agosto. Agora vamos lidar com a segunda fase mais rígida. Vão cortar o lazer. Não teremos o direito de ter pessoas em casa que não sejam da nossa família. Não teremos o direito de ir em bares, cinemas e festas”, explica.

No primeiro o medo estava instalado, ninguém sabia o que ia acontecer e todos respeitaram até onde dava. Agora, no segundo, não é que não estão aceitando, simplesmente ignoram. Eles colocaram multa de € 135 para quem desrespeitar as regras e uma segunda, muito mais dura, para reincidentes, que acho que é de € 1 mil euros. (A França) não vai esperar imunidade coletiva. Não vai chegar no ponto de escolher se vai deixar o leito de reanimação para o mais velho ou o mais jovem. Por isso as medidas mais graves agora.

Agatha Bez Fontana Silva, criciumense que vive em Lyon
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“Terrorismo nunca acabou”

A criciumense também comentou o clima instaurado no país após o atentado terrorista em Nice, nessa quinta-feira, dia 29, que vitimou três pessoas em uma igreja da cidade. Segundo o Ministério das Relações Exteriores do governo brasileiro, uma das vítimas é brasileira, 44 anos, que morava na França.

Ela e outras duas pessoas foram atacadas por um homem tunisiano que invadiu a igreja gritando “Allahu Akbar” (Deus é maior), em um ataque considerado pelo governo francês como ato de terrorismo. O criminoso, considerado radical islâmico, foi baleado pela polícia e se encontra em estado crítico em um hospital.

“O terrorismo na França nunca acabou. (Os franceses) estão acostumados já com essa sensação de tensão. Quando cheguei aqui, várias vezes o metrô não tava funcionando porque alguém tinha deixado uma caixa inassistida. Deixaram no canto e então para tudo, vem esquadrão antibomba e não importa, o terrosrismo sempre foi uma preocupação”, diz a criciumense. 

O ataque nessa quinta-feira foi justamente no dia de aniversário do Profeta Maomé e aconteceu em um momento de revolta muçulmana crescente em todo o mundo com a defesa da França ao direito de publicar caricaturas do profeta. Manifestantes que os consideram insultantes denunciaram o país em manifestações de rua em vários locais de maioria muçulmana.