InternetData CenterAssinante

Com 20 dias de portas fechadas, comerciantes pedem reabertura para evitar falência

Cerca de 100 manifestantes estiveram presentes na Praça Nereu Ramos
Com 20 dias de portas fechadas, comerciantes pedem reabertura para evitar falência
Foto: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus
Por Thiago Hockmüller Em 07/04/2020 às 18:05

Comerciantes de Criciúma realizaram na tarde desta terça-feira, dia 7, na Praça Nereu Ramos, uma manifestação pedindo o retorno das atividades comerciais. Com faixas, cartazes e bradando palavras de ordem, expressaram a angústia pela falta de faturamento que leva ao atraso de contas fixas como aluguel, folha de pagamento e suprimentos.

Selma Negro é proprietária de um restaurante na área Central da cidade. Depende exclusivamente da movimentação do comércio e do rotativo para garantir o sustento do negócio e da própria casa.

Durante a manifestação, ele falou aos colegas presentes e pediu que o Governo do Estado reveja a ideia de quarentena. "As pessoas que estão aqui pedem direitos iguais porque muitos que estão com portas abertas não são dos ramos de primeira necessidade. Então, se tivermos os devidos cuidados, porque não podemos abrir nossas portas? Estamos sem caixa, vamos quebrar. Não teremos dinheiro para pagar funcionários, aluguel, os boletos estão atrasados. Estamos lutando por todos os funcionários que nos ligam todos os dias desesperados. Se o comércio quebrar, vão acontecer demissões em massa", lamenta.

No estabelecimento de Selma, atuam seis funcionários. Além do mais, há o problema com alimentos estocados e que são perecíveis. Sem o giro do restaurante, vão estragar e causar mais prejuízos.


Restaurante de Selma depende do movimento do comércio para seguir funcionando

"Lidamos com artigos perecíveis. Nem todos podemos optar por delivery. Buscamos estratégias e estamos sem alento do comércio. O setor de restaurante, acredito que seja o último a abrir, pois precisa ainda do comércio. É tudo muito complicado e as incertezas são muitas", reflete.

Que tenhamos capacidade e discernimento para garantir a segurança de quem está nas ruas. Eu acho uma hipocrisia dizer que só o comércio tem que ficar fechado. Tenho visto mais movimento no centro agora do que em dias comuns de comércio aberto. Não podemos ser penalizados num país que está sofrendo como um todo. Ou ficam na rua apenas as pessoas essenciais ou então deve ser revisto. Vamos demitir assim como a indústria e o estrago será bem maior.

Selma Negro, comerciante de Criciúma
__________

Pouco mais de 30 minutos depois de iniciar, a Polícia Militar (PM) interviu e pediu o final da aglomeração. De forma pacífica, em poucos minutos os manifestantes esvaziaram a Praça Nereu Ramos. Plêi Boing trabalha no setor de confecções. Assim como Selma, lamenta as contas atrasadas de sua empresa e garante: "mais da metade não sobrevive mais 20 dias".

Ela lembra que recentemente o comércio passou por períodos de baixa com eleições e, sobretudo, a greve dos caminhoneiros. Além do mais, explica que pequenos empresários necessitam do faturamento para garantir o próprio sustento e dos funcionários.

"Muitos comerciantes não tem como pagar essa folha de pagamento e nossos funcionários já estão nos cobrando. Queremos abrir as portas para recomeçar do zero e que possamos pagar os trabalhadores e que possamos garantir aos profissionais que não vamos demití-los. Diversas empresas já estão começando a demitir. Em Santa Catarina, não está sendo noticiado, mas vários postos de empregos estão sendo perdidos. É uma situação desesperadora", explica.

Com os funcionários pagos neste mês, ela está dando prioridade para quitar dívidas com pequenos fornecedores. E já tem visto demissões em outras lojas. 

Não podemos dizer que somos um comércio próspero no Brasil. Trabalhamos para nos manter, é isso que pedimos, pois se não for possível isso, não manteremos nós e nem os funcionários.

Plêi Boing, comerciante de Criciúma
__________

Proprietário de uma loja de roupas e acessórios, Everton Maciel pede uma solução para o impasse. "É complicado. Estou vendo empresários demitirem e isso é muito triste. Envolve sonhos de anos, porém é quase questão de sobrevivência", lamenta. 

A partir das 18 horas desta terça-feira, o governador Carlos Moisés concede entrevista coletiva para dar um panorama sobre o futuro da quarentena no Estado. A expectativa entre os comerciantes é que ele libere o retorno das atividades.

Leia mais sobre: