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Chuvas de julho aumentam níveis dos reservatórios na região, mas segue alerta por economia de água

Litoral Sul registrou mais de 200 milímetros de chuva durante o mês, a melhor média de SC
Chuvas de julho aumentam níveis dos reservatórios na região, mas segue alerta por economia de água
Foto: Thiago Hockmüller/Arquivo Portal Engeplus
Por Lucas Renan Domingos Em 14/07/2020 às 12:28

Depois de um longo período de estiagem, o mês de julho tem sido de boas notícias para o Litoral Sul de Santa Catarina quando o assunto é chuva. Conforme dados divulgados pela Epagri/Ciram, mais de 200 milímetros de precipitação já foram registrados na região. O volume afetou positivamente os reservatórios dos municípios que mais sofreram com a forte seca recente, mas a mensagem é ainda de uso de água consciente, já que estão previstos novos períodos de poucas chuvas nos próximos meses.

Entre as cidades que mais foram prejudicadas pela estiagem, estavam Lauro Müller e Turvo, ambos atendidos pela Companhia Catarinense de Água e Saneamento (Casan). “Lauro Müller os rios já voltaram à normalidade. Então não estamos mais precisando realizar o transporte de água em caminhões pipa ou fazer racionamento. Em Turvo também chegamos a ter alguns problemas pontuais, mas os rios de lá também aumentaram o nível”, afirmou o superintendente regional da Casan, Gilberto Benedet Junior.

O volume de água também aumentou no principal reservatório da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec), a Barragem do Rio São Bento. “Na barragem nunca houve um problema de abastecimento. O que houve foi a diminuição do volume de água, mas como o reservatório é grande, não nos preocupou. Mas com essa chuva dos últimos dias o nível aumentou. Agora está quatro metros abaixo do vertedouro, o máximo que chegamos foi 5,5 metros”, acrescentou Junior.


Dados da Epagri/Ciram mostram o acumulado de chuva no Litoral Sul - Imagem: Divulgação/Epagri

Reservatórios cheios em Cocal do Sul

Quem mais comemorou o acumulado de chuva de julho foi Cocal do Sul. O município chegou a registrar situação de emergência no mês de maio por conta da estiagem. Os três reservatórios que abastecem a cidade – Barragem da Linha Tigre, Barragem da Linha Ferreira Pontes e Barragem do Rio Cocal - foram fortemente afetados. A Prefeitura de Cocal do Sul e o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) precisaram transportar água em caminhão pipa para abastecer as barragens, além de ampliar uma rede para receber água da Barragem do Rio São Bento.

“Depois das chuvas de julho, todas os três reservatórios estão operando com 100% de suas capacidades, então a situação voltou a normalizar. A gente pede que, mesmo assim, a população continue colaborando e fazendo o uso racional da água. Conversamos com a Defesa Civil e a expectativa é de que ainda passaremos por períodos estreitos, de pouca chuva, até março de 2021”, destacou Márcio Zanette, diretor do Samae de Cocal do Sul.


Um dos reservatórios de Cocal do Sul no momento crítico da estiagem - Foto: Divulgação/Prefeitura de Cocal do Sul

Para evitar novos transtornos, o Samae também já trabalha para realizar investimentos no município, que devem ser de aproximadamente R$ 500 mil, beneficiando as reservações na cidade. “Já estamos com o projeto bastante avançado para ampliação das barragens da Linha Ferreira Pontes e da Linha Tigre. Também vamos realizar a limpeza de um poço artesiano no bairro Jatobá. Será realizado um estudo de vazão, se a água na qualidade e quantidade suficiente, instalaremos um equipamento na saída do poço que irá fazer todo o tratamento e ligar direto na rede de distribuição”, disse Zanette.

Primavera deve ser de pouca chuva

A necessidade de manter o uso racional da água é ainda mais relevante quando analisada as previsões para os próximos meses. É o que ressaltou o climatologista da Epagri/Ciram, Márcio Sônego.

“As chuvas de julho não garantem uma primavera com água em abundância. Há previsão da primavera ser sob efeito de La Niña no Oceano Pacífico, o que normalmente traz pouca chuva para o Litoral Sul de Santa Catarina. Em julho, somente em Praia Grande, o acumulado foi de 280 milímetros. Criciúma teve 150 milímetros, acima da média histórica, que é 120 milímetros. Essa chuva boa parte se perde para o oceano e não garante uma primavera sem preocupações com falta de chuva. De qualquer forma, o mês de julho está excelente. Vai mexer bem com os níveis dos nossos rios, da Barragem do Rio São Bento. O solo está bem úmido e com essa chuva vai sobrar agua para o lençol freático e para os nossos mananciais, açudes”, explicou.