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Centro de Triagem: entenda os atendimentos, as coletas e conheça o local

Espaço é responsável por realizar atendimentos de pacientes com sintomas da Covid-19
Centro de Triagem: entenda os atendimentos, as coletas e conheça o local
Foto: Rafaela Custódio / Portal Engeplus
Por Rafaela Custódio Em 21/05/2020 às 09:16 - Atualizado há 2 meses

Desde o dia 19 de março, as pessoas que passaram pela rua Coronel Pedro Benedet, na área central de Criciúma, encontraram diversos profissionais de saúde com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Eles estão atuando há 63 dias no Centro de Triagem (ao lado do Hospital São José) e o espaço, que atende pacientes com sintomas da Covid-19, recebeu cerca de 2,2 mil pessoas neste período, entre realização de atendimentos e orientações. 

O local atrai diversos olhares curiosos sobre o que está acontecendo no espaço, mas, afinal, o que ocorre dentro do Centro de Triagem? A reportagem do Portal Engeplus visitou com exclusividade o ambiente e detalha como os profissionais atuam, as funções, coletas, atendimentos e quais os procedimentos que são tomados dentro da unidade. 

Localização: um ponto forte do Centro de Triagem 

Por situar-se ao lado de um hospital de referência e na região central, a responsável pelo Centro de Triagem Coronavírus 24 horas, Eliane Salib, caracteriza a localização da unidade como um dos principais acertos. “Estamos em um bom local e isso ajuda muito. Em casos mais graves, o hospital é logo ao lado. Toda estrutura necessária nos foi dada para oferecermos o melhor suporte à população”, destaca. 

A enfermeira Larissa Alves explica quais são os primeiros passos dos profissionais de saúde ao chegar no Centro de Triagem: 

Após estar com os EPIs, os profissionais iniciam a jornada de trabalho. Eles ficam dentro do Centro de Triagem de nove a 12 horas diárias. O local conta com uma equipe de sete pessoas durante o dia e cinco à noite e são revezados em quatro grupos. São enfermeiros, técnicos de enfermagem, higienizadores e médicos. 

O local recebeu no dia 19 de março (1º dia de atendimento) cerca de 250 pacientes. Atualmente são em média 40 pessoas que passam pelo local em busca de auxílio e orientação. Além de prestar atendimento à população, o local também realiza coleta para os testes da Covid-19, que são encaminhados ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) e o resultado chega de três a cinco dias. 

Mas não são todas as pessoas que vão ao Centro de Triagem que realizam a coleta para o exame da Covid-19. Todos os pacientes passam por atendimento médico e é o profissional que avalia se a pessoa necessita ou não da coleta. Caso não precise, o paciente é orientado sobre o que fazer, que pode ser isolamento domiciliar ou a necessidade de tomar algum medicamento. 

Coletas

Em média, são realizadas de 15 a 25 coletas por dia. Três pessoas atuam na função que é considerada a mais arriscada pelos profissionais, isto porque o trabalhador tem contato direto com as pessoas que podem estar contaminadas, ou seja, todo cuidado é necessário. 

Entre os três profissionais que atuam na coleta está Carla Pereira Bertoloti, de 40 anos. Ela mora em Criciúma há 16 anos e trabalha na Prefeitura da cidade há 13. Natural da cidade Três Corações (MG), ela é técnica de enfermagem e atua no Centro de Triagem desde o dia 19 de março. Carla atendeu diversos pacientes nessa quarta-feira, dia 20, entre eles Daiane de Lucca Darolt, de 36 anos. Ela é moradora do bairro Quarta Linha, em Criciúma, e atua como agente comunitária e apresentou sintomas há seis dias. Além disso, ela teve contato com uma pessoa que testou positivo para coronavírus. “Tive febre, dor de garganta e os sintomas se agravaram na última segunda-feira. Não estou com medo, pois atuo em uma Unidade Básica de Saúde, porém tenho que tomar os cuidados necessários. Estou de atestado médico e isolada em casa”, conta.

Confira como funciona a coleta: 

Além de Daiane, a técnica de enfermagem Carla também atendeu Marlon Luís de Souza, de 32 anos. Ele é morador de Blumenau e está hospedado na Casa de Passagem de Criciúma. “Estou há quatro ou cinco dias com sintomas. Fui até uma UBS e me encaminharam para o Centro de Triagem. Apresentei tosse, falta de ar e dor de garganta”, descreve. “Estou em Criciúma, pois não tem transporte coletivo para voltar embora e estava trabalhando na colheita de maçã na Serra Catarinense. Infelizmente, acabei ficando aqui na cidade”, acrescenta. 

Após a coleta, os pacientes são orientados e voltam para suas residências e ficam isolados até a chegada do resultado. A resposta do exame é feita pela Vigilância Sanitária de Criciúma por meio da médica Bruna Bervian Candido, de 31 anos. Ela também atua duas vezes por semana no Centro de Triagem durante à noite. 

Todas as pessoas que positivaram para Covid-19 em Criciúma foram orientados por Bruna. “Trabalho em média 12 horas diárias na Vigilância e quando atuo no Centro de Triagem faço 36 horas seguidas. Minha vida mudou completamente e hoje vivo quase exclusivamente com as outras profissionais de saúde no combate ao vírus”, relata. 

O Centro de Triagem para os profissionais de saúde 

O local também foi pensado para os profissionais da saúde e a unidade conta com dormitórios femininos e masculinos, cozinha, sala de paramentação, desparamentação e banheiros. “Um dos principais locais do Centro de Triagem para o profissional da saúde são as salas de paramentação e desparamentação, pois são os locais que vamos nos equipar com os equipamentos de proteção e também depois vamos descartá-los”, explica a enfermeira Larissa. 

O Centro de Triagem Coronavírus 24h foi implantado na estrutura da antiga Unidade Básica de Saúde (UBS) Centro, situada nas proximidades do Hospital São José (HSJ). Os serviços da unidade foram transferidos para a UBS Centro Dr. Antônio Pazini, localizada no Edifício Joacir José Milanez, na rua João Pessoa, no Centro.