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Carlos Moisés se diz 'estarrecido' com pronunciamento de Jair Bolsonaro sobre o coronavírus

Governador de Santa Catarina reforçou o pedido para catarinenses manterem o isolamento
Carlos Moisés se diz 'estarrecido' com pronunciamento de Jair Bolsonaro sobre o coronavírus
Foto: Julio Cavalheiro/Secom
Por Lucas Renan Domingos Em 25/03/2020 às 11:46

Em vídeo divulgado na manhã desta quarta-feira, dia 25, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, se manifestou após o pronunciamento do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, feito na noite dessa terça-feira, dia 24. Moisés afirmou estar “estarrecido” com o discurso de Bolsonaro e pediu para que os catarinenses sigam as orientações de isolamento social decretadas pelo Governo de Santa Catarina.

“Estarrecido com o pronunciamento do presidente da República em relação as medidas de isolamento responsáveis adotadas por diversos governos, eu venho a público informar a população catarinense que neste dia 25 de março 2020 iniciamos mais uma quarentena de sete dias, por determinação de decreto deste governador. Mais sete dias para ficarmos em casa”, afirmou.

Nessa terça-feira, Moisés também havia atualizado a situação do coronavírus no Estado e chegou a falar em retomada progressiva das atividades econômicas. No vídeo divulgado nesta quarta, ele voltou a frisar que Santa Catarina estuda o reinício de alguns serviços, mas que as decisões serão tomadas com cautela.

“Sabemos que precisamos equilibrar as medidas de retomada econômica com as medidas de isolamento social para termos um equilíbrio e baixa curva de contaminação. Porque não há sistema de saúde nenhum no mundo que tenha conseguido dar resposta. Estamos assistindo nos países mais desenvolvidos. Aqueles que têm amplo sistema de Saúde, que tem recursos financeiros com respostas rápidas e mesmo assim não conseguiram absorver o grande número de pessoas que entraram nas unidades hospitalares”, reforçou Moisés.

O governador anunciou nessa terça-feira que a retomada das atividades iniciaria pelo setor público, com a continuidade das obras de Infraestrutura. Uma portaria deve ser publicada em breve, autorizando a realização dos serviços.

“Estamos analisando cada setor para ver como que essa retomada se dará. Mas hoje inicia um novo decreto, por mais sete dias de quarentena”, afirmou. “Vamos cuidar das pessoas idosas e daqueles que têm alguma vulnerabilidade a para combater essa doença que tem dizimado centenas e milhares de pessoas mundo a fora. É importante se manter firme no isolamento social, porque ele está demonstrando resultado positivo aqui em Santa Catarina. Já tivemos a curva de casos suspeitos diminuída”, ressaltou.

Leia o discurso do presidente Jair Bolsonaro:

Boa noite.

Desde quando resgatamos nosso irmãos em Wuhan na China numa operação coordenada pelos ministérios da Defesa e Relações Exteriores surgiu para nós o sinal amarelo. Começamos a nos preparar para enfrentar o coronavírus, pois sabíamos que mais cedo ou mais tarde ele chegaria ao Brasil. Nosso ministro da Saúde reuniu-se com quase todos os secretários de Saúde dos estados para que o planejamento estratégico de enfrentamento ao vírus fosse construído.

E, desde então, o doutor Henrique Mandetta vem desempenhando um excelente trabalho de esclarecimento e preparação do SUS para o atendimento de possíveis vítimas. Mas o que tínhamos que conter naquele momento era o pânico, a histeria e, ao mesmo tempo, traçar a estratégia para salvar vidas e evitar o desemprego em massa. Assim fizemos, contra tudo e contra todos.

Grande parte dos meios de comunicação foram na contramão. Espalharam exatamente a sensação de pavor, tendo como carro-chefe o anúncio do grande número de vítimas na Itália, um país com grande número de idosos e com o clima totalmente diferente do nosso. O cenário perfeito, potencializado pela mídia, para que uma verdadeira histeria se espalhasse pelo nosso país.

Percebe-se que, de ontem para hoje, parte da imprensa mudou seu editorial, pedem calma e tranquilidade. Isso é muito bom. Parabéns, imprensa brasileira. É essencial que o bom senso e o equilíbrio prevaleçam entre nós.O vírus chegou, está sendo enfrentado por nós e brevemente passará. Nossa vida tem que continuar. Os empregos devem ser mantidos. O sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade.

Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércios e o confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima dos 60 anos. Por que fechar escolas? Raros são os casos fatais de pessoas sãs com menos de 40 anos de idade. Noventa por cento de nós não teremos qualquer manifestação caso se contamine.

Devemos sim é ter extrema preocupação em não transmitir o vírus para os outros, em especial aos nosso queridos pais e avós, respeitando as orientações do Ministério da Saúde. No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado com o vírus, não precisaria me preocupar. Nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como disse aquele famoso médico daquela famosa televisão.

Enquanto estou falando, o mundo busca um tratamento para a doença. O FDA americano e o hospital Albert Einstein, em São Paulo, buscam a comprovação da eficácia da cloroquina no tratamento do Covid-19. Nosso governo tem recebido notícias positivas sobre esse remédio fabricado no Brasil e largamente utilizado no combate à malária, ao lúpus e à artrite.

Acredito em Deus, que capacitará cientistas e pesquisadores do Brasil e do mundo na cura dessa doença. Aproveito para render minha homenagem a todos os profissionais de saúde: médicos, enfermeiros técnicos e colaboradores que na linha de frente nos recebem nos hospitais, nos tratam e nos confortam.

Sem pânico ou histeria, como venho falando desde o princípio, venceremos o vírus e nos orgulharemos de viver nesse novo Brasil que tem, sim, tudo para ser uma grande nação. Estamos juntos, cada vez mais unidos.

Deus abençoe nossa pátria querida.