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Banco do Brasil: investigação tem desdobramento no Ceará; autoridades apresentam novos detalhes

Número de presos subiu para 14 e polícia busca por apartamento usado por criminosos
Banco do Brasil: investigação tem desdobramento no Ceará; autoridades apresentam novos detalhes
Foto: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus
Por Lucas Renan Domingos Em 09/12/2020 às 21:31

Passados oito dias do maior assalto a banco de Santa Catarina, líderes das forças de segurança do Estado estiveram em Criciúma nesta quarta-feira, dia 9, para apresentar novos desdobramentos sobre as investigações do caso. O crime aconteceu na noite do último dia 30 novembro, quando mais de 30 assaltantes sitiaram a cidade, invadiram a agência do Banco do Brasil no Centro e fugiram levando aproximadamente R$ 80 milhões.

A maioria dos detalhes e provas do crime que foram coletadas e que estão sob os cuidados da Diretoria Estadual de Investigação Criminal (Deic), da Polícia Civil de Santa Catarina, ainda não podem ser divulgadas. “Estamos em um momento delicado. Quase todos os trabalhos foram transmitidos ao vivo em fotos e vídeos, seja da prática do crime ou as ações policiais. Agora assumimos o controle da situação. Uma das coisas que precisamos trabalhar é o sigilo. Uma série de informações são dados que podem prejudicar as investigações se forem divulgados”, justificou o delegado da Deic, Anselmo Cruz.


Delegado Anselmo Cruz, da Diretoria Estadual de Investigação Criminal (Deic) - Foto: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus

Porém, o delegado revelou novos passos dados na coleta de provas que possam fazer a polícia chegar aos criminosos. Uma das informações foi a prisão de mais dois suspeitos que teriam envolvimento com o roubo em Criciúma, além de desdobramentos no Nordeste do Brasil. “Havia sido divulgado apenas duas prisões em Gramado, mas, na verdade, foram quatro. Não especificamente naquela cidade, mas naquela mesma ação. Só não podemos dar detalhes de onde teria sido. Tivemos hoje (dia 9) o cumprimento de um mandado de uma busca e apreensão realizada no Estado do Ceará. Também não podemos dar revelar o que foi apreendido”, disse Cruz.

Locais onde houve prisões até o momento:

São Paulo (SP): uma mulher
São Leopoldo (RS): dois homens
Passo de Torres (SC): três homens
Três Cachoeiras (RS): um homem
Gramado (RS) e região: quatro homens
Campinas (SP): um homem e uma mulher
Blumenau (SC): um homem

A polícia procura ainda por informações relacionadas aos criminosos em Criciúma. “É possível e provável que os criminosos tenham utilizado algum imóvel nas redondezas da agência durante meses para observar o movimento. Este local nós ainda não identificamos. A gente pede auxílio da comunidade de Criciúma, principalmente os moradores do Centro, para que nos informe sobre movimentação de pessoas estranhas em determinado apartamento, por exemplo, e que tenham desaparecido nos últimos dias. Isso não é acusar alguém, é apenas repassar uma informação para a polícia que depois vai avaliar, analisar e conferir se existe alguma suspeita naquele local”, comentou.

Quebra-cabeça do crime

A investigação deve se estender por meses. Legalmente, o inquérito precisa ser encerrado em até 30 dias após o crime, mas o prazo pode ser ampliado. Para explicar o avanço do detalhamento do assalto e identificação dos envolvidos, o delegado fez uma analogia relacionando a coleta de provas com a montagem de um quebra-cabeça.

“As provas iniciais que colhemos vão ajudar a construir um novo quebra-cabeças. E faço uma metáfora. Podemos ter um quebra-cabeça infantil, com 24 peças grandes e que formam um crime pequeno e fácil de elucidar. Neste caso do assalto, apesar das prisões que já ocorreram e da quantidade de fugas de criminosos, o que aconteceu desde o primeiro momento foram identificar peças para esclarecer um grande quebra-cabeças, de cinco mil peças, complexo. Essas informações vão se juntar com outros quebra-cabeças para montar toda a história. Não estamos em um momento de busca desenfreada. Estamos seguindo os procedimentos legais para que haja garantias da responsabilidade dos envolvidos”, destacou.

Forças de segurança unidas

Participaram da coletiva o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, o prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, o presidente do Colegiado Superior de Segurança Pública e Perícia Oficial, delegado Paulo Koerich, o comandante-geral da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC), coronel Dionei Tonet e o diretor executivo da Polícia Rodoviária Federal (PRF), José Lopes Hott. Estavam na mesa também o superintendente da Polícia Federal (PF) de Santa Catarina, delegado Ricardo Cubas César, o perito-geral do Instituto Geral de Perícias (IGP) de Santa Catarina, Giovani Adriano, o comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar (9º BPM), tenente-coronel Cristian Dimitri e o coordenador do Grupo Regional do Gaeco, promotor de Justiça Ricardo Coelho Leal.

O que eles dizem:

Estamos esclarecendo os andamentos das investigações para apontar os trabalhos que estão sendo feitos por cada instituição envolvida. É um episódio que não combina com nosso Estado, com a condição de Santa Catarina, e  buscamos todos os esforços, pedindo apoio da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, do Ministério Público e das demais instituições irmãs da segurança pública do Estado. Estamos unindo as forças para elucidar os fatos.

Carlos Moisés, governador de Santa Catarina
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Nós entendemos que a polícia agiu de forma correta. O propósito é salvar a vida dos policiais e das pessoas de Criciúma. Confio na Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina, na Polícia Civil, na Polícia Militar. Parabéns ao governo e para as equipes de segurança por se comunicarem com a população para apresentar as respostas e informações que precisam ser dadas.

Clésio Salvaro, prefeito de Criciúma
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Reafirmamos o compromisso das forças de segurança do Estado de Santa Catarina com a sociedade. Não toleramos ações desta natureza. Estamos apresentando os trabalhos que fizemos ao longo destes oito dias, mas também queremos lembrar o dever que temos de defender Santa Catarina e sua sociedade. Agradecemos as policias e agências estaduais, federais que conosco estiveram a todo momento e saldar os policiais de Criciúma que cumpriram suas missões e seus juramentos e honraram nosso trabalho.

Delegado Paulo Koerich, presidente do Colegiado Superior de Segurança Pública e Perícia Oficial
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As forças de segurança deram exemplo de profissionalismo naquele dia. A decisão de não fazer o confronto foi do comando da PM para proteger a vida das pessoas, sejam elas dos policiais ou da comunidade. Os trabalhos de investigação seguem e estão a cargo da polícia judiciária, com apoio das inteligências das instituições de segurança pública. Foi um fato extraordinário em Santa Catarina, mas que foi tratado com profissionalismo, como era necessário naquele momento.

Coronel Dionei Tonet, comandante-geral da Polícia Militar de Santa Catarina
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Ainda na noite do ataque equipes da Polícia Rodoviária Federal de Santa Catarina do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina foram acionados para reforçar o policiamento nas rotas de acesso a Criciúma. Movimentamos toda nossa capacidade de inteligência policial, monitorando deslocamentos e subsidiar a investigação da Polícia Civil. Santa Catarina pode contar com a PRF para enfrentar o crime, estamos unidos com as demais forças.

José Lopes Hott, diretor executivo da Polícia Rodoviária Federal
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Trabalhamos diuturnamente para a coleta de vestígios, em mais diversos locais de crime em várias partes de Santa Catarina. Conseguimos mais de 18 profissionais ainda durante a madrugada para trabalhar no caso. A perícia trabalha de forma oculta, mas assumimos o compromisso que iríamos apresentar resultados. E temos várias pessoas presas, indícios do crime.

Giovani Adriano, perito-geral da Instituto Geral de Perícias de Santa Catarina
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Agradeço a integração das forças de segurança. Agradecer a todos os comandantes pelo envio de suas tropas em apoio. Não desistimos. A caçada segue com inteligência. Estamos satisfeitos por nenhum civil estar ferido. E também peço oração pelo soldado Esmeraldino pela sua recuperação.

Tenente-coronel Cristian Dimitri, comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar
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O Ministério Público não poderia ficar de fora das investigações deste crime. Instituimos uma força-tarefa com todos promotores criminais de Criciúma. Estamos trabalhando na busca de dados e informações em parceria com o Poder Judiciário. Esse relacionamento é importante para o andamento das medidas judiciais em termos de diligências, buscas e apreensões e prisões. Temos certeza que vamos descobrir os autores e colocar todos na cadeia.

Promotor de Justiça Ricardo Coelho Leal, coordenador coordenador do Grupo Regional do Gaeco
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Desde a madrugada estamos em contato com as autoridades do Estado e colaborando de todas as formas, com a inteligência da Polícia Federal. Em todas as unidades nós temos uma delegacia especializada em assalto a bancos. Estamos colaborando com as investigações bem coordenadas pela Polícia Civil. Estamos instaurando um inquérito que visa apurar o financiamento e participação de organizações criminosas de fora de Santa Catarina no assalto.

Delegado Ricardo Cubas Cesar, superintendente regional da Policia Federal de Santa Catarina
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