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A preocupação de Acélio Casagrande com UTIs, teste rápido e o número crescente de casos de Covid-19

Secretário de Saúde de Criciúma concedeu entrevista exclusiva ao Portal Engeplus
A preocupação de Acélio Casagrande com UTIs, teste rápido e o número crescente de casos de Covid-19
Foto: Thiago Hockmüller/Arquivo Engeplus
Por Thiago Hockmüller Em 07/04/2020 às 14:07

O número de pacientes positivos para Covid-19 tem crescido de forma alarmante em Santa Catarina. Em Criciúma, já são 28 infectados por coronavírus e o número, segundo estimativa do secretário de Saúde, Acélio Casagrande, tende a ultrapassar a barreira dos 30 ainda nesta terça-feira, dia 7. Isso sem contar os 16 casos de pacientes residentes em outros municípios e notificados na Capital do Carvão.

Diante do cenário, o líder da principal pasta entre as secretarias neste momento está preocupado. Evidenciou isso em entrevista exclusiva para a repórter do Portal Engeplus, Rafaela Custódio. A preocupação está na quantidade de leitos disponíveis para Unidade de Terapia Intensiva (UTI), disponibilidade de testes rápidos, gravidade dos casos que chegam aos dois Centros de Triagens do município e a necessidade de isolamento.

Segundo dados da Vigilância Epidemiológica de Criciúma, entre moradores o município possui um total de 170 notificações. Destas, 142 foram descartadas e 28 positivadas para Covid-19. Dos pacientes confirmados, dois não resistiram e vieram a óbito, outros nove foram curados da doença.   

Para o secretário, é preciso alertar que a Covid-19 possui potencial para vitimar não apenas pessoas enquadradas em grupos de risco. “Vamos passar dos 30 positivados durante o dia. Está se vendo a questão de grupos de risco, mas nem todos são. Dos sete que estão em UTI de Criciúma, cinco são acima de 60 anos e dois abaixo de 60 anos. E se vê hoje o número de jovens. A morte em Tubarão, a de São Ludgero no São Donato. Há uma mudança de perfil”, explica.

As UTIs

Enquadrada entre os municípios com transmissão comunitária de coronavírus, Criciúma possui atualmente 45 leitos de UTI disponíveis no Hospital São José (HSJ). A ideia é aumentar para até 100, desde que a Secretaria de Saúde receba respiradores junto ao Governo do Estado. 

“É uma organização estadual de um plano de contingência onde falam em montar um hospital de campanha em cada região do Estado, seriam cinco. Eu entendo que é possível aumentar, por exemplo, o Hospital São José. De 45 leitos de UTI para 90 e até 100 leitos de UTI se tiver os respiradores. Existem alternativas nas próprias instituições”, afirma.


Casa de Saúde do Rio Maina acrescentará mais de 170 leitos ao sistema de saúde de Criciúma

Além do mais, também há uma boa perspectiva com o plano de reconstrução do Hospital do Rio Maina. A estrutura que está sendo reformada e deve ter a primeira parte entregue nesta sexta-feira, dia 10, contará com 172 leitos que estarão disponíveis para eventuais adaptações. A própria ideia de manter o isolamento social serve para achatar a curva de crescimento dos casos evitando o colapso nos hospitais. 

“Os pacientes ficam um tempo longo em UTI e imagina se esse número começar a aumentar. Essa organização é do Estado e estamos preocupados com a instalação destes equipamentos. Se começar aumentar, do jeito que estamos vendo, daqui a pouco não teremos leitos e respiradores suficientes”, alerta.

Estamos com todas as Unidade de Saúde (UBSs) atendendo e mais os Centros de Triagens. O Centro de Triagem não nos preocupa pela quantidade (de atendimentos), mas sim pela qualidade, pela forma com que as pessoas estão chegando, estão chegando mais graves

Acélio Casagrande, secretário de saúde de Criciúma
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Sim ao isolamento

Desde o último dia 17, Criciúma vem acompanhando os decretos e medidas do Governo do Estado como combate e prevenção ao coronavírus. O isolamento social culminou na paralisação do transporte público, fechamento do comércio, paralisação em indústrias consideradas não essenciais. 

Após uma semana de paralisação quase que total das atividades, aos poucos a medida foi se tornando branda. Primeiro a liberação de lotéricas e agências bancárias, depois a liberação de profissionais autônomos, sobretudo ligados à área da saúde. No entanto, a recomendação pelo isolamento segue mantida.

“Essa questão do isolamento, estamos seguindo a risca as determinações do Estado. A medida que for liberando, tenho visto em outros países que tiveram que fechar tudo em emergência. Não podemos chegar a este ponto novamente. Cada passo que for dado tem que ser muito analisado, a liberação tem que ser com controle sanitário absoluto, com uso de equipamentos”, ressalva.

E os testes rápidos?

A Prefeitura de Criciúma adquiriu 10 mil testes rápidos que serão aplicados de forma imediata em profissionais da saúde. Esta ação, claro, além de identificar possíveis infectados, também levará tranquilidade aos profissionais que atuam na linha de frente em combate ao coronavírus.

Para Acélio, uma boa saída para aquisição em massa de testes rápidos seria a utilização de recursos do chamado “fundão eleitoral”. No início do ano, durante discussão orçamentária, os parlamentares aprovaram um fundo de R$ 2 bilhões para as eleições municipais. A medida foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro.

“Se o recursos dos fundos eleitorais fossem uma bandeira e se transformassem em testes, ajudaria muito as empresas a colocarem os funcionários com mais segurança. Poderiam saber quem pode e quem não pode ficar trabalhando. Se tivessem testes rápidos para todo mundo, seria muito mais fácil a retomada das lojas e indústrias”, pondera.

Segundo a estimativa do próprio secretário, o número ideal para a Capital do Carvão seria de no mínimo 100 mil testes.   

Acompanhe as principais mudanças em Criciúma e região e toda a repercussão do avanço do coronavírus em nosso tempo real.