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A missão de Filipe da Silva Ferreira: socorrista da ambulância de Covid-19

Profissional de 32 anos trabalha há três meses no Centro de Triagem de Criciúma
A missão de Filipe da Silva Ferreira: socorrista da ambulância de Covid-19
Foto: Rafaela Custódio / Portal Engeplus
Por Rafaela Custódio Em 05/09/2020 às 15:27

Toda profissão tem seu valor, não é mesmo? Cada profissional conhece seu papel diante da sociedade e não é diferente com Filipe da Silva Ferreira, de 32 anos de idade. Sua função? Salvar vidas. Ele é motorista da ambulância do Centro de Triagem de Criciúma, transportando pacientes suspeitos e confirmados com coronavírus. 

Natural de Criciúma, ele atua como socorrista de ambulância há três meses após passar no processo seletivo da Prefeitura. Morador do bairro Nossa Senhora da Salete, ele já atua como motorista de ambulância há cinco anos e ainda é instrutor de trânsito há 10. Ele garante que transportar pessoas não é tarefa fácil. 

“Muitas pessoas acham que ser motorista de ambulância é fácil, porém não é, e está longe de ser. Cada paciente possui uma forma de ser transportado. Não é apenas entrar na ambulância e acelerar o veículo. Não podemos dirigir de qualquer maneira e muita gente não entende isso”, descreve. 

O criciumense comenta que ainda é Bombeiro Civil e o amor ao próximo corre em suas veias. “Sempre gostei de ajudar o próximo e por isso fiz a inscrição para o processo seletivo, pois sabia que muita gente não ficaria para essa função com medo da doença. Mas senti que era o meu momento de ajudar a população de alguma maneira e por isso estou aqui”, conta. “Nunca imaginei trabalhar em uma pandemia e acredito que ninguém imaginou. Mas estou aqui e, com certeza, fazendo meu papel como cidadão”, completa. 

Ferreira possuía experiência em dirigir ambulância, pois já atuava nesta função há cinco anos em uma empresa particular, porém relata que a vivência de trabalhar com pacientes com suspeita ou confirmação de coronavírus é diferente. “Temos visto situações complicadas, né? É um momento muito difícil para o paciente. Toda a equipe da saúde tenta dar seu melhor diariamente para que possamos salvar vidas, pois essa é a nossa missão”, pontua. 

Família 

O criciumense mora com os pais João Batista Ferreira e Maria Eliane Ferreira e seu irmão mais novo João Júnior. Ele ainda tem mais dois irmãos, Juliana e Artur. “Sei do risco que estou sofrendo trabalhando diretamente com a Covid-19, porém sempre foi meu desejo ajudar o próximo e, por isso, decidi me inscrever no processo seletivo que é de um ano”, relata. “Quando chego em casa, tenho todo um protocolo que sigo. Tomo banho em um banheiro separado da minha família e minhas roupas também são lavadas de forma separada. É um cuidado necessário para que possamos nos cuidar do vírus”, acrescenta. 

“Todo dia tenho uma experiência nova. Estou aprendendo diariamente a dar mais valor a vida. Com certeza sairei um ser humano melhor após a pandemia”.

Filipe da Silva Ferreira
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Ferreira conta que perdeu seu avô Arlindo José Isidoro por Covid-19 no dia 26 de agosto. “Ele não era meu avô de sangue, mas desde jovem considerava ele parte como meu avô. Ele tinha 64 anos e acabou morrendo pela Covid-19. Apesar de ser idoso, era um homem forte, mas foi vencido pela doença. Muito triste. Quando a doença se aproxima de nós acabamos vendo o quão grave é esse vírus”, afirma. 

Futuro 

O profissional do Centro de Triagem ainda conta que está apenas há três meses trabalhando na Prefeitura de Criciúma, porém já criou um laço de amizade muito grande. “Dizemos que somos a família Covid-19, e realmente somos uma família. Todos os profissionais de saúde se dedicam muito e estamos aqui realmente para ajudar a população. É difícil muitas vezes? Sim. Mas garanto que damos nosso melhor todos dias”, garante. 

O criciumense trabalha 12 por 36 horas e relata ainda que realiza em média 300 quilômetros por dia trabalhando com a ambulância. “Transportamos diversos pacientes, e claro, a maioria é idoso. Temos que ter todo um cuidado necessário com eles. A cada três horas trocamos de veículo, pois a ambulância precisa passar por higienização”, conta. 

Ferreira acredita que as pessoas sairão melhores após a pandemia. “Acredito em um mundo melhor depois da pandemia. Acredito em mais empatia e amor. Eu, com toda certeza, sairei melhor de tudo isso. Estou aprendendo todos os dias a dar mais valor a minha vida e a minha família”, finaliza. 

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