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A dedicação de Maria Alcilene da Silva no combate à Covid-19

Ela está trabalhando no Centro de Triagem desde 19 de março
A dedicação de Maria Alcilene da Silva no combate à Covid-19
Foto: Rafaela Custódio / Portal Engeplus
Por Rafaela Custódio Em 30/04/2020 às 12:17

Como surgiu o coronavírus? Como chegou ao Brasil? Essas perguntas ainda são difíceis de responder, não é mesmo? Mas já tentou pensar como que os profissionais que atuam no combate à Covid-19 enfrentam essa pandemia? Muitos abdicaram de suas vidas para poder salvar pessoas que nem conhecem. São os casos de Acélio Casagrande, Larissa Alves e Bruna Bervian Cândido, histórias que o Portal Engeplus contou nas últimas semanas. 

Hoje, a reportagem relata a história de Maria Alcilene da Silva Santos, de 37 anos. Natural do Rio Branco (AC), ela mora em Criciúma com os três filhos há pouco mais de um ano. Chegou a Capital do Carvão após viajar cinco dias de ônibus com as duas filhas Ana Gabriele, de 16 anos, e Thalita, de 6. Hoje, tem também Samuel Lucas, de 11 meses.

Divorciada, Maria Alcilene sempre sonhou em morar no Sul do Brasil e escolheu Criciúma por indicação de um amigo. Após 19 anos, ela se separou do pai de seus filhos e decidiu mudar totalmente de vida. Atualmente, trabalha com a higienização do Centro de Triagem da área Central (ao lado do Hospital São José). Atua no local desde 19 de março, após ser convidada por um conhecido da Prefeitura de Criciúma. 

“Sempre gostei da área de saúde. Meu sonho é ser enfermeira e um dia, com certeza, vou me tornar. Hoje, trabalho na parte da higienização e faço com muito amor e com todos os cuidados necessários que a doença exige”, conta. 

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Maria Alcilene nunca pensou enfrentar uma pandemia, mas vem buscando os cuidados necessários, especialmente em relação aos filhos. “Criei um local isolado na minha casa para a roupa quando chego do trabalho e tenho o maior cuidado com os meus filhos, principalmente com o neném de 11 meses, já que ele ainda mama”, descreve. 

Antes de trabalhar no Centro de Triagem, Maria Alcilene estava trabalhando em uma igreja evangélica. “Foi um convite bastante especial para trabalhar com a saúde das pessoas. Sempre foi meu desejo e estou conseguindo realizar. Quando eu era mais jovem, com idade entre 25 e 27 anos, acabei cantando na igreja e até gravei dois CDs. Foi um momento bastante importante da minha vida”, analisa. 

E a família?

Maria Alcilene tem mais sete irmãos. A mãe morreu quando tinha 12 anos, já o pai abandonou a família e ela nunca o conheceu. Ainda adolescente, foi adotada por duas famílias e acabou perdendo contato com os irmãos. Até hoje conhece pessoalmente apenas uma irmã.

“Teria tudo para ser uma história muito triste, mas busquei mudar para Santa Catarina e estou conseguindo viver muito bem aqui. O Sul do país realmente é maravilhoso como eu imaginava. Ainda tenho contato com meus pais adotivos e conversamos sempre, mas não me arrependo de ter vindo embora”, garante. 

Ela conta que os filhos gostam de viver em Criciúma e que o contato com o pai acontece via celular. “Eles sempre conversam com o pai e ele entende que a melhor maneira que eu tive foi realmente mudar de vida e buscar algo novo”, relata. 

“Nunca mais vou embora daqui”

Maria Alcilene se emocionou ao falar do carinho que recebeu dos criciumenses nos últimos meses. “Morava no Acre e lá não tem frio. Aqui é diferente, porém em nenhum momento fiquei desamparada. Cheguei em Criciúma e fui recepcionada por um amigo que me deu morada durante meses e agora moro em uma casa alugada, no bairro Nossa Senhora da Salete. Todos os meus vizinhos sempre me ajudaram e ainda me auxiliam quando preciso, sendo com roupas de inverno e até alimentos”, conta. 

A acreana admite que não tem vontade de ir embora e quer continuar criando os filhos em Santa Catarina. “Nunca mais vou embora, nunca. Quero morar em Santa Catarina para sempre. Aqui vou criar meus filhos, dar estudo a eles e uma vida melhor para os três. Meus filhos são minha maior motivação e tudo que faço é por eles”, afirma. 

“Trabalhar com a higienização de um Centro de Triagem não é fácil. Porém, todos os profissionais que estão atuando nessa pandemia se ajudam e fazem com que tenhamos um laço muito forte”. 

Futuro 

Maria Alcilene planeja que os filhos continuem estudando e que Ana Gabriele, de 16 anos, consiga ingressar na faculdade. “Ela também gosta da área de saúde e espero que consigamos formá-la. Também tenho o sonho de fazer faculdade de enfermagem e, com certeza, um dia vou conseguir”, afirma. 

“Espero continuar trabalhando com a saúde após essa pandemia, pois conseguiremos vencer o coronavírus. Meu contrato é temporário nesse momento, porém tenho muita fé em Deus de que tudo dará certo e vou conseguir criar meus filhos aqui em Criciúma”, projeta. 

A profissional pede que as pessoas continuem tomando os cuidados necessários com a Covid-19. “Estamos aqui para protegê-los. Temos profissionais da saúde capacitados para atender a população. Saibam que viver em Criciúma é muito bom”, finaliza.