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Transformando realidades e construindo valores

Mais de 40 jovens participam do projeto que acontece três vezes por semana em Criciúma
Transformando realidades e construindo valores
Foto: Thiago Hockmüller
Por Rafaela Custódio Em 18/06/2019 às 09:01

Muito mais do que contatos, trocação de socos ou até mesmo de ataques ao oponente. O boxe tem como objetivo unir pessoas. Criciúma conta com o projeto social Boxe dos Imigrantes. A ação iniciou em janeiro deste ano e foi criada no Parque dos Imigrantes, no bairro Rio Maina. Atualmente, 42 crianças e adolescentes participam do movimento, que é realizado todas as segundas, quartas e sextas-feiras, às 18h30. As aulas são gratuitas.

O projeto foi criado por Elbio Machado, que é chefe de segurança do Parque dos Imigrantes e pratica boxe há 22 anos. Ele conta que por trabalhar no local sempre notou que muitos jovens frequentavam o espaço público e a maioria utilizava de maneira errada o ambiente. A ideia de criar um espaço para o boxe cresceu. Após uma conversa com alguns adolescentes, a ideia deixou de ser apenas um sonho e virou realidade.

Assim, foi criado um grupo de conversas em um aplicativo de mensagens. “Nós conversamos aqui no parque e, quando cheguei em casa, o grupo já estava criado e desde então não parou mais. A primeira aula teve 15 pessoas. Eles foram contando para os amigos e hoje somos mais de 40 apaixonados pelo boxe. Eles me viam como um verme, pela roupa que uso como chefe de segurança, atualmente, me enxergam como pai, professor e amigo”, conta Machado.

“O boxe mudou a vida de todos que participam das aulas. São pessoas melhores e se tornaram jovens mais responsáveis”
Elbio Machado
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Machado afirma que o boxe mudou a vida dos alunos. “90% dos jovens que começaram em janeiro ainda permanecem no projeto. O Boxe dos Imigrantes trará a eles oportunidades no futuro. Hoje, muitos já enxergam a vida de maneira diferente, isto porque aqui não realizamos apenas um esporte, nós realizamos cidadania. Aqui tem educação, sorrisos, conversas, cobramos os estudos, somos uma família”, relata.

Dos 42 alunos, quatro já são instrutores. Além disso, participam do projeto oito meninas. Entre elas Tainara de Souza, de 15 anos. Ela é moradora do bairro Vila Francesa. Mais velha de quatro irmãos, a adolescente explica que o esporte tem mudado sua vida. “Estou desde o começo do projeto. Fui bem recebida pelo Elbio e por todos os alunos. Me identifiquei muito com o boxe. Hoje, sou instrutora e mostro que valeram todos os treinos que realizei para conseguir chegar onde estou no projeto. Já penso em cursar Educação Física por causa do esporte”, conta. “Daqui 10 anos, ainda vou lembrar de tudo que vivi dentro do Parque dos Imigrantes. Esse projeto marcou minha vida e nunca mais vou esquecer de cada treino e de cada aprendizado que tive e que tenho aqui dentro”, acrescenta.

“Muito mais do que um esporte, o boxe é um aprendizado. Todos do projeto estão de braços abertos para nos receber, seja qual for o dia”.
Tainara de Souza
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O projeto tem a intenção de ajudar os alunos, incentivar o esporte e multiplicar talentos. “Estamos aqui para auxiliá-los no que precisarem, seja com um abraço, uma palavra de conforto ou até mesmo na vida pessoal deles. Já realizamos outras ações além do boxe”, lembra Machado. “Na última enchente que teve em Criciúma, nós nos reunimos aqui no Parque e ajudamos as famílias atingidas. É muito mais do que um esporte, sim”, completa.

O professor Machado explica que está sempre conversando com os pais dos alunos. “As famílias estão sempre em contato conosco. Aqui não é apenas uma aula e vai embora. Nossa intenção é ajudar todos os alunos”, afirma.

Weslley Ferreira, de 16 anos, conheceu o projeto em fevereiro e não saiu mais. Hoje, ele é um dos instrutores e auxilia o professor Machado. “O ambiente é muito familiar. Gosto muito de vir para cá, me sinto bem. Todos se ajudam e buscamos sempre nos unir para que o projeto se desenvolva cada vez mais”, pontua. “Ao virar instrutor, acabei me dedicando ainda mais. Estamos sempre sorrindo e nos divertindo”, acrescenta.

Richard Menezes é um dos caçulas do projeto. Com 12 anos, ele particia das aulas há três meses. “Larguei o futebol e agora só estou treinando o boxe. Não sabia nada, mas estou aprendendo a cada aula um pouco mais. Espero um dia poder ensinar tudo que estou aprendendo aqui. O Elbio é uma das minhas maiores referências. Tenho muito respeito por ele e por tudo que ele faz por nós”, relata.

Machado lembra que o boxe abrange todas as classes sociais. “Todos nós caminhamos em um só destino. O esporte uniu todas essas pessoas que são diferentes, mas que possuem um ponto em comum, que é o projeto. Estamos plantando uma semente e vamos colher bons frutos. Eles terão diversas oportunidades e vamos estar aqui para ajudá-los”, comenta.

Rodrigo Mendes, de 23 anos, está no projeto há três meses. Ele já frequentava o Parque e conta que no início não levou a sério o projeto. “Não me interessei no começo, mas com o passar das aulas, fui gostando e me adaptando mais ao esporte. Hoje, sou instrutor, o que traz mais dedicação. O projeto é algo fantástico e que tem mudado nossas vidas”, aponta.

Prefeitura caminha ao lado do projeto

O prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro lembra que quando o Parque dos Imigrantes foi inaugurado, o projeto não existia. “Alguns meninos traziam problemas para o parque, mas o Elbio conseguiu trazê-los para o caminho do bem. Nós demos o total apoio para o projeto e estamos sempre dispostos a ajudá-los. Hoje, esses jovens cuidam do parque e preservam o local, o que nos traz ainda mais orgulho”, relata.

Machado conta que os jovens realizam alguns serviços no Parque dos Imigrantes. “É totalmente por vontade dos alunos. Quando eles enxergam que é necessário realizar algo aqui, eles fazem e isso é importante para toda sociedade”, comenta.

O presidente da Fundação Municipal de Esportes (FME) de Criciúma, Nícola Martins relata que todos os alunos se tornaram membros do Parque. “Eles cuidam do local e estão sempre atentos às realidades do espaço. O Bio [Elbio] não explica só as técnicas do boxe, ele ensina também disciplina e isso é muito importante para essas crianças, adolescentes e jovens”, comenta.

Martins lembra que a FME está apoiando diversas modalidades na cidade. “O Boxe dos Imigrantes apoiamos com materiais esportivos. Além disso, nós apoiamos outras modalidades como skate e basquete. Não podemos ficar apenas no convencional, mas realizar um trabalho mais amplo”, finaliza.

Os interessados em conhecer o projeto deverão ir até o Parque dos Imigrantes. O projeto é gratuito e acontece nas segundas, quartas e sexta-feiras. Confira as fotos: