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Parque dos Imigrantes: atividade feita há 140 anos é modelo para aprender matemática

História e cultural animal as tardes de alunos da rede municipal de ensino
Parque dos Imigrantes: atividade feita há 140 anos é modelo para aprender matemática
Foto: Jessica Rosso
Por Jessica Rosso Em 30/04/2019 às 19:11

Imagine poder aprender matemática em um lugar histórico da cidade, que relembra uma atividade realizada há 140 anos. A Atafona - para moagem de milho - que fica localizada no Parque dos Imigrantes, em Criciúma, está servindo de modelo para ensinar alunos das escolas da rede municipal de ensino.

Para quem não é muito fã da disciplina, o momento pode se tornar divertido e até inspirador na hora de aprender sobre o PI, que representa o valor da razão entre a circunferência de qualquer círculo e seu diâmetro. 

Para tornar o aprendizado mais fácil na prática, segundo a professora de matemática Carina Machado de Luca são colocadas na mesa várias formas geométricas. Depois disso é explicado a atividade e os alunos fazem as medidas. A atividade desta forma é realizada com alunos do 6º e 7º ano do Fundamental 2. Já com os alunos das séries iniciais, 1º, 2º e 3º ano do Fundamental 1, a professora ensina os alunos a identificarem na Atafona onde se encontram os solos geométricos. Nesta terça-feira, dia 30, os alunos do 6º ano da EMEIEF Prof Vilson Lalau do bairro Cristo Redentor participaram da aula inaugural. 

A disciplina de matemática é a preferida da aluna Sara Miguel Borges de 12 anos. Ela não lembra de ter saído muitas vezes da sala de aula, e estava ansiosa para aprender mais sobre a história do município. "Não conheço muito, mas acho que vou gostar, vamos ver", disse. 

A gerente pedagógica da Secretaria de Educação Fabiana Manenti Martinhado afirmou que em abril iniciaram as aulas testes que já tiveram a participação de 30 turmas. Agora, após a aula inaugural, o projeto deve continuar durante todo o ano letivo, duas vezes por semana. "Acho uma experiência muito importante, porque a gente sai da sala de aula para eles vivenciarem aquilo que estão aprendendo lá. Então eles estarão vendo ao mesmo tempo a matemática e estarão inseridos no turísmo", relatou. 

Segundo a secretária de Educação de Criciúma, Roseli de Lucca Pizzolo, a ideia foi iniciativa do prefeito e executada com a supervisão da Secretaria de Educação. " Está dando tão certo que a nossa ideia para o ano que vem é expandir para os alunos que não vieram este ano", disse ela e complementou que o resultado já é perceptível. " Os alunos que já participaram estão gostando bastante, sinalizando de maneira positiva, e tenho certeza que é uma coisa que eles vão lembrar para o resto da vida, porque toda aula diferente que nós tivemos na vida escolar, lembramos", concluiu.  

Para o prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, a Atafona traz à comunidade a saga dos imigrantes que há 140 anos desbravaram a cidade e toda a região. " A Tafona representa a primeira indústria da nossa cidade, por isso estamos fazendo essa visita hoje aqui. Eles eram os verdadeiros engenheiros. Aqueles primeiros imigrantes que aqui chegaram com um lápis na orelha e um pedaço de papel faziam a conta. E até hoje a gente tem dificuldade de expicar para os nossos jovens como funcionava, por isso tivemos essa iniciativa em fazer a aula".

O propósito, segundo ele, é que os 20 mil alunos da rede de ensino municipal conheçam o Parque dos Imigrantes. De acordo com Salvaro, a Atafona é a única no Brasil numa área urbana que funciona nos moldes de antigamente.