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Criciumense relembra grandiosidade de conhecer a Catedral Notre-Dame

Incêndio destruiu um dos pontos turísticos mais visitados da França nessa segunda-feira
Criciumense relembra grandiosidade de conhecer a Catedral Notre-Dame
Foto: Ana Paula Cardoso / Arquivo
Por Amanda Garcia Ludwig Em 16/04/2019 às 11:04 - Atualizado há 1 ano

A Catedral de Notre-Dame, em Paris, foi atingida por um grande incêndio na tarde dessa segunda-feira, dia 15. A torre mais alta da igreja desmoronou, e ainda não foi possível saber o que ocasionou o fogo. A estrutura, no entanto, não ficou destruída, e o presidente francês Emannuel Macron já informou que a catedral será reconstruída. Criciumenses que estão em Paris, e outros que já estiveram, têm se manifestado sobre o acontecimento. 

Elke Minatto Steiner está na França, em passeio com a família. Ela é esposa de Fábio Jeremias, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Criciúma, que também está na cidade francesa. Elke relatou, através de sua página no Facebook, que esteve no local 45 minutos antes de o incêndio acontecer. "Tivemos a sorte de conhecer [a catedral]. As sirenes chamavam a atenção, a quantidade de ambulâncias não era normal, a fumaça não fazia parte da paisagem da bela Paris. Hoje a história perdeu uma parte da história", disse.

Em conversa com o Portal Engeplus, Elke conta que eles haviam saído do local um pouco antes de o incêndio começar. "De repente, a quantidade de ambulâncias chamou atenção, e quanto olhamos para trás vimos a fumaça. Quando filmamos, sabíamos que era da região de onde havíamos acabado de sair, mas não imaginávamos, ou não queríamos acreditar, que era em Notre-Dame", conta.

O ex-presidente da OAB relata que as coisas estão bastante complicadas no país por conta do acontecimento. "O aeroporto aqui está bem complicado. Há uma comoção muito grande em Paris", relata Jeremias.

A criciumense Josiane Coral Brauchli mora na França há 15 anos. No dia em que a catedral pegou fogo, ela e o marido aguardavam um pronunciamento do presidente do país. Ele tinha horário marcado para um pronunciamento ao vivo, a todo o povo da França, para falar sobre as reivindicações dos "coletes amarelos" - movimento que tem feito protestos pela França há alguns meses.

"Estavam todos esperando por isso. Quando ligamos a TV, vimos o anúncio de que o pronunciamento estava cancelado. Não entendemos nada, e de repente começaram a mostrar as imagens do incêndio", conta.

Josiane compara o acontecimento aos atentados que aconteceram no Bataclan anos atrás. "Ficamos sem palavras, tristes, com sentimento de impotência. Não ter o que fazer, e não saber como vai acabar", diz.

O sentimento, para Josiane, é o de perda. "A comparação é que isso é como se estivéssemos perdendo alguém da família. A Notre-Dame é algo que estava sempre ali. Quando íamos ao centro de Paris, passávamos por lá. Levávamos todos que vinham nos visitar. Pessoas faziam caminhadas pela praça. Enfim, é como perder alguém conhecido."

A criciumense Ana Paula Cardoso conheceu há alguns anos o local. Ela relata a surpreendente imponência de Notre-Dame. "Cheia de detalhes, muita minúcia. Estive lá em 2017, com outra jornalista, a Larissa Lara. Era um dos lugares queríamos muito visitar em Paris, e vê-la ardendo no fogo dá até uma angústia, a gente não acredita que tanta beleza, tanta história (e ela tem um peso histórico imenso) estava sendo destruída. Se por fora ela já é sensacional, com aquela arquitetura gótica que prende nossa atenção - a espera na fila pra entrar até passa rápido porque a gente não quer perder nenhum detalhe da fachada e começa a imaginar o que nos espera lá dentro - , por dentro é mais ainda por conta dos efeitos dos vitrais coloridos, das esculturas, da conservação", conta Ana Paula.

A jornalista destaca a experiência única de ter realizado a visita. "Foi emocionante estar lá dentro, uma experiência que a memória não apaga jamais. Espero que os franceses consigam restaurar o que foi danificado e reconstruir o que o fogo destruiu para que mais pessoas possam ter acesso à Catedral de Notre-Dame e viver essa experiência maravilhosa dentro e fora dela."

O Vaticano divulgou nesta terça-feira, dia 16, que grande parte dos objetos sagrados e relíquias conseguiram ser retirados a tempo do local. Entre eles, relíquias como a Coroa de Espinhos e uma túnica de São Luís. "Providencialmente, as dezesseis estátuas - 12 Apóstolos e os 4 Evangelistas - colocadas ao redor da torre em 1860, durante a grande restauração da Catedral por Viollet-le-Duc, haviam sido removidas no dia 11 de abril e enviadas a Perigueux, sudoeste da França, para serem restauradas", destacou o Vaticano.

Um marco histórico no coração de Paris

A Catedral de Notre-Dame passou por uma grande parte da história da humanidade. Sua construção teve início em 1163, e a obra foi dedicada à mãe de Jesus Cristo, Maria (que originou o nome Notre-Dame, ou, em tradução livre, Nossa Senhora). Após uma construção turbulenta, a igreja ficou completa apenas em 1345, quase dois séculos depois do início da construção. 

Conforme informações do InfoEscola, a catedral localiza-se na praça Parvis, que fica na Île de la Cité, uma pequena ilha situada no meio do Rio Sena. Além da importância histórica e da presença na literatura, a Catedral de Notre-Dame de Paris apresenta diversas curiosidades. Uma delas é que Notre-Dame fica localizada no "coração" da cidade, uma vez que o Marco Zero de Paris está localizado na frente da fachada da parte ocidental da construção na praça Parvis.

A catedral foi palco de acontecimentos históricos:

  • Foi palco de batalhas e motivo de briga entre os revolucionários da Revolução Francesa e a Igreja Católica;
  • Foi onde Napoleão Bonaparte foi consagrado imperador da França; 
  • Foi o local da autoproclamação de Henrique VI como rei dos franceses; 
  • Foi cenário de uma das maiores obras da literatura mundial: O Corcunda de Notre-Dame, de Victor Hugo;
  • Foi um dos principais palcos de eventos da Comuna de Paris (a guerra franco-prussiana).

Estes são apenas alguns dos inúmeros eventos que abrigou, e filmes e livros para os quais a catedral foi inspiração.  

O local abrigava, ainda, a estátua de Joana d'Arc, militar durante a Guerra dos 100 Anos e santa padroeira da França. Além disso, na edificação são encontrados cerca de 200 vitrais, sendo que alguns são considerados os maiores já construídos no mundo.