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Com corte de recursos, maternidade do São Donato fecha em junho

Desequilíbrio financeiro também dificulta a ativação da UTI e deve acarretar em demissões
Com corte de recursos, maternidade do São Donato fecha em junho
Foto: Divulgação
Por Thiago Hockmüller Em 23/05/2019 às 12:03

A partir de 1 de junho, a maternidade do Hospital São Donato (HSD) deixará de realizar partos. A medida acontece em função do desequilíbrio financeiro da entidade e a falta de garantia de repasses do Governo do Estado. Além do fechamento desta ala, o hospital também encontra dificuldades para ativar 10 novos leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), já que o Estado não garante recursos suficientes para que isso aconteça.

O plano de contenção de despesas foi avalizado pelo Conselho Deliberativo e apresentado aos colaboradores na manhã desta quinta-feira, dia 23. O fechamento da maternidade ocorre em função do corte de verbas do Governo do Estado, que deixará de repassar ao HSD R$ 150 mil destinados ao custeio desta ala.

Em entrevista coletiva concedida também na manhã de hoje, o presidente do HSD, Waldemar Luiz, confirmou a decisão. “Nosso diretor administrativo esteve reunido com o secretário de Saúde cobrando valores e uma definição em relação ao problema. E foi definido que a partir do dia 1º de junho eles não fariam mais o pagamento, que é um incentivo e está contratualizado até o dia 31 de dezembro. Reunimos o conselho diretor e vamos fazer a vontade do Governo, ou seja, a partir do dia 1º de junho o hospital deixará de atender o serviço de maternidade”, lamentou.

Demissões estão previstas

Os problemas financeiros também atrapalham os planos de ativação de outros 10 leitos da UTI. Segundo informa o diretor administrativo do HSD, Júlio César De Luca, o Governo do Estado garante o repasse de apenas R$ 260 mil dos R$ 440 mil previstos pelo protocolo do Ministério da Saúde para a ativação dos leitos.

O problema será discutido novamente entre a diretoria do hospital com o Estado dentro de 40 dias. Enquanto isso, com o fechamento da maternidade, estão previstas demissões para readequar o orçamento do HSD. “O secretário nos cobrou a habilitação dos 10 leitos da UTI, mas os valores que o Estado nos oferece está muito aquém da nossa necessidade de custeio. Se enxugarmos ao máximo (o protocolo), será R$ 360 mil. O Estado nos garante R$ 260 mil e vai faltar R$ 100 mil. Vamos discutir novamente esses valores, mas vamos readequar a situação, fazer demissões e enxugar a máquina porque deixaremos de fazer alguns serviços”, explica.

A previsão é que o fechamento da maternidade representará R$ 161,1 mil a menos nas despesas e outros R$ 90 mil serão cortados com a diminuição ou até a extinção de serviços como a ortopedia. Contudo, conforme a diretoria da instituição, será preciso cobrir ainda R$ 442,5 mil das rescisões.