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Baleias chegam em menor quantidade na região; até agora foram 15 registros

Número é inferior ao registrado no mesmo período do ano passado
Baleias chegam em menor quantidade na região; até agora foram 15 registros
Foto: Carolina Bezamat/Instituto Australis/SCPar Porto de Imbituba
Por Thiago Hockmüller Em 06/08/2019 às 11:45

A temporada das baleias-francas teve início em primeiro de julho. E o primeiro sobrevoo de monitoramento, realizado no dia 28 do mês passado, apontou a presença de 15 baleias na Área de Preservação Ambiental (APA) da Baleia-Franca, que engloba cerca de 130 quilômetros da costa catarinense, sobretudo nas praias de Laguna, Imbituba e Garopaba, berçários que compõem a Rota da Baleia Franca.

O número é inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando 36 baleias foram avistadas pela equipe. No entanto, vale ressaltar que o registro de 2018 também foi um ponto fora da curva e considerado acima da média.

Apesar do número pequeno observado no sobrevoo, menor inclusive de anos anteriores a 2018, a expectativa é que a população de gorduchas cresça em breve. A diretora de pesquisa do Instituto Australis, Karina Groch, explica que um número parecido do observado no sobrevoo foi registrado em contagens terrestres. Estas contagens são realizadas a partir de pontos localizados em uma área muito inferior das monitoradas de forma área. E este histórico é positivo para os pesquisadores.

“Temos a impressão de que mais baleias chegaram, mas não fizemos uma contagem. Começamos o monitoramento em pontos de observação, mas o mar não tem estado bom. Teve um dia que chegamos avistar 14 baleias, um número semelhante ao primeiro sobrevoo. Isso nos dá o indicativo que mais baleias chegaram na região”, explica.

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Temporada pode ser mais curta

Alguns fatores são determinantes para a chegada de menos baleias-francas na região. A primeira é que as mesmas fêmeas só retornam para o litoral catarinense a cada três anos, período estimado para uma nova gravidez. Quando isso acontece, elas se dirigem até os berçários, onde encontram paz e águas tranquilas para parir o filhote e iniciar a amamentação.

Outro ponto, é que este período pode aumentar para quatro e até mesmo cinco anos, conforme a quantidade de alimento disponível na Antártida. “Temos baleias novas, que são filhotes que atingiram a maturidade sexual. Estamos observando o crescimento populacional, mas já verificamos que em ano com mais alimentos na Antártida, mais baleias vem para cá no ano seguinte. Quando elas tem menos alimento, podem não engravidar aumentando o intervalo reprodutivo”, explica Karina.

Caso engravidem, mas com pouca comida à disposição, podem não encontrar energia suficiente para as longas jornadas até os berçários. “É um ano grávida. E ainda precisa ter energia suficiente para ir até os berçários, como na nossa região, parir, amamentar e depois voltar para a sua área. Essa é a vida de baleia”, conta a pesquisadora.

Normalmente os mamíferos ficam na APA até meados de novembro, no entanto, o fato é que menos baleias-francas na região significa uma temporada menor. Das 15 baleias avistadas até agora, seis são filhotes acompanhados das mães, e três são adultas não acompanhadas de filhotes.

Para quem quiser observar as baleias ou conhecer mais sobre as gorduchas, é possível encontrar informações junto ao Instituto Australis, criado em 2015 e dedicado a proteção, monitoramento e pesquisas sobre a baleia-franca.