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Após quase três anos, processo de recuperação judicial da Criciúma Construções chega ao fim

Representantes do processo apresentaram os números da ação nesta quarta-feira
Por Rafaela Custódio Em 11/12/2019 às 11:54

O processo de recuperação judicial da Criciúma Construções chegou ao fim. O comunicado foi realizado na manhã desta quarta-feira, dia 11, em entrevista coletiva pelos atuantes da recuperação judicial. O juiz Rafael Milanesi Spillere assinou o encerramento do processo.  

Segundo o relatório apresentado pelo gestor judicial Zanoni Elias, ao todo são 92 empreendimentos entre horizontais e verticais abrangidos pela recuperação judicial. Sendo que 65 já foram resolvidos. Ainda faltam 27 empreendimentos para serem entregues, sendo que 14 estão pendentes e 13 em recuperação judicial. 

“Foi um desafio muito grande, mas acabei aceitando após muitas conversas. Ajudei os credores e atingimos nossos objetivos. A falência não seria o melhor naquele momento. Foram quase três anos de muita luta. Estamos com 80% dos credores resolvidos”, explica. “Os trabalhadores estamos em dia. Quem ainda não está é porque está na justiça e em até em 12 meses estará tudo certo”, acrescenta. 

Débitos trabalhistas 

A recuperação judicial já saldou o montante de R$ 12,6 milhões em dívidas trabalhistas previstos no plano aprovado pela assembleia-geral de credores. Mas cerca de R$ 4,5 milhões estão em abertos, pois foram habilitados recentemente pela Justiça e vencem no decorrer de 2020. A estimativa do departamento jurídico é que outras novas habilitações (R$ 1,5 milhões) venham a ser incluídas, com vencimento de 2021 em diante, chegando a um total estimado de R$ 6 milhões em passivos trabalhistas a serem pagos. 

A categoria trabalhista tem a prioridade na ordem de pessoas físicas e jurídicas habilitadas e devem receber suas quantias devidas pelas recuperandas em até 12 meses de sua habilitação. 

Uma nova empresa? O tempo dirá. 

A Criciúma Construções está cumprindo tudo o que determina o plano de recuperação judicial e por consequência, o proprietário da empresa, Rogério Cizeski, poderá reassumir a gestão do negócio e dar continuidade ao plano, que será finalizado em uma projeção de 15 anos. 

“Será uma empresa normal, ou seja, poderá comprar e vender como qualquer outra. A Criciúma Construções também ainda tem muito dinheiro a receber, pois algumas pessoas compraram imóveis e não pagaram. São R$ 62 milhões a serem recebidos por imóveis entregues e mais R$ 10 milhões de permutas. É um dinheiro que eles deverão receber”, explica Elias.

 O administrador judicial do caso Agenor Júnior ressalta que o processo judicial não é a solução de tudo. “Se trata de um dos maiores processos judiciais de Santa Catarina. O tempo foi apropriado para chegarmos a essa resolução”, comenta. “Não temos como explicar o que aconteceu para chegarmos a este ponto em relação a Criciúma Construções. São diversos fatores que contribuíram, mas podemos citar o excesso de crédito, o mercado, autoconfiança dos gestores, fizeram com que a empresa chegasse onde chegou”, acrescenta. 

Em quase três anos de execução,o plano de recuperação judicial abrange um total de 12.847 imóveis. Destes, 7.885 foram vendidos a um total de 3.936 proprietários, sendo assim,  4.962 unidades não chegaram a ser comercializadas e são consideradas “estoques” pela Criciúma Construções. 

O plano de recuperação judicial encaminhou a solução de 6.516 imóveis, o equivalente a 83% do total incluído ao plano. Estas propriedades pertencem a 3.088 compradores (80%) com situação resolvidas. O somatório de unidades não resolvidas é de 1.369, divididas em 848 proprietários (20%).