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A chuva e o prejuízo aos produtores de feijão

Após cinco dias consecutivos de chuva, Epagri prevê perdas em lavouras içarenses
A chuva e o prejuízo aos produtores de feijão
Foto: Elvys Taffarel/Arquivo Engeplus
Por Thiago Hockmüller Em 14/05/2019 às 11:45

A chuva que recai desde a última sexta-feira já coloca em risco o plantio de feijão em Içara. O município é o maior produtor do grão aqui na região e ascendeu o alerta, uma vez que a umidade pode provocar a perda de até 100% das lavouras, sobretudo aquelas onde o feijão está pronto para a colheita.

O engenheiro agrônomo da Epagri de Içara, Luiz Fernando Búrigo Coan, afirma que ainda não houve registro de perdas, todavia, se o feijão não for colhido em tempo hábil pode apodrecer ou perder valor de mercado. “Com o conhecimento de outros anos, dá para afirmar que teremos perdas no feijão. A umidade faz os grãos brotarem dentro das vagens e consequentemente perde valor comercial. O excesso de umidade também favorece a presença de fungos, ou seja, faz com que apodreçam e o prejuízo pode variar. Se o feijão estava pronto para colher e não foi colhido pode apresentar perda de 100% da lavoura’, alerta.

Se o feijão está pronto para colher, quatro dias de chuva é o suficiente para uma grande perda. Se ainda está em maturação fisiológica, a planta pode ficar doente, mas ainda passa

Luiz Fernando Búrigo Coan, engenheiro agrônomo da Epagri
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Mais soja, menos feijão

Dos 200 hectares utilizados para o plantio do feijão, cerca da metade ainda não entraram em processo de colheita e estão em observação. O risco necessariamente seria maior senão houvesse uma redução considerável na produção deste grão, que acabou praticamente substituído pela soja.

De acordo com a Epagri, até o ano passado Içara contava com uma média anual de 2 mil hectares destinados ao feijão. Neste ano, apenas 200. Os produtores enxergam na soja um melhor custo-benefício e uma oportunidade para suprir a falta de sementes de feijão disponibilizadas no mercado. Além do mais, a soja é mais resistente à chuva e tem o preço estável.

“A quantidade plantada em relação aos outros anos é bem menor. Houve dificuldade de encontrar semente de feijão no mercado e o produtor passou a plantar soja, que é mais estável no campo. Nessa condição do clima ela não brota, ela se mantém por mais tempo”, explica o Búrigo.

Com cerca de 1,8 mil hectares a menos, a produção também deve sofrer uma baixa de 2,7 mil toneladas, mas não apresenta risco de elevar o preço para o consumidor final. Búrigo explica que em quase todo o Brasil o preço do feijão é regulado pela produção paranaense, que atinge cerca de 540 mil hectares plantados, contra 120 mil em Santa Catarina.

Temos preferência do plantio do feijão, que é um item necessário para a alimentação humana. O custo do feijão é menor e o uso de defensivos agrícolas é menor. Os agricultores gostariam de plantar feijão e não a soja, mas dá uma chuva e eles podem perder a plantação, sem contar o preço instável. Isso gera insegurança. Com a soja, gasta-se mais dinheiro, passa mais defensivo, mas entrega produção

Luiz Fernando Búrigo Coan, engenheiro agrônomo da Epagri
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