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Entenda como deve funcionar o binário da Santos Dumont

Projeto tem custo estimado em R$ 100 milhões e previsão de quatro anos de obras
Por Thiago Hockmüller Em 10/08/2018 às 18:36

A estimativa é que o custo total do binário da avenida Santos Dumont/Carlos Pinto Sampaio chegue na casa dos R$ 100 milhões - aproximadamente R$ 65 milhões já estão garantidos.  Mas o nome com o qual o projeto ficou popularmente conhecido simplifica e muito o tamanho da obra, que envolve a construção de três elevados e um túnel, a abertura de uma rua, a duplicação de avenidas, a reconstrução de galerias pluviais, rede de drenagem, pavimentação asfáltica, melhorias em calçadas e projetos de acessibilidade.   

Todo esse aparato de infraestrutura só acontecerá se a prefeitura de Criciúma fechar o ano enquadrada nos critérios financeiros estabelecidos pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) para a obtenção do recurso. Ou, se conseguir uma liminar via Justiça Federal que autorize a avaliação financeira pela regra anterior a atual e que é menos rigorosa. 

Para entender a obra do binário primeiro é preciso saber o seu significado. E quem explica é a secretária de infraestrutura de Criciúma, Kátia Smielevski. “O binário é uma divisão de fluxos, um vai por um lado e outro vem pelo outro. Isso é um binário. A gente fala da Santos Dumont (foto), mas é uma ligação desde o Pinheirinho até a Próspera. Ficou esse nome sugestivo por causa da Santos Dumont, que foi o começo de tudo”, conta.  

A intenção é melhorar a fluidez do trânsito na região do bairro São Luiz, mas também dar maior vasão para quem utiliza a Via Rápida e a rodovia Luiz Rosso. “O binário da Santos Dumont compreende um projeto que vai ligar o Pinheirinho ao bairro Próspera, e nessa primeira etapa do projeto vamos contemplar a Avenida Centenário até a rua Desembargador Pedro Silva. Dentro deste trecho nós temos ainda três etapas de obras”, explica a secretária.

O prazo é que a primeira etapa, com os três níveis de obras concluídos, seja finalizada em quatro anos após o início.  

O aumento da capacidade viária e a redução de cruzamentos é um ponto preponderante para garantir agilidade e atrair investimento. Para o secretário da Fazenda do município de Criciúma, Celito Cardoso, essa é a maior aposta para justificar o investimento. "Essa é a obra maior. Todas as obras planejadas vão dar uma nova dinâmica na cidade e isso vai viabilizar mecanismos de atração de novos investimentos. Teremos uma cidade moderna", acredita Cardoso. 

Entenda os níveis da primeira etapa:  

1) Construção de um elevado no encontro da rua Desembargador Pedro Silva com as avenidas Santos Dumont e Imigrantes Poloneses, e com a rodovia Luiz Rosso. Quem dirigir pela Imigrantes Poloneses no sentido Próspera/Pinheirinho deverá passar por cima do elevado na rótula do bairro São Luiz. E quem chegar na cidade pela Luiz Rosso deverá contornar a rótula repetindo o processo atual.  

Esta obra é orçada em R$ 7 milhões. “Já tem um projeto executivo para ter um elevado ali”, explica Kátia. 

2) A segunda etapa é a construção da infraestrutura de rede de drenagem, galerias de águas pluviais, pavimentação asfáltica, calçadas e projetos de acessibilidade para as avenidas Santos Dumont e Carlos Pinto Sampaio (foto). “Duplicaremos a avenida Santos Dumont até a rua Pinheiro Machado passando pelo cemitério. Na Pinheiro Machado é onde de fato divide o trânsito. Quem entrar na Pinheiro Machado pega a Carlos Pinto Sampaio, que fica no binário com a Santos Dumont. É ali que o fluxo se divide. A Santos Dumont terá sentido Próspera/Pinheirinho e a Carlos Pinto Sampaio terá sentido Pinheirinho/Próspera”, explica Kátia.   

Nesta etapa também será construído um túnel que passará por baixo da rodovia Luiz Rosso e unirá a Carlos Pinto Sampaio com a rua Fioravante Benedete. Tudo para ligar o binário com avenida Imigrante Poloneses. 

3) A terceira etapa desta primeira parte do projeto é um elevado no encontro da Santos Dumont com a Avenida Centenário (foto). A infraestrutura facilitará o acesso para quem sair do binário com a intenção de seguir em direção à Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) e ao bairro Santa Luzia. “Temos um estudo de fazer um elevado porque quem vai se deslocar da Santos Dumont para a região da Unesc faz um retorno lá na Alianda e volta. Um percurso longo que congestiona e atrapalha o fluxo dos veículos ali”, pondera. 

Confira no vídeo a explicação da secretária de infraestrutura, Kátia Smielevski:

Ligação com a Via Rápida 

A segunda etapa do binário ainda não possui recurso garantido, mas compreende a área da Luiz Rosso até a Via Rápida. Para tanto, será realizada a abertura de uma rua para ligar a Imigrante Poloneses na Vitalino Scremin e que contemplará um viaduto sobre a rua Miguel Patrício de Souza. A intenção é fazer uma ligação ágil com a Via Rápida. 

Na outra frente de obra, a rua Miguel Patrício de Souza também será revitalizada. “Isso liga tudo na Via Rápida, com a duplicação, inclusive, da Miguel Patrício de Souza, que é aquela rua que chega na Via Rápida e já tem um trecho duplicado”, explica a secretária. 

Revitalização da rua Giácomo Biléssimo

Outra preocupação são os constantes atrasos da linha municipal de ônibus nos períodos de pico, sobretudo na rua Giácomo Biléssimo que faz a ligação da Avenida Centenário com a Unesc. Considerado um dos principais gargalos da cidade, o local será revitalizado por meio de recursos do Avançar Cidades da Caixa Econômica Federal.

A expectativa do secretário da Fazenda de Criciúma, Celito Cardoso, é que até o final do ano as obras comecem no local. A própria obtenção do recurso é mais simples levando em conta os critérios de financeiros avaliados por fundos internacionais, com o Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata), que garantiu o recurso para a primeira etapa do binário. "Este dinheiro vem antes até. Essa obra provavelmente inicia neste ano", explica Cardoso.

A obra compreende a construção de um corredor para o ônibus, dando sequência ao que já existe na Avenida Centenário e acelerando o serviço do transporte público. 

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