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Pesquisa avalia impacto de embarcações de turismo às baleias

Estudos serão realizados durante os próximos três anos
Pesquisa avalia impacto de embarcações de turismo às baleias
Foto: Victor Pazin/ICMbio / Karina Groch/PBF
Por Redação Engeplus Em 25/06/2017 às 09:46

Foi iniciada na Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca uma pesquisa científica com objetivo de avaliar os impactos da utilização de embarcações para observação de baleias. Pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), do Projeto Baleia Franca e servidores do ICMBio testaram, na praia do Mar Grosso, em Laguna, os equipamentos que serão usados para caracterizar o nível de ruídos subaquáticos produzidos pelas embarcações.

Além disso, a pesquisa, que será realizada durante os próximos três anos, avaliará o comportamento das baleias franca antes, durante e após a aproximação das embarcações. O objetivo é determinar como a atividade afeta o cotidiano dos animais que buscam as enseadas da APA da Baleia Franca para terem seus filhotes e os amamentar. 

“Como resultados da pesquisa, esperamos verificar se a observação embarcada pode ser realizada sem impactos negativos aos animais. Nesse caso, poderemos propor um zoneamento espacial, definir a capacidade de carga da atividade de turismo de observação de baleias embarcado (Tobe), rotas e velocidade de navegação das embarcações turísticas na área entre Garopaba e Laguna, de forma a estabelecer critérios que possibilitem assegurar que o turismo embarcado seja realizado de forma sustentável”, explica o professor Doutor da Udesc, Pedro Volkmer de Castilho, coordenador da pesquisa.

O Tobe está suspenso na região da APA da Baleia Franca desde 2012, pela Justiça Federal. Um dos pontos que levou à proibição foi justamente a falta de informações referentes aos possíveis impactos provocados às baleias pelas embarcações.

Atualmente, o entendimento da Procuradoria Federal Especializada junto ao ICMBio é de que as decisões judiciais mais recentes permitem que o órgão autorize o retorno do Tobe na APA da Baleia Franca, desde que o Plano de Fiscalização apresentado à Justiça pelo instituto seja plenamente cumprido na unidade de conservação. Contudo, a pesquisa proposta é essencial para atestar a viabilidade do Tobe, do ponto de vista da conservação da baleia franca.

“A pesquisa, além da evidente relevância acadêmica, tendo em vista a escassez de dados científicos sobre o assunto, subsidiará os gestores da APA para garantir que o Tobe possa ser realizado sem que haja o molestamento das baleias franca, cuja proteção é a principal finalidade da existência desta unidade de conservação”, avalia Cecil Barros, chefe da APA da Baleia Franca.

Colaboração: Christian Dietrich