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VÍDEO: Reiniciada recuperação na área da ICC

Trabalhos coincidem com despedida do procurador Darlan Dias
VÍDEO: Reiniciada recuperação na área da ICC
Foto: Nei Manique / Engeplus
Por Redação Em 14/01/2016 às 16:25

ESPECIAL / Nei Manique

Ao deixar Criciúma nesse final do ano, o procurador da República, Darlan Dias, ganhou um inesperado presente de Natal. Paralisada em 2014, a recuperação de 100 hectares de depósito de pirita no bairro Sangão - limite de Criciúma com Forquilhinha - foi retomada e num ritmo frenético.

Mais de uma dezena de caminhões, tratores e trabalhadores da empresa capixaba Vitória Engenharia substituem a Estre Ambiental, a primeira contratada pela Gaspetro / Petrobrás para atuar no local. "Pelo ritmo, devem entregar a área recuperada às prefeituras em 2016", projeta o procurador.

Toda a propriedade, totalizando 160 hectares, foi degradada pela compactação de rejeitos sob a tutela da extinta Indústria Carboquímica Catarinense. Criada no último governo militar, início da década de 80, a ICC deveria produzir derivados de enxofre, matéria-prima de fertilizantes.

As metas da estatal, contudo, bateram na trave do mercado internacional, onde predominavam preços bem mais competitivos. Ao ser fechada no Governo Collor, a ICC livrou-se do passivo ambiental mediante doação de todo o imóvel às duas prefeituras.

Sem recursos, os prefeitos pouco puderam fazer. Criciúma doou parte da propriedade para a Unesc ampliar seu campus e implantar o I-Parque. Forquilhinha criou um distrito industrial e rifou cerca de 14 hectares para um lixão, já desativado, utilizado também por Criciúma e Nova Veneza.

O quadro mudou quando o MPF interveio em 2006. Uma ação civil pública do procurador Darlan Dias denunciou o "DNA da Petrobrás" no controle acionário da finada ICC, obtendo o reconhecimento da Justiça Federal. Do processo nasceu o projeto.

Orçado em R$ 60 milhões, o plano de recuperação iniciado pela Estre embutiu a prevenção. "Um dos pilares foi remover a pirita das margens do Rio Sangão", conta Darlan. "A retirada do material ácido pegou uma faixa de 50 metros do curso dágua, compensada pelo replantio da mata nativa."

A EXPERIÊNCIA CRICIUMA
No MPF desde 2003, o procurador veio para Criciúma em 2005. Aos 50 anos, casado e pai de um casal de filhos, transfere-se para Itajaí embora tenha optado por residir em Florianópolis. Em seu lugar, assume o procurador Anderson Lodetti, natural da região e em Caçador até o final de 2015.

"Criciúma para mim foi uma experiência incrível", relata. "Trabalhei no maior passivo ambiental do país, interagi com técnicos de primeira linha e aprendi muito ao conhecer a degradação e o desrespeito às comunidades vizinhas às minas."

O MPF não foi uma vivência isolada no sul. "Acho que ajudei a melhorar a realidade local, embora haja muito por fazer ainda", resume. "Mas tenho a percepção de que plantei uma semente que dará bons frutos e deixo também bons amigos aqui. Uma terra que marcou a minha vida e a da minha família."

Confira a entrevista completa no vídeo abaixo.