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Boto encontrado morto não apresentava marcas de rede

Animal era conhecido por ajudar os pescadores da região
Boto encontrado morto não apresentava marcas de rede
Foto: Elvis Palma
Por Redação Engeplus Em 14/04/2016 às 18:44

Foi encontrado morto nos Molhes, em Laguna, mais um boto da espécie Tursiops truncatus. O animal foi conduzido pela equipe do Projeto de Monitoramento de Praias (PMP/BS), com apoio da Polícia Ambiental, para necrópsia e análises complementares. O mamífero é um macho, tem 3,34 metros e pesava cerca de 400 quilos. As análises externas macroscópicas mostraram que o animal não apresentava nenhuma marca evidente de redes de pesca. "Com análises microscópicas será concluído diagnóstico presuntivo da causa da morte", explica o coordenador do PMP e professor da Udesc, Pedro Volkmer.

Apelidado de “Mandalão” pelos pescadores, era considerado um dos botos que mais interagia durante a pesca. “Brincávamos que ele era violento porque só faltava jogar o peixe na gente”, brinca o pescador Evilásio Fernandes

Ele conta que na terça-feira desta semana pescou com o Mandalão, mas notou que o animal estava diferente das outras vezes: “Eu e meu companheiro de pesca observamos que ele estava lento, só saia na superfície para respirar bem devagar. Parecia doente”, disse o pescador.

​Segunda morte de boto em um mês

Também resgatado nos Molhes pela equipe do PMP, no dia 28 de março, um filhote da mesma espécie de boto, com apenas um mês de vida, foi encontrado morto. Após a necropsia e análises preliminares realizada pela equipe de biólogos e veterinários, só será possível descobrir a causa da morte após o resultado do laboratório. “Análises mais profundas do exame histopatológico poderão esclarecer essa morte”, explica Volkmer.

Algumas especulações diziam que o filhote estava com marcas de rede de pesca no corpo, mas segundo o professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pesquisador do Boto de Laguna, Fábio Daura, as imagens sugerem que essas marcas são pregas fetais que permanecem no filhote durante os primeiros meses de vida.

Novos filhotes nasceram

Atualmente a equipe coordenada pelo Professor Fábio Daura, da Ufsc, em parceria com a Udesc, através do professor Pedro Castilho, está monitorando os filhotes nascidos em 2015 e 2016. O monitoramento dos botos que habitam esta região do Canal da Barra e Lagoa Santo Antônio é realizado sistematicamente desde 2007 pelos pesquisadores.

A notícia do nascimento de quatro filhotes em 2015 sinalizou a esperança de uma recuperação na população dos Botos de Laguna, já que na última estimativa divulgada no final do ano de 2014, era de somente 47 indivíduos.

Alerta vermelho

Há dois anos, o “sinal vermelho acendeu”, afirma o professor Fábio Daura. "Pela primeira vez tivemos uma redução no tamanho da população que, no ano passado, foi estimado em 47 indivíduos – uma redução de mais de 10%. Em maio deste ano teremos uma nova estimativa da população, referente ao ano de 2015, mas previamente pelo que estamos analisando não mudou muito de 2014 para 2015.”

Os fatores de risco e causa das mortes dos botos são múltiplas, entre elas o emalhamento em redes de pesca. “Esses emalhamentos são mais comuns quando os indivíduos estão cansados, com fome, doentes e/ou estressados. Neste sentido, a qualidade da água e do ambiente em que vivem é fundamental”, explica Daura. Outros fatores como o tráfego intenso de embarcações, o uso irregular de moto-aquática, alterações de hábitat e a diminuição na disponibilidade de recursos alimentares, especialmente a tainha, principal espécie de peixe consumido pelo boto, também influenciam.

De acordo com Daura, são realizadas projeções periódicas sobre o risco de extinção dessa população para os próximos cinquenta anos.

Por que boto pescador?

A pesca cooperativa é considerada patrimônio de Laguna, assim como os “Botos Pescadores”. Esse tipo de interação só é registrada em dois lugares no mundo e encanta qualquer pessoa.

Os botos circulam no canal da barra em busca de peixes para se alimentar, principalmente a tainha, e costumam cercar os cardumes, conduzindo-os na direção dos pescadores, que após um sinal dado pelo animal, jogam suas tarrafas. Os peixes que sobram são presas fáceis para os botos se alimentarem. Ambos se beneficiam desta cooperação, boto e pescador.​

Colaboração: Prefeitura Laguna