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Dal Farra aceita conversar sobre transição, mas deseja concluir temporada ainda como presidente

Detentor da gestora do clube, ele não tem interesse de sair antes do prazo da rescisão
Dal Farra aceita conversar sobre transição, mas deseja concluir temporada ainda como presidente
Foto: Celso da Luz/Criciúma E.C.
Por Lucas Renan Domingos Em 21/05/2020 às 17:56

Depois de entregar a carta rescisão de contrato entre a Gestão de Ativos (GA) e o Criciúma Esporte Clube, o presidente Jaime Dal Farra foi ao microfone da Sala de Imprensa Clésio Búrigo prestar esclarecimento sobre a decisão. Ele já havia apontado, em entrevista exclusiva do repórter Thiago Hockmüller, do Portal Engeplus, os motivos pelo qual decidiu encerrar a parceria entre a gestora e o time. Desta vez, abriu espaço para perguntas de toda imprensa e respondeu questionamentos sobre o futuro da equipe até o fim da sua gestão, a transição de comando, investimentos para a temporada e a sua relação com a torcida.

Mesmo com a rescisão, o contrato entre as partes prevê que o anúncio do fim do vínculo deve ser feito até 180 dias antes do último dia do acordo vigente. Dal Farra assim fez. Ficará no clube até o fim da temporada, que pode ocorrer ainda em dezembro ou janeiro de 2021, data limite estabelecida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para encerrar as competições nacionais, após um possível retorno do futebol em meio a pandemia do novo coronavírus.

Até lá, o ainda presidente do Criciúma prometeu comprometimento no cumprimento das regras de contrato. Afirmou que vai seguir com o planejamento de investimentos definidos em dezembro de 2019 – R$ 300 mil mensais durante o Campeonato Catarinense e R$ 350 mil no Campeonato Brasileiro da Série C.

“O orçamento continua, o planejamento segue. Vou cumprir com as obrigações e dando tempo para o Conselho Deliberativo tomar as medidas necessárias para a substituição de gestora, encontrando as melhores alternativas para o Criciúma a partir de 2021”
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Jaime Dal Farra, presidente do Criciúma

Entre os acordos firmados entre a GA e o Criciúma está a responsabilidade da empresa em, ao deixar o clube, quitar todas as dívidas. Dal Farra garantiu que o compromisso será honrado. “Entregarei o clube sem nenhuma dívida, pagando fornecedores, impostos, com patrimônio preservado, categorias de base, escolinha. Vamos cumprir rigorosamente o contrato”, salientou.

Transição

Ao longo de sua explanação, o presidente do Criciúma disse estar disposto a dialogar para iniciar a transição para um novo gestor. Ao mesmo tempo deixou claro que tem o desejo de seguir no comando até o fim da gestão. “Um grupo de transição dentro do clube seria bem-vindo a partir do momento que o Conselho assim avaliar”, pontuou. “Agora trabalhar no dia a dia é algo que precisa ser avaliado. Temos um projeto, uma equipe competente, diretoria, gerentes, comissão técnica. Estamos seguindo esse plano”, destacou.

As metas para o futebol profissional até o fim da gestão de Dal Farra serão as mesmas já definidas no início da temporada. “Estamos nas quartas de final do Campeonato Catarinense e depois temos o Campeonato Brasileiro da Série C. Queremos terminar bem o estadual e buscar o acesso para a Série B. Estou motivado para isso e minha equipe também”, disse.

Para alcançar os objetivos, o Criciúma deve contratar seis jogadores. “Temos pré-contrato com três. São para os três setores do campo, mas com atenção especial ao ataque”, disse o diretor executivo de futebol do Criciúma, Evandro Guimarães, que estava ao lado de Dal Farra na coletiva.É a GA quem detém os direitos dos jogadores do Criciúma. Porém, Dal Farra garantiu que não deixará o clube sem atletas ao fim da sua gestão.

“Vamos deixar jogadores, não vamos levar. O objetivo é uma transição. A maior parte do staff e dos atletas, se houver interesse, deve ficar. Tudo vamos abrir para negociações”
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Jaime Dal Farra, presidente do Criciúma

Ao Portal Engeplus, o presidente do Tigre adiantou que deverá indicar três nomes para administrar o clube - os empresários Alexandro DelupoBeto Colombo e Ricardo Brandão. Na coletiva ele disse que tem trabalhado para buscar novos investidores ao clube, mas confessa que sempre teve dificuldades para agregar parceiros. “Nomes a gente tem bastante. Convidei vários durante a minha gestão, mas sempre recebi não, de vários, de fora também. Por algum motivo ou outro, crise em 2016, custos e outros fatores, que me alegaram. Não consegui agregar isso”, lembrou.


Foto: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus

Modelo de gestão

Muitas dúvidas ainda pairam sobre o futuro do Tigre, muito por conta do modelo de gestão atual, onde a GA fica com o bônus mas também com o ônus do caixa do clube. Com a saída de Dal Farra, o clube poderá ter que começar do zero, tendo em mãos apenas seu patrimônio. Em coletiva nesta semana o presidente do Conselho Deliberativo, Carlos Henrique Alamini, expressou a possibilidade de se repensar a forma de gerenciar o time. Para Dal Farra, o atual modelo ainda pode ser interessante.

“O modelo é interessante, mas precisa de uma participação maior da comunidade e de investidores. Apoio integral da cidade, dos torcedores, da imprensa, como acontece na Europa. Lá quando tem a derrota o time sai aplaudido. Somos uma cidade pequena e temos que nos unir 100%, senão fica difícil de fazer futebol”, analisou. A forma de contrato entre Criciúma e a GA também fez Dal Farra tirar dinheiro do próprio bolso. “Tive um déficit de aproximadamente R$ 10 milhões”, calculou. E o valor pode ser ainda maior ao fim do ano. Há no balanço financeiro do clube uma dívida do Criciúma com o presidente no valor de R$ 9 milhões.

“Conforme o contrato, isso só seria sanado com a venda de jogadores. Se isso não ocorrer até lá, eu vou ter que quitar e ficar com esse prejuízo”, reforçou.

Relação com a torcida

Quando o anúncio da saída de Dal Farra foi revelado, torcedores organizaram carreata na cidade para comemorar. O fato é que a relação entre os carvoeiros e o presidente não é das melhores, os resultados dentro e fora de campo – com abafo de protestos e falta de explicações – geraram um clima pouco amigável entre as partes.

“Primeiramente a torcida do Criciúma é extraordinária. É a mais apaixonada e a maior do Estado. O torcedor é apaixonado pelo clube. Eu não vi nada de carreata. Mas se houve alguma coisa, acho justa a manifestação do torcedor. Isso faz parte do futebol”, falou.